Questão ea58f24d-b5
Prova:UESPI 2011
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Homonímia, Paronímia, Sinonímia e Antonímia
As palavras que ocorrem em um texto são pistas
valiosas dos sentidos que o autor pretendeu para seu
texto. Analise as palavras sublinhadas nos segmentos
abaixo e as explicações que são dadas entre
parênteses.
1) “é indispensável diagnosticar as muitas causas
dessa situação”, (quer dizer reconhecer,
discriminar as causas...)
2) “temos dificuldades para reconhecer nossa cara
linguística” (quer dizer nossa identidade, nossa
identificação linguística).
3) “O uso inflacionado da expressão norma culta”
(quer dizer, o uso moderado, comedido,
abrandado da expressão).
4) “uma cultura linguística positiva que faça frente à
danosa cultura do erro” (quer dizer, maléfica,
perniciosa, prejudicial cultura do erro).
5) “confundi-la com gramática (...) apenas
continuará escamoteando os problemas” (quer
dizer, amenizando, atenuando, minimizando os
problemas).
Estão corretas:
As palavras que ocorrem em um texto são pistas
valiosas dos sentidos que o autor pretendeu para seu
texto. Analise as palavras sublinhadas nos segmentos
abaixo e as explicações que são dadas entre
parênteses.
1) “é indispensável diagnosticar as muitas causas
dessa situação”, (quer dizer reconhecer,
discriminar as causas...)
2) “temos dificuldades para reconhecer nossa cara
linguística” (quer dizer nossa identidade, nossa
identificação linguística).
3) “O uso inflacionado da expressão norma culta”
(quer dizer, o uso moderado, comedido,
abrandado da expressão).
4) “uma cultura linguística positiva que faça frente à
danosa cultura do erro” (quer dizer, maléfica,
perniciosa, prejudicial cultura do erro).
5) “confundi-la com gramática (...) apenas
continuará escamoteando os problemas” (quer
dizer, amenizando, atenuando, minimizando os
problemas).
Estão corretas:
Alfabetização, língua escrita e norma culta
(1) Vivemos numa sociedade tradicionalmente
pouco letrada. Nesse sentido, bastaria lembrar que temos
ainda por volta de 15% de analfabetos na população adulta
e que, entre os alfabetizados, calcula-se que apenas 25%
podem ser considerados alfabetizados funcionais, isto é, só
esta pequena parcela é capaz de ler e compreender textos
medianamente complexos. Como consequência e apesar
da expansão da alfabetização no último século, é ainda
apenas uma minoria que efetivamente domina a expressão
escrita.
(2) Não há dúvida de que, se queremos alcançar
níveis avançados de desenvolvimento, temos de romper
essa limitação decorrente de nossa história econômica,
social e cultural – que, por séculos, mantém concentrados a
riqueza material e o acesso aos bens da cultura escrita nas
mãos de poucos.
(3) Para isso, é indispensável diagnosticar as
muitas causas dessa situação e, em consequência,
encontrar formas de enfrentá-la adequada e eficazmente.
Andaremos, porém, mal se nem sequer conseguirmos
distinguir, com um mínimo de precisão, norma culta de
expressão escrita.
(4) O uso inflacionado da expressão norma culta
pode ter facilitado a vida e o discurso de algumas pessoas,
mas pouco ou nada tem contribuído para fazermos avançar
nossa cultura linguística. Continuamos uma sociedade
perdida em confusão em matéria de língua: temos
dificuldades para reconhecer nossa cara linguística, para
delimitar nossa(s) norma(s) culta(s) efetiva(s) e, por
consequência, para dar referências consistentes e seguras
aos falantes em geral e ao ensino de português em
particular.
(5) Parece, então, evidente que é preciso começar
a desatar estes nós, buscando desenvolver uma gestão
mais adequada das nossas questões linguísticas por meio,
inclusive, de um debate público franco e desapaixonado.
(6) Essas questões linguísticas não são, claro, de
pequena monta. Há toda uma história a ser revista, há todo
um imaginário a ser questionado, há toda uma gama de
valores e discursos a ser criticada, há todo o desafio de
construir uma cultura linguística positiva que faça frente à
danosa cultura do erro, que ainda embaraça nossos
caminhos. (...)
(7) Entendemos que o debate ganhará substância
se começarmos por dar precisão à expressão norma culta.
Continuar a confundi-la com gramática em qualquer um de
seus dois sentidos (conceitos ou preceitos), com norma-padrão ou com expressão escrita apenas continuará
escamoteando os problemas que estão aí a nos desafiar,
quer na compreensão da nossa realidade linguística, quer
na proposição de caminhos para o ensino do português.
(Carlos Alberto Faraco. Norma culta brasileira: desatando alguns
nós. São Paulo: Parábola Editorial, 2008, p. 29-31. Adaptado).
Alfabetização, língua escrita e norma culta
(1) Vivemos numa sociedade tradicionalmente
pouco letrada. Nesse sentido, bastaria lembrar que temos
ainda por volta de 15% de analfabetos na população adulta
e que, entre os alfabetizados, calcula-se que apenas 25%
podem ser considerados alfabetizados funcionais, isto é, só
esta pequena parcela é capaz de ler e compreender textos
medianamente complexos. Como consequência e apesar
da expansão da alfabetização no último século, é ainda
apenas uma minoria que efetivamente domina a expressão
escrita.
(2) Não há dúvida de que, se queremos alcançar
níveis avançados de desenvolvimento, temos de romper
essa limitação decorrente de nossa história econômica,
social e cultural – que, por séculos, mantém concentrados a
riqueza material e o acesso aos bens da cultura escrita nas
mãos de poucos.
(3) Para isso, é indispensável diagnosticar as
muitas causas dessa situação e, em consequência,
encontrar formas de enfrentá-la adequada e eficazmente.
Andaremos, porém, mal se nem sequer conseguirmos
distinguir, com um mínimo de precisão, norma culta de
expressão escrita.
(4) O uso inflacionado da expressão norma culta
pode ter facilitado a vida e o discurso de algumas pessoas,
mas pouco ou nada tem contribuído para fazermos avançar
nossa cultura linguística. Continuamos uma sociedade
perdida em confusão em matéria de língua: temos
dificuldades para reconhecer nossa cara linguística, para
delimitar nossa(s) norma(s) culta(s) efetiva(s) e, por
consequência, para dar referências consistentes e seguras
aos falantes em geral e ao ensino de português em
particular.
(5) Parece, então, evidente que é preciso começar
a desatar estes nós, buscando desenvolver uma gestão
mais adequada das nossas questões linguísticas por meio,
inclusive, de um debate público franco e desapaixonado.
(6) Essas questões linguísticas não são, claro, de
pequena monta. Há toda uma história a ser revista, há todo
um imaginário a ser questionado, há toda uma gama de
valores e discursos a ser criticada, há todo o desafio de
construir uma cultura linguística positiva que faça frente à
danosa cultura do erro, que ainda embaraça nossos
caminhos. (...)
(7) Entendemos que o debate ganhará substância
se começarmos por dar precisão à expressão norma culta.
Continuar a confundi-la com gramática em qualquer um de
seus dois sentidos (conceitos ou preceitos), com norma-padrão ou com expressão escrita apenas continuará
escamoteando os problemas que estão aí a nos desafiar,
quer na compreensão da nossa realidade linguística, quer
na proposição de caminhos para o ensino do português.
(Carlos Alberto Faraco. Norma culta brasileira: desatando alguns
nós. São Paulo: Parábola Editorial, 2008, p. 29-31. Adaptado).
A
1, 2 e 4 apenas
B
1, 2 e 3 apenas
C
3, 4 e 5 apenas
D
3 e 5 apenas
E
1, 2, 3, 4 e 5
Gabarito comentado
C
Clementina Rocha Monitor com apoio de IA
Gabarito: A
Fundamento decisivo: O critério decisivo é a compatibilidade semântica contextual entre a palavra sublinhada e a explicação proposta: “é indispensável diagnosticar as muitas causas dessa situação”; “temos dificuldades para reconhecer nossa cara linguística”; “O uso inflacionado da expressão norma culta”; “uma cultura linguística positiva que faça frente à danosa cultura do erro”; “continuará escamoteando os problemas”. Nessa verificação item a item, 1, 2 e 4 preservam o sentido do texto; 3 e 5 não preservam, e por isso o gabarito é A.
Tema central: paráfrase semântica contextual
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque reúne exatamente os itens cujas paráfrases mantêm o núcleo de sentido do texto. Em 1, “diagnosticar” vale como identificar/reconhecer/discriminar causas; em 2, “cara linguística” funciona metaforicamente como identidade linguística; em 4, “danosa” equivale a nociva, prejudicial, perniciosa. Esses três itens respeitam o valor semântico contextual das expressões sublinhadas.
B
Errada
Está errada porque inclui o item 3. No trecho “O uso inflacionado da expressão norma culta”, “inflacionado” indica excesso, ampliação indevida, banalização pelo uso exagerado. A explicação proposta — “uso moderado, comedido, abrandado” — inverte o sentido contextual.
C
Errada
Está errada porque considera corretos os itens 3 e 5, ambos semanticamente inadequados. Em 3, “inflacionado” não é moderado, mas excessivo. Em 5, “apenas continuará escamoteando os problemas” não significa amenizar ou minimizar os problemas, mas ocultá-los, disfarçá-los, encobri-los.
D
Errada
Está errada porque aponta como corretos apenas 3 e 5, justamente os dois itens com paráfrases incompatíveis com o texto. O erro é semântico nos dois casos: “inflacionado” foi lido como contenção, e “escamoteando” foi lido como diminuição da gravidade, quando o sentido é de ocultação.
E
Errada
Está errada porque generaliza como corretas todas as paráfrases, mas os itens 3 e 5 não preservam o sentido original. A questão exige verificar item por item se a explicação mantém o valor semântico efetivo no contexto.
Pegadinha da questão
A banca explorou duas trocas de sentido: em 3, transformou “inflacionado” em quase antônimo, como se significasse uso contido; em 5, substituiu “escamoteando” por um termo apenas vagamente próximo, “amenizando”, que altera o sentido porque diminuir a gravidade não é o mesmo que esconder o problema.
Dica para questões semelhantes
- Verifique se a paráfrase mantém o sentido da palavra no trecho, não apenas um sentido solto que pareça próximo.
- Desconfie de opções que suavizam ou invertem o valor da palavra, como excesso trocado por moderação.
- Em expressão metafórica, como “cara linguística”, identifique a função contextual antes de avaliar a explicação.
- Se a palavra indicar ocultação, não aceite como equivalente um termo que apenas sugira redução de intensidade.






