Questão e7e743f0-d9
Prova:UFTM 2013
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Homonímia, Paronímia, Sinonímia e Antonímia

No contexto do poema, o verso – Por cuja escuridão suspiro há tanto! – equivale a

Instrução: Leia o poema de Bocage para responder à questão.

Oh retrato da morte, oh noite amiga
Por cuja escuridão suspiro há tanto!
Calada testemunha do meu pranto,
De meus desgostos secretária antiga!

Pois manda Amor, que a ti somente os diga,
Dá-lhes pio agasalho no teu manto;
Ouve-os, como costumas, ouve, enquanto
Dorme a cruel, que a delirar me obriga:

E vós, oh cortesãos da escuridade,
Fantasmas vagos, mochos piadores,
Inimigos, como eu, da claridade!

Em bandos acudi aos meus clamores;
Quero a vossa medonha sociedade,
Quero fartar meu coração de horrores.

(Bocage. Sonetos, 1994.)

A
Há tanto suspiro a escuridão da noite amiga!
B
Há tanto suspiro quanto escuridão da noite amiga!
C
Suspiro na escuridão da noite amiga há tanto!
D
Suspiro há tanto pela escuridão da noite amiga!
E
Da escuridão da noite amiga suspiro há tanto!

Gabarito comentado

G
Gabrielle FrancoMonitor com apoio de IA

Gabarito: D

Fundamento decisivo: "Por cuja escuridão suspiro há tanto!" deve ser reescrito preservando a retomada de "cuja" como "da noite amiga", o valor de "suspiro por" como anseio pela escuridão e o sentido temporal de "há tanto"; por isso, a alternativa correta é a D.

Tema central: Reescrita com equivalência
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta porque elimina a relação de anseio expressa por "suspiro por" e transforma "escuridão" em termo que já não funciona como alvo do desejo. Além disso, "Há tanto suspiro a escuridão" não preserva o valor temporal de "há tanto" ligado ao verbo "suspiro".
B
Errada
Incorreta porque cria uma comparação quantitativa em "Há tanto... quanto...", sentido inexistente no verso. O texto não compara quantidade de suspiros e escuridão; ele expressa desejo pela escuridão e duração temporal desse desejo.
C
Errada
Incorreta porque troca o valor semântico de "por" pelo de "na". Com isso, "escuridão" passa a indicar circunstância de lugar, como se o eu lírico suspirasse dentro da escuridão, quando no verso original ela é o objeto do anseio.
D
Certa
A alternativa D reconstrói fielmente o verso ao manter o referente de "cuja" em "da noite amiga", conservar o valor semântico de desejo em "pela escuridão" e preservar o valor temporal de "há tanto" como duração do anseio. Assim, o sentido resultante é o mesmo: o eu lírico afirma que há muito tempo anseia pela escuridão da noite amiga.
E
Errada
Incorreta porque substitui a preposição que marca objeto de desejo por outra de valor diferente. Em "Da escuridão ... suspiro", a relação semântica já não é equivalente à de "suspiro por", e o sentido de anseio pela escuridão se perde.
Pegadinha da questão
A banca explora três confusões reais: ler "há tanto" como quantidade, entender "escuridão" como cenário da ação e ignorar que "cuja" equivale a "da noite amiga". A alternativa correta só aparece quando essas três relações são preservadas juntas.
Dica para questões semelhantes
  • Em reescrita, confirme se o pronome relativo mantém exatamente o mesmo referente e a mesma relação de sentido.
  • Verifique se a preposição original expressa desejo, lugar, comparação ou outra relação; trocar a preposição costuma mudar o sentido decisivo.
  • Quando aparecer "há tanto", teste se o contexto pede duração temporal; não transforme isso em quantidade ou intensidade.
  • Não aceite paráfrase que repete palavras do verso, mas altera as funções sintático-semânticas entre elas.

Estatísticas

Aulas sobre o assunto

Questões para exercitar

Artigos relacionados

Dicas de estudo