Questão df05dd9e-b0
Prova:UFT 2013
Disciplina:Literatura
Assunto:Modernismo: Tendências contemporâneas, Escolas Literárias
Leia o poema a seguir para responder a questão.
SEM VERSOS
e me fogem os versos
para dizer sobre o rio
para dizer da vida, o fio;
e me fogem os versos
para contar sobre a espera
para descobrir da vida, a quimera;
e me fogem os versos
para admitir fraquezas
para encobrir tristezas;
os versos me fogem
e eu não encontrei
pontos de tantas interrogações...
PINHEIRO, José Sebastião. de sonhos e de construção – poemas. Palmas: Provisão Estação Gráfica e Editora Ltda., 2008, p.122.
Com relação ao sentido e estrutura do poema de Tião Pinheiro, marque a opção CORRETA.
Leia o poema a seguir para responder a questão.
SEM VERSOS
e me fogem os versos
para dizer sobre o rio
para dizer da vida, o fio;
e me fogem os versos
para contar sobre a espera
para descobrir da vida, a quimera;
e me fogem os versos
para admitir fraquezas
para encobrir tristezas;
os versos me fogem
e eu não encontrei
pontos de tantas interrogações...
PINHEIRO, José Sebastião. de sonhos e de construção – poemas. Palmas: Provisão Estação Gráfica e Editora Ltda., 2008, p.122.
Com relação ao sentido e estrutura do poema de Tião Pinheiro, marque a opção CORRETA.
A
O poema é composto por quatro estrofes que seguem o
mesmo esquema rítmico, ABB, tratando-se de um soneto
por sua organização em quatro tercetos.
B
Os dois últimos versos de todas as estrofes são iniciados
por paralelismos, e os primeiros versos, por serem iguais,
configuram um refrão.
C
O poema trata, principalmente, da tristeza de um eu-lírico
que não consegue admitir suas fraquezas e, por isso, não
consegue escrever seus versos como desejaria.
D
É um poema metalingüístico, que traz aliada à reflexão
sobre o fazer poético, a angústia diante das muitas
impossibilidades da vida.
E
Por meio da metáfora "os versos me fogem", o eu-lírico
admite sua incapacidade para a escrita e, por
consequência, a inutilidade do fazer poético.
Gabarito comentado
R
Renan SilvaMonitor com apoio de IA
Gabarito: D
Fundamento decisivo: O critério decisivo é a presença de metalinguagem: a recorrência de "e me fogem os versos" e "os versos me fogem" mostra que o poema tematiza o próprio fazer poético, e a ligação com "para dizer da vida" e "pontos de tantas interrogações..." desloca essa dificuldade para uma angústia diante das impossibilidades da vida.
Tema central: metalinguagem e angústia existencial
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada por dois motivos técnicos. Primeiro, quatro tercetos totalizam 12 versos, e soneto é forma fixa de 14 versos; portanto, o poema não é soneto. Segundo, a alternativa usa de modo inadequado a expressão "mesmo esquema rítmico, ABB", confundindo ritmo com esquema de rimas.
B
Errada
Está errada porque generaliza uma estrutura que não se mantém em todas as estrofes. Nas estrofes iniciais, há paralelismo nos dois últimos versos pelo início com "para", mas isso não ocorre na última, em que os versos começam com "e eu não encontrei" e "pontos de tantas interrogações...". Além disso, chamar os primeiros versos de refrão é impreciso: há repetição anafórica e paralelística, não refrão tecnicamente bem caracterizado.
C
Errada
Está errada por reduzir indevidamente o sentido do poema e por afirmar algo não sustentado pelo texto. O poema menciona "admitir fraquezas" e "encobrir tristezas", mas não afirma que o eu-lírico não consegue admitir suas fraquezas. O núcleo interpretativo, segundo a base, é a fuga dos versos ligada à reflexão sobre a vida e às interrogações existenciais, não apenas a tristeza pessoal.
D
Certa
A alternativa D está correta porque o poema é metalinguístico: o eu-lírico fala dos próprios versos e da dificuldade de escrevê-los, como mostram "e me fogem os versos" e "os versos me fogem". Essa autorreferência não fica restrita ao ato de compor; ela se conecta a "para dizer da vida, o fio", "para descobrir da vida, a quimera", "para admitir fraquezas", "para encobrir tristezas" e culmina em "pontos de tantas interrogações...", sustentando a leitura de angústia diante de impasses da existência.
E
Errada
Está errada porque extrapola o alcance da metáfora "os versos me fogem". O texto autoriza concluir dificuldade de expressão ou bloqueio, mas não incapacidade definitiva para escrever nem inutilidade do fazer poético. Essa consequência não está no poema.
Pegadinha da questão
A banca explora confusões reais entre repetição anafórica e refrão, entre quatro tercetos e soneto, e principalmente a tendência de ler "os versos me fogem" apenas como bloqueio criativo, sem perceber que o poema também projeta esse impasse sobre a vida e suas "tantas interrogações".
Dica para questões semelhantes
- Quando o poema fala dos próprios versos, da escrita ou da dificuldade de compor, o primeiro critério a testar é metalinguagem.
- Não reduza a interpretação ao bloqueio poético se o texto o conecta explicitamente à vida, à espera, à quimera ou a dúvidas existenciais.
- Em análise formal, confira o dado objetivo antes da classificação: quatro tercetos são 12 versos, portanto não formam soneto.
- Distinga repetição anafórica ou paralelismo de refrão, especialmente quando a repetição não é idêntica nem aparece de modo regular em todas as estrofes.






