Questão defc72e3-b0
Prova:UFT 2013
Disciplina:Literatura
Assunto:Modernismo, Escolas Literárias, Romantismo
Considere os poemas para responder a questão.
CANÇÃO DO EXÍLIO
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
DIAS, Gonçalves. Melhores Poemas. São Paulo: Global Editora, 2001, p. 16.
NEM TANTO AO CAOS
cá, neste nosso sítio,
a construção já é ruína
e, fora da nova ordem mundial,
tem a morte e tem o amor,
a poesia e tem a prosa.
na época mais podre
eu nem posso acreditar
a mais triste nação
resiste em ressuscitar...
caetano
incita
resistir
cantando
uma nação
linda e podre,
aquarela
de contrastes,
o poder de acreditar...
PINHEIRO, José Sebastião. de sonhos e de construção – poemas. Palmas: Provisão Estação
Gráfica e Editora Ltda., 2008, p. 96.
A partir de uma leitura comparativa dos poemas, marque a
alternativa CORRETA.
Considere os poemas para responder a questão.
CANÇÃO DO EXÍLIO
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
DIAS, Gonçalves. Melhores Poemas. São Paulo: Global Editora, 2001, p. 16.
NEM TANTO AO CAOS
cá, neste nosso sítio,
a construção já é ruína
e, fora da nova ordem mundial,
tem a morte e tem o amor,
a poesia e tem a prosa.
na época mais podre
eu nem posso acreditar
a mais triste nação
resiste em ressuscitar...
caetano
incita
resistir
cantando
uma nação
linda e podre,
aquarela
de contrastes,
o poder de acreditar...
PINHEIRO, José Sebastião. de sonhos e de construção – poemas. Palmas: Provisão Estação
Gráfica e Editora Ltda., 2008, p. 96.
A partir de uma leitura comparativa dos poemas, marque a
alternativa CORRETA.
A
Assim como Gonçalves Dias, Tião Pinheiro, em seu
poema, aborda um cá, que pode ser lido como a nação
brasileira, a qual possui somente qualidades e atributos
positivos, do que são exemplos as expressões "tem o
amor/ a poesia e tem a prosa".
B
Os dois poemas possuem a mesma temática, a exaltação
nacional, e possuem também uma estrutura semelhante,
uma vez que as estrofes são irregulares e os versos são
redondilhas maiores, ou seja, heptassílabos.
C
Gonçalves Dias, poeta romântico, apresenta em seu
poema um lá e um cá, em que o lá se refere ao exílio e o
cá à terra natal; já na poesia moderna de Tião Pinheiro o
lá se refere ao mundo, lugar do caos, e o cá representa o
que foge ao caos, ou seja, a nação brasileira.
D
Tanto no poema de Gonçalves Dias, como no de Tião
Pinheiro, há um eu-lírico que se sente exilado de sua terra
natal e, por sofrer com a distância, passa a enxergar
somente os traços positivos de sua nação.
E
Diferente de Gonçalves Dias que exalta a terra natal, Tião
Pinheiro, inspirado pelas canções de Caetano Veloso,
compõe um retrato da nação em que vigoram contrastes,
numa visão mais crítica que, ora apresenta uma nota
pessimista ao destacar uma nação podre, ora destaca a
esperança e a resistência.
Gabarito comentado
C
Cassio Pimenta Monitor com apoio de IA
Gabarito: E
Fundamento decisivo: O critério decisivo é a leitura comparativa exigida no enunciado: em Gonçalves Dias predomina a idealização da terra natal ('Nosso céu tem mais estrelas', 'Nossos bosques têm mais vida', 'Nossa vida mais amores'), enquanto em Tião Pinheiro a nação é apresentada por contraste e crítica ('a construção já é ruína', 'na época mais podre', 'a mais triste nação resiste em ressuscitar', 'uma nação linda e podre', 'aquarela de contrastes', 'o poder de acreditar'); por isso, a alternativa compatível com os dois poemas é a E.
Tema central: exaltação romântica e crítica contrastiva
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque atribui ao poema de Tião Pinheiro uma exaltação apenas positiva da nação, o que é desmentido por marcas explícitas de crítica: 'a construção já é ruína', 'na época mais podre', 'a mais triste nação' e 'uma nação linda e podre'. O erro é ignorar a ambivalência do texto e tomar versos positivos isolados como se definissem o poema inteiro.
B
Errada
Está errada em dois pontos. Primeiro, os poemas não têm a mesma temática de exaltação nacional, porque o segundo não exalta a nação de modo romântico; ele a problematiza criticamente. Segundo, a suposta semelhança estrutural não se sustenta, pois o poema de Tião Pinheiro apresenta organização visual, fragmentação e arranjo verbal distintos, o que afasta a equivalência formal simplificada proposta na alternativa.
C
Errada
Está errada porque inverte os referentes em 'Canção do exílio': em Gonçalves Dias, o 'lá' é a terra natal idealizada, e o 'cá' é o lugar do exílio. Além disso, força no poema de Tião Pinheiro uma oposição espacial simétrica que a base não sustenta; no segundo texto, o próprio 'cá' já aparece marcado por ruína, podridão e contrastes, não como espaço que escapa ao caos.
D
Errada
Está errada porque cria falsa equivalência entre os poemas. Em Gonçalves Dias, há eu lírico afastado da pátria, tomado por saudade e idealização. Em Tião Pinheiro, a base sustenta um olhar crítico sobre a nação, mas não o mesmo tipo de eu lírico exilado da terra natal nem uma visão que enxergue apenas traços positivos. O segundo poema combina crítica, contraste e resistência.
E
Certa
A alternativa E acerta ao distinguir os dois modos de representar a nação. Em Gonçalves Dias, a terra natal é exaltada de forma idealizada, com superiorização da pátria. Já em Tião Pinheiro, a imagem nacional não é unilateralmente elogiosa: o poema reúne negatividade e esperança, como mostram 'na época mais podre', 'a mais triste nação', 'uma nação linda e podre', ao lado de 'resiste em ressuscitar' e 'o poder de acreditar'. Esse retrato por contrastes sustenta a leitura de visão mais crítica, sem eliminar resistência e esperança.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre tema nacional e exaltação nacional: o segundo poema fala da nação, mas não a idealiza; ele a representa por contrastes, com crítica e resistência.
Dica para questões semelhantes
- Em comparação entre textos, identifique primeiro se ambos tratam o mesmo objeto com a mesma valoração ou com valorações diferentes.
- Não conclua exaltação nacional só porque o tema é o país; verifique se há idealização ou se o texto introduz ruína, contradição e crítica.
- Nos poemas com 'cá' e 'lá', confirme o referente dentro do próprio texto antes de transportar a mesma lógica para outro poema.
- Não deixe versos elogiosos isolados anularem expressões explícitas de negatividade quando o poema é construído por contraste.






