Questão dee127fb-b0
Prova:UFT 2013
Disciplina:Literatura
Assunto:Realismo, Escolas Literárias
Considere os fragmentos de texto para responder a questão.
(...) Poderás dizer-me para que queres o barco, Para ir à
procura da ilha desconhecida (...) O capitão do porto disse,
Vou dar-te a embarcação que te convém, Qual é ela, É um
barco com muita experiência, ainda do tempo em que toda a
gente andava à procura de ilhas desconhecidas, Qual é ele,
Julgo até que encontrou algumas, Qual, Aquele (p. 27-28).
(...) Parece uma caravela, disse o homem, Mais ou menos,
concordou o capitão, no princípio era uma caravela, depois
passou por arranjos e adaptações que a modificaram um
bocado, Mas continua a ser uma caravela, Sim, no conjunto
conserva o antigo ar, E tem mastros e velas, Quando se vai
procurar ilhas desconhecidas, é o mais recomendável (p.31).
(...) O luar iluminava em cheio a cara da mulher da limpeza, É
bonita, realmente é bonita, pensou o homem, que desta vez
não estava a referir-se à caravela (p.47).
(...) Acordou abraçado à mulher da limpeza, e ela a ele,
confundidos os corpos, confundidos os beliches, que não se
sabe se este é o de bombordo ou o de estibordo. Depois, mal o
sol acabou de nascer, o homem e a mulher foram pintar na
proa do barco, de um lado e do outro, em letras brancas, o
nome que ainda faltava dar à caravela. Pela hora do meio-dia,
com a maré, A Ilha Desconhecida fez-se enfim ao mar, à
procura de si mesma (p.62).
SARAMAGO, José de. O conto da ilha desconhecida. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.
A partir da leitura dos fragmentos e considerando o texto
integral de "O conto da ilha desconhecida", marque a opção
CORRETA.
Considere os fragmentos de texto para responder a questão.
(...) Poderás dizer-me para que queres o barco, Para ir à
procura da ilha desconhecida (...) O capitão do porto disse,
Vou dar-te a embarcação que te convém, Qual é ela, É um
barco com muita experiência, ainda do tempo em que toda a
gente andava à procura de ilhas desconhecidas, Qual é ele,
Julgo até que encontrou algumas, Qual, Aquele (p. 27-28).
(...) Parece uma caravela, disse o homem, Mais ou menos,
concordou o capitão, no princípio era uma caravela, depois
passou por arranjos e adaptações que a modificaram um
bocado, Mas continua a ser uma caravela, Sim, no conjunto
conserva o antigo ar, E tem mastros e velas, Quando se vai
procurar ilhas desconhecidas, é o mais recomendável (p.31).
(...) O luar iluminava em cheio a cara da mulher da limpeza, É
bonita, realmente é bonita, pensou o homem, que desta vez
não estava a referir-se à caravela (p.47).
(...) Acordou abraçado à mulher da limpeza, e ela a ele,
confundidos os corpos, confundidos os beliches, que não se
sabe se este é o de bombordo ou o de estibordo. Depois, mal o
sol acabou de nascer, o homem e a mulher foram pintar na
proa do barco, de um lado e do outro, em letras brancas, o
nome que ainda faltava dar à caravela. Pela hora do meio-dia,
com a maré, A Ilha Desconhecida fez-se enfim ao mar, à
procura de si mesma (p.62).
SARAMAGO, José de. O conto da ilha desconhecida. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.
A partir da leitura dos fragmentos e considerando o texto
integral de "O conto da ilha desconhecida", marque a opção
CORRETA.
A
A narrativa apresenta em sua composição diversos
elementos delimitadores de tempo e espaço, dando-nos a
perceber que os acontecimentos se passam no século das
grandes navegações portuguesas.
B
A caravela é considerada mais recomendável para
encontrar ilhas desconhecidas por ser uma embarcação
que, mesmo com pouca experiência, havia passado por
muitas adaptações recentes.
C
O desejo de buscar a ilha desconhecida é suplantado pelo
desejo amoroso entre o homem e a mulher da limpeza que,
ao final, se casam e se convencem de que não há ilha
desconhecida a ser encontrada.
D
O homem e a mulher nomeiam a embarcação de Ilha
Desconhecida, o que potencializa o sentido alegórico do
conto, tornando possível interpretar a ilha como a própria
condição humana, ainda misteriosa e incompreendida.
E
O conto é narrado em primeira pessoa, ou seja, pelo
homem que desejava o barco, e os personagens não são
por ele nomeados, pois sua intenção é pôr em relevo
apenas seu desejo de encontrar a ilha desconhecida.
Gabarito comentado
R
Rafael Costa Monitor com apoio de IA
Gabarito: D
Fundamento decisivo: O critério decisivo é o desfecho: o barco recebe o nome "A Ilha Desconhecida" e parte "à procura de si mesma", o que desloca a leitura para o plano alegórico e confirma a alternativa D.
Tema central: alegoria da busca de si
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque a narrativa não fixa historicamente os acontecimentos no século das grandes navegações portuguesas. A caravela e a procura de ilhas desconhecidas funcionam como evocação simbólica desse universo, não como delimitação histórico-temporal determinada. O erro é confundir ambientação alusiva com localização histórica comprovada.
B
Errada
Está errada por confronto direto com o texto. O barco é descrito como tendo "muita experiência" e sendo "ainda do tempo em que toda a gente andava à procura de ilhas desconhecidas". Além disso, embora tenha passado por "arranjos e adaptações", isso não é apresentado como adaptação recente nem como razão principal de ser o mais recomendável. A alternativa inverte a literalidade do fragmento.
C
Errada
Está errada porque o desfecho não mostra casamento nem desistência da busca. A aproximação amorosa entre o homem e a mulher existe, mas o final reafirma a partida da embarcação, agora nomeada "A Ilha Desconhecida", "à procura de si mesma". O critério de eliminação é factual e interpretativo: os fatos mencionados na alternativa não ocorrem e contrariam o sentido do fechamento.
D
Certa
A alternativa D se sustenta diretamente em dois elementos decisivos do texto: os personagens nomeiam a embarcação como "A Ilha Desconhecida" e o fecho declara que ela parte "à procura de si mesma". Essa construção produz sentido simbólico de autoconhecimento e busca identitária, autorizando interpretar a ilha como figura da busca de si.
E
Errada
Está errada porque os fragmentos evidenciam narrador em terceira pessoa, como em "pensou o homem", o que exclui foco narrativo em primeira pessoa pelo protagonista. Também é incorreto afirmar que a ausência de nomes próprios existe apenas para destacar o desejo do homem; essa justificativa não é sustentada pelo texto e contraria a leitura simbólica e universalizante apontada pela base.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de ler o conto apenas no plano literal: caravela, ilhas e viagem podem induzir a uma leitura histórica ou factual, quando a frase final redefine o texto em chave alegórica.
Dica para questões semelhantes
- Em narrativa literária, trate o desfecho como elemento hierarquicamente forte de interpretação quando ele reorganiza o sentido do que veio antes.
- Diferencie referência simbólica de marcação histórica efetiva: menção a caravela e navegações não basta para fixar época.
- Confronte alternativas com a literalidade do trecho quando elas alterarem dados objetivos, como "muita experiência" para "pouca experiência".
- Verifique o foco narrativo por marcas textuais concretas antes de aceitar afirmações sobre primeira ou terceira pessoa.






