Questão d8ec3458-e0
Prova:UFTM 2013
Disciplina:Português
Assunto:Termos integrantes da oração: Objeto direto, Objeto indireto, Complemento nominal, Agente da Passiva, Análise sintática, Sintaxe


Ocorre objeto direto preposicionado quando, principalmente nos verbos que exprimem sentimentos ou manifestações de senti­ mento, se deseja encarecer a pessoa ou ser personificado a quem a ação verbal se dirige ou favorece.

A definição de Bechara é exemplificada com o seguinte verso do poema:

Quem ama inventa

Quem ama inventa as coisas a que ama... Talvez chegaste quando eu te sonhava. Então de súbito acendeu­se a chama! Era a brasa dormida que acordava... E era um revoo sobre a ruinaria, No ar atônito bimbalhavam sinos, Tangidos por uns anjos peregrinos Cujo dom é fazer ressurreições... Um ritmo divino? Oh! Simplesmente O palpitar de nossos corações Batendo juntos e festivamente, Ou sozinhos, num ritmo tristonho... Ó! meu pobre, meu grande amor distante, Nem sabes tu o bem que faz à gente Haver sonhado... e ter vivido o sonho!

A
Então de súbito acendeu­se a chama!
B
O palpitar de nossos corações
C
Quem ama inventa as coisas a que ama...
D
Nem sabes tu o bem que faz à gente
E
E era um revoo sobre a ruinaria,

Gabarito comentado

L
Lucia GomezMonitor com apoio de IA

Gabarito: C

Fundamento decisivo: A definição do enunciado se aplica ao verso "Quem ama inventa as coisas a que ama..." porque nele o verbo "amar", que é transitivo direto, recebe complemento preposicionado em "a que", sem exigência regencial da preposição. Essa combinação caracteriza objeto direto preposicionado e determina a alternativa C.

Tema central: Objeto direto preposicionado
Análise das alternativas
A
Errada
Em "Então de súbito acendeu-se a chama!", não aparece complemento verbal preposicionado com função de objeto direto. A estrutura traz "a chama" como sujeito, e não há ali objeto direto preposicionado.
B
Errada
"O palpitar de nossos corações" não traz verbo em funcionamento oracional regendo objeto direto. Trata-se de sintagma nominal, e "de nossos corações" liga-se ao nome "palpitar"; portanto, a preposição não introduz objeto direto preposicionado.
C
Certa
A alternativa C é a correta porque apresenta exatamente a construção pedida: um verbo de sentimento, "amar", com complemento preposicionado sem que essa preposição seja exigida pela regência normal do verbo. Em "a que ama", o termo introduzido por "a" funciona como complemento de "ama"; como "amar" é transitivo direto, essa preposição caracteriza objeto direto preposicionado, com o realce afetivo mencionado na definição do enunciado.
D
Errada
Em "Nem sabes tu o bem que faz à gente", a preposição em "à gente" é exigida pela construção "fazer bem a alguém". Logo, o termo é complemento indireto, não objeto direto preposicionado.
E
Errada
Em "E era um revoo sobre a ruinaria,", a preposição "sobre" tem valor espacial e introduz expressão locativa, não complemento de verbo transitivo direto. Por isso, não há objeto direto preposicionado.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre qualquer termo preposicionado após verbo e objeto direto preposicionado, especialmente para induzir a marcação de D; além disso, em C, o termo aparece dentro de oração relativa, o que pode esconder sua função de complemento do verbo "amar".
Dica para questões semelhantes
  • Primeiro verifique se o verbo é transitivo direto; sem isso, não há objeto direto preposicionado.
  • Se houver preposição, confirme se ela não é exigida pela regência do verbo; se for exigida, trata-se de complemento indireto.
  • Em orações relativas, analise a função sintática interna do relativo para ver se ele é complemento do verbo.
  • Quando o enunciado mencionar verbos de sentimento, procure construções com verbos como "amar", porque esse campo semântico pode ser decisivo.

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