Questão d72bd7b7-fe
Prova:UNIFESP 2012
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Homonímia, Paronímia, Sinonímia e Antonímia
Leia o poema Prece, de Fernando Pessoa.
Senhor, a noite veio e a alma é vil.
Tanta foi a tormenta e a vontade!
Restam-nos hoje, no silêncio hostil,
O mar universal e a saudade.
Mas a chama, que a vida em nós criou,
Se ainda há vida ainda não é finda.
O frio morto em cinzas a ocultou:
A mão do vento pode erguê-la ainda.
Dá o sopro, a aragem – ou desgraça ou ânsia –,
Com que a chama do esforço se remoça,
E outra vez conquistaremos a Distância –
Do mar ou outra, mas que seja nossa!
(Fernando Pessoa. Mensagem, 1995.)
Extraído do livro Mensagem, o poema pode ser considerado nacionalista, na medida em que o eu lírico
Leia o poema Prece, de Fernando Pessoa.
Senhor, a noite veio e a alma é vil.
Tanta foi a tormenta e a vontade!
Restam-nos hoje, no silêncio hostil,
O mar universal e a saudade.
Mas a chama, que a vida em nós criou,
Se ainda há vida ainda não é finda.
O frio morto em cinzas a ocultou:
A mão do vento pode erguê-la ainda.
Dá o sopro, a aragem – ou desgraça ou ânsia –,
Com que a chama do esforço se remoça,
E outra vez conquistaremos a Distância –
Do mar ou outra, mas que seja nossa!
(Fernando Pessoa. Mensagem, 1995.)
Extraído do livro Mensagem, o poema pode ser considerado nacionalista, na medida em que o eu lírico
Senhor, a noite veio e a alma é vil.
Tanta foi a tormenta e a vontade!
Restam-nos hoje, no silêncio hostil,
O mar universal e a saudade.
Mas a chama, que a vida em nós criou,
Se ainda há vida ainda não é finda.
O frio morto em cinzas a ocultou:
A mão do vento pode erguê-la ainda.
Dá o sopro, a aragem – ou desgraça ou ânsia –,
Com que a chama do esforço se remoça,
E outra vez conquistaremos a Distância –
Do mar ou outra, mas que seja nossa!
(Fernando Pessoa. Mensagem, 1995.)
Extraído do livro Mensagem, o poema pode ser considerado nacionalista, na medida em que o eu lírico
A
apresenta Portugal como uma nação decadente, que não faz jus ao seu passado de heroísmo e glórias.
B
inspira-se no passado de heroísmo do povo português que, no presente, já não acredita na sua história.
C
busca reviver o sonho de uma da nação grandiosa, cantando um Portugal almejado por seus feitos gloriosos.
D
reconhece o desejo de o povo português glorificar seus heróis, o que não foi possível até o seu presente.
E
descreve o Portugal de seu tempo como uma nação gloriosa e marcada por histórias de heroísmo.
Gabarito comentado
M
Marcelo Alves Monitor com apoio de IA
Gabarito: C
Fundamento decisivo: O critério decisivo é interpretativo: a progressão semântica do poema vai da crise à possibilidade de reconquista. Em “Mas a chama, que a vida em nós criou, / Se ainda há vida ainda não é finda. / [...] / Com que a chama do esforço se remoça, / E outra vez conquistaremos a Distância – / Do mar ou outra, mas que seja nossa!”, as marcas de permanência, renovação e retomada sustentam a leitura de um eu lírico que projeta o renascimento coletivo português, o que leva ao gabarito C.
Tema central: renascimento nacional português
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa erra porque reduz o poema a uma visão de decadência nacional. O texto realmente começa com sinais de crise, como “silêncio hostil” e “cinzas”, mas essa não é sua conclusão. A virada introduzida por “Mas” e reforçada por “ainda”, “se remoça” e “outra vez conquistaremos” impede ler o poema como simples condenação de Portugal por não fazer jus ao passado.
B
Errada
A incorreção está em afirmar que, no presente, o povo português “já não acredita na sua história”. O poema diz o contrário: “Se ainda há vida ainda não é finda”, “A mão do vento pode erguê-la ainda” e “conquistaremos” mantêm viva a possibilidade histórica de retomada. Saudade e crise não equivalem a descrença absoluta.
C
Certa
A alternativa C está correta porque capta o movimento central do poema: há um presente adverso, mas não uma derrota definitiva. O eu lírico afirma que a “chama” ainda existe, que ela “se remoça” e que “outra vez conquistaremos a Distância”, formulando um projeto de retomada da grandeza coletiva. Esse nacionalismo não aparece como descrição de glória atual, mas como revivificação do ideal de uma nação grandiosa, ligada à memória de feitos passados e ao impulso de reconquista.
D
Errada
A alternativa desloca o eixo do poema para a glorificação de heróis, mas esse não é o foco textual. No trecho dado, não há menção a heróis específicos nem à impossibilidade de glorificá-los. O centro está no reerguimento da nação por meio de imagens como “chama”, “esforço” e “conquistaremos”, todas voltadas para um destino coletivo.
E
Errada
A alternativa contradiz frontalmente o texto ao dizer que Portugal é descrito, no presente, como glorioso. O poema caracteriza o presente por imagens negativas: “a noite veio”, “a alma é vil”, “silêncio hostil” e “o frio morto em cinzas a ocultou”. A glória aparece como horizonte de reconquista, não como retrato da situação atual.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre o diagnóstico inicial de crise e o sentido global do poema: quem ignora a virada marcada por “Mas” e pelos termos de retomada pode marcar uma alternativa centrada só na decadência ou, no extremo oposto, numa glória já presente.
Dica para questões semelhantes
- Em poema interpretativo, não decida pelo início isolado; verifique se há mudança de direção argumentativa, como ocorre com “Mas”.
- Diferencie presente adverso de derrota definitiva: palavras como “ainda”, “se remoça” e “conquistaremos” mudam a tese do texto.
- Quando a questão pedir nacionalismo, observe se ele aparece como glória atual ou como projeto de grandeza coletiva a ser retomada.






