Questão cf189012-af
Prova:UFU-MG 2010
Disciplina:Literatura
Assunto:Modernismo: Tendências contemporâneas, Escolas Literárias
Em relação ao conto “Os paraísos artificiais”, do livro homônimo de Paulo Henriques Britto, é correto afirmar que:
Em relação ao conto “Os paraísos artificiais”, do livro homônimo de Paulo Henriques Britto, é correto afirmar que:
A
as descrições de um espaço fechado e restrito e das suposições dos gestos do personagem sugerem um sujeito
isolado, solipsista, que não tem outro modo de se relacionar além da arte; tema esse central nesse primeiro texto.
B
o fato de ser o único texto escrito em itálico o diferencia dos outros contos; sendo assim, é possível lê-lo como um
prólogo que traz a temática principal de todas as narrativas posteriores: a imobilidade do homem diante da realidade.
C
esse texto não pode ser considerado uma narrativa ficcional, já que a figura do narrador confunde-se com o autor, e o
texto não apresenta uma sequência de ação, uma evolução cronológica do tempo e a figuração de personagens.
D
o uso da função conativa reforça a ideia da caracterização desse texto como um prólogo, uma vez que o narrador
pode estar se dirigindo ao leitor, convidando-lhe não somente a ler o livro, mas a ser parte ativa de seu processo
criativo.
Gabarito comentado
H
Helena VeraMentora Qconcursos
Gabarito: D
Fundamento decisivo: O critério decisivo é a função conativa, aplicada ao trecho em que o narrador pode se dirigir ao leitor e convidá-lo a participar do processo criativo; esse direcionamento ao destinatário sustenta a leitura do texto como prólogo e confirma a alternativa D.
Tema central: função conativa e prólogo
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa erra por extrapolação interpretativa. Ela transforma uma possível leitura temática — sujeito isolado, solipsista, que só se relaciona pela arte — em núcleo necessário e central do texto, sem que esse seja o critério técnico mais seguro para a resolução. Pela base, o ponto cobrado não é a fixação desse tema, mas a identificação de traços metalinguísticos e da função conativa em um texto de abertura.
B
Errada
A alternativa incorre em dupla generalização indevida. Primeiro, toma o itálico como traço suficiente para definir a função estrutural do texto como prólogo, o que a base afasta expressamente: recurso gráfico isolado não basta para isso. Segundo, projeta sobre todas as narrativas posteriores uma temática totalizante — a imobilidade do homem diante da realidade — sem base demonstrada. O erro técnico está em converter marca material em prova conclusiva e em atribuir ao conjunto da obra um tema único sem suporte específico.
C
Errada
A alternativa parte de uma noção tecnicamente inadequada de narrativa ficcional. Segundo a base, a ficcionalidade não depende de sequência de ação tradicional, evolução cronológica linear explícita ou personagens convencionalmente figurados. Além disso, a eventual aproximação entre narrador e autor não elimina, por si, o caráter ficcional. O erro é aplicar um modelo restrito de narrativa como requisito absoluto para reconhecer ficção.
D
Certa
A alternativa D é a única que mobiliza o critério técnico adequado para explicar o funcionamento do texto: a função conativa, orientada ao destinatário, permite reconhecer um movimento de interpelação do leitor. Isso é compatível com a leitura do conto como texto de abertura, com feição prologal, e com um efeito metalinguístico em que o leitor é convocado a participar da construção de sentido. A alternativa, portanto, não nega a literariedade do texto e o interpreta por categorias técnico-literárias compatíveis entre si.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre leitura temática impressionista e critério técnico de análise: quem ignora a função conativa e a interlocução com o leitor tende a escolher alternativas que generalizam tema, tomam o itálico como prova estrutural ou negam a ficcionalidade por falta de enredo linear.
Dica para questões semelhantes
- Quando a alternativa mencionar diálogo com o leitor, verifique se isso ativa a função conativa; esse é um critério técnico mais sólido do que interpretações temáticas amplas.
- Não trate marca gráfica, como itálico, como prova suficiente da função do texto dentro do livro; ela pode diferenciar, mas não define sozinha prólogo ou gênero.
- Não elimine a ficcionalidade de um texto apenas porque falta enredo linear, cronologia explícita ou personagem convencional; esses elementos não são requisitos absolutos.
- Desconfie de alternativas que atribuem ao texto ou ao livro inteiro uma temática central totalizante sem base textual expressa.






