“Em teoria, as pessoas livres da colônia
portuguesa nos trópicos foram enquadradas em
uma hierarquia de ordens. A divisão em ordens –
nobreza, clero e povo – era uma característica do
antigo regime, que as elites desejavam importar
para o espaço colonial.”
FAUSTO, Boris. Historia Concisa do Brasil.
São Paulo, Editora da USP, 2009.
Atente para as afirmações a seguir, acerca da
aplicabilidade das três ordens mencionadas no
excerto acima.
I. A transplantação do modelo baseado nas três
ordens – nobreza, clero e povo –, vigente em
Portugal, teve pouco efeito no Brasil.
II. A sociedade colonial brasileira era composta
de senhores e escravos. Os fidalgos eram
muitos, embora a gente comum, com
pretensão à nobreza, compunha a maioria da
população.
III. Na cúpula da pirâmide social da população
livre colonial, estavam os grandes
proprietários de terras e escravos, e os
comerciantes voltados para o mercado
externo.
É correto o que se afirma em
Gabarito comentado
Resposta correta: Alternativa B — I e III apenas
Tema central: entender como o modelo das “três ordens” do Antigo Regime (nobreza, clero, povo) foi (ou não) transplantado para a sociedade colonial brasileira e quem compunha a elite social.
Resumo teórico curto: no Antigo Regime europeu, a hierarquia formal das três ordens estruturava privilégios legais e simbólicos. No Brasil colonial houve tentativa de reprodução desses valores pelas elites locais, mas a realidade colonial — economia escravista, escassez de títulos e forte ênfase na posse de terra e escravos — gerou um arranjo social híbrido, onde a posição de mando dependia mais da riqueza (latifúndio, escravos, comércio de exportação) do que de uma nobreza titulada numerosa. (Fonte: Fausto, Boris. História Concisa do Brasil; Boxer, C.R., estudos sobre Império Português.)
Por que I e III são corretas:
I — “teve pouco efeito”: correto. Embora as elites quisessem importar a rígida divisão em ordens, a prática colonial não reproduziu integralmente a estrutura europeia — havia poucos fidalgos titulados e as hierarquias eram mais fluídas e baseadas na propriedade e no poder econômico local do que em privilégios nobiliárquicos formais.
III — cúpula formada por grandes proprietários e comerciantes de exportação: correto. O topo da pirâmide social colonial era ocupado por senhores de engenho e grandes latifundiários, além de mercadores envolvidos com o comércio ultramarino — atores centrais no controle político e econômico.
Análise da alternativa incorreta (II):
II — falsa: contém duas falhas. Primeiro, reduzir a sociedade colonial a “senhores e escravos” ignora a grande massa de brancos livres, pequenos proprietários, artesãos, indígenas e grupos mestiços. Segundo, a afirmação de que “os fidalgos eram muitos” é incorreta: a nobreza titulada era escassa na colônia; a maioria não tinha título de fidalgo, embora aspirasse a status.
Dicas para interpretar enunciados semelhantes:
- Identifique termos absolutos (ex.: “muitos”, “toda”) — são pontos que costumam levar ao erro.
- Compare a afirmação com a prática histórica: títulos formais vs. poder econômico real.
- Procure palavras-chave (nobreza, latifúndio, comércio externo) e relacione-as ao contexto econômico do período.
Fontes sugeridas: FAUSTO, Boris. História Concisa do Brasil; BOXER, C.R. estudos sobre o Brasil colonial.
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