Questão c3e286b6-b5
Prova:UESPI 2010
Disciplina:Português
Assunto:Regência, Sintaxe

O sentido coerente de um texto depende muito também da regência entre verbos e complementos. Observe, por exemplo, este trecho: “Basta pensarmos no modo pelo qual a escrita é concebida como uma atividade cuja realização demanda a ativação de conhecimentos”. Analise outros trechos e identifique aquele em que se preservou a coerência do sentido e a correção gramatical.

1) Basta pensarmos no modo pelo qual a escrita é preferida como uma atividade cujas realizações demandam a ativação de conhecimentos.
2) Basta pensarmos no acesso à escrita como uma atividade de cujos ensinamentos todos nós dependemos.
3) Basta pensarmos na escrita como atividade contrária às realizações estáticas, cujos os sujeitos não são autônomos.
4) Basta fazermos uma analogia entre a escrita e a fala, as cujas regras em muito coincidem.
5) Basta pensarmos na escrita a que estamos expostos e a cujo acesso nem todos chegam facilmente.

Estão corretas:

TEXTO 1 

O que é escrita?

Se houve um tempo em que era comum a existência de comunidades ágrafas, se houve um tempo em que a escrita era de difícil acesso ou uma atividade destinada a poucos privilegiados, na atualidade, a escrita faz parte da nossa vida cotidiana, seja porque somos constantemente solicitados a produzir textos escritos (bilhete, e-mail, listas de compras etc.), seja porque somos solicitados a ler textos escritos em diversas situações do dia a dia (placas, letreiros, anúncios, embalagens, e-mail, etc., etc.).


Alguém afirmou que “hoje a escrita não é mais domínio exclusivo dos escrivães e dos eruditos. [...] A prática da escrita, de fato, se generalizou: além dos trabalhos escolares ou eruditos, é utilizada para o trabalho, a comunicação, a gestão da vida pessoal e doméstica”.


Que a escrita é onipresente em nossa vida já o sabemos. Mas, afinal, “o que é escrita?” Responder a essa questão é uma tarefa difícil porque a atividade de escrita envolve aspectos de natureza variada (linguística, cognitiva, pragmática, sócio-histórica e cultural).


Como é de nosso conhecimento, há muitos estudos sobre a escrita, sob diversas perspectivas, que nos propiciam diferentes modos de responder a questão em foco. Basta pensarmos, por exemplo, nas investigações existentes, segundo as quais a escrita ao longo do tempo foi e vem-se constituindo como um produto sócio-histórico-cultural, em diferentes suportes (livros, jornais, revistas) e demandando diferentes modos de leitura. Basta pensarmos no modo pelo qual ocorre o processo de aquisição da escrita. Basta pensarmos no modo pelo qual a escrita é concebida como uma atividade cuja realização demanda a ativação de conhecimento e o uso de várias estratégias no curso mesmo da produção do texto.


Apesar da complexidade que envolve a questão não é raro, quer em sala de aula, quer em outras situações do dia a dia, nos depararmos com definições de escrita, tais como: “escrita é inspiração”; “escrita é uma atividade para alguns poucos privilegiados (aqueles que nascem com esse dom e se transformam em escritores renomados)”; “escrita é expressão do pensamento” no papel ou em outro suporte; “escrita é domínio de regras da língua”; “escrita é trabalho” que requer a utilização de diversas estratégias da parte do produtor.


Essa pluralidade de resposta nos faz pensar que o modo pelo qual concebemos a escrita não se encontra dissociado do modo pelo qual entendemos a linguagem, o texto e o sujeito que escreve. Em outras palavras, subjaz uma concepção de linguagem, de texto e de sujeito escritor ao modo pelo qual entendemos, praticamos e ensinamos a escrita, ainda que não tenhamos consciência disso.


(Ingedore Villaça Koch. Vanda Maria Elias. Ler e escrever:estratégias de produção textual. São Paulo: Editora Contexto,2009. p. 31-32. Adaptado.)

A
1, 2 e 5 apenas
B
1, 2, 3, 4 e 5
C
2, 3 e 4 apenas
D
1, 4 e 5 apenas
E
2, 3 e 5 apenas

Gabarito comentado

L
Lívia MartinsMonitor com apoio de IA

Gabarito: A

Fundamento decisivo: “Basta pensarmos no modo pelo qual a escrita é concebida como uma atividade cuja realização demanda a ativação de conhecimentos”. À luz do comando, a escolha depende de preservar a coerência do sentido e a correção gramatical, com atenção à regência e ao emprego dos relativos preposicionados, especialmente “cujo”, que não admite artigo. Assim, permanecem corretos os itens 1, 2 e 5, e permanecem inválidos 3 e 4, o que conduz à alternativa A.

Tema central: Regência e relativos
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque reúne exatamente os itens que mantêm correção sintática e coerência mínima na reescrita. No item 1, “pelo qual” retoma adequadamente “modo”, e “cujas realizações demandam” respeita o uso de “cujo” sem artigo e com concordância com “realizações”. No item 2, “de cujos ensinamentos todos nós dependemos” está de acordo com a regência de “depender de”. No item 5, há dupla construção regular: “a que estamos expostos”, porque “exposto” rege “a”, e “a cujo acesso”, também compatível com a relação regencial apresentada. Como 3 e 4 contêm erro inequívoco com “cujo”, a resposta correta é 1, 2 e 5 apenas.
B
Errada
Incorreta porque inclui os itens 3 e 4. O item 3 traz “cujos os sujeitos”, e o item 4 traz “as cujas regras”; em ambos os casos há erro gramatical, pois “cujo” não admite artigo.
C
Errada
Incorreta porque inclui 3 e 4, que violam a norma de uso de “cujo”, e ainda exclui o item 1, que é formalmente correto. O estranhamento vocabular de 1 não basta para invalidá-lo, já que a estrutura sintática se mantém regular.
D
Errada
Incorreta porque inclui o item 4, que contém a construção inadequada “as cujas regras”, e omite o item 2, cuja estrutura “de cujos ensinamentos todos nós dependemos” está correta pela regência de “depender de”.
E
Errada
Incorreta porque inclui o item 3, invalidado por “cujos os sujeitos”, e exclui o item 1, que preserva o uso correto de “pelo qual” e de “cujas realizações” sem violar a norma.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: levar o candidato a rejeitar itens estruturalmente corretos por soarem menos naturais, como 1 e 2, e fazer passar despercebido o erro formal mais decisivo, que é o uso de artigo com “cujo” em 3 e 4.
Dica para questões semelhantes
  • Em reescritas com relativo, primeiro verifique a regência do verbo ou nome: a preposição antes do relativo costuma ser exigida por essa regência.
  • Se aparecer “cujo”, procure imediatamente artigo antes ou depois; se houver, a construção está errada.
  • Não elimine um item só por soar menos usual; na questão, a correção sintática e regencial prevalece sobre a maior naturalidade lexical.
  • Em itens com mais de uma relação preposicionada, analise cada bloco separadamente, como em “a que estamos expostos” e “a cujo acesso”.

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