No excerto abaixo estão transcritos dois momentos da
narrativa Lucíola, de José de Alencar. Com base neles e
pensando nas características da obra de José de Alencar,
ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA.
“Incompreensível mulher!
A noite a vira bacante infrene, calcando aos pés lascivos o
pudor e a dignidade, ostentar o vício na maior torpeza do
cinismo, com toda a hediondez de sua beleza. A manhã a
encontrava tímida menina, amante casta e ingênua,
bebendo num olhar a felicidade que dera, e suplicando o
perdão da felicidade que recebera.
Se naquela ocasião me viesse a ideia de estudar, como
hoje faço à luz das minhas recordações, o caráter de Lúcia,
desanimaria por certo à primeira tentativa [...].
Lúcia disse-me adeus; não consentiu que a acompanhasse,
porque isso me podia comprometer.” [p. 47-48]
[...]
“Lúcia concluindo essa narração, que a fatigara em
extremo, enxugou as lágrimas e deu algumas voltas
pela sala.
– Se eu ainda tivesse junto de mim todos os entes queridos
que perdi, disse-me com lentidão, veria morrerem um a
um diante de meus olhos, e não os salvaria por tal preço.
Tive força para sacrificar-lhes outrora o meu corpo virgem;
hoje depois de cinco anos de infâmia, sinto que não teria
a coragem de profanar a castidade de minha alma. Não
sei o que sou, sei que começo a viver, que ressuscitei
agora. Ainda duvidará de mim?
– Tu és um anjo, minha Lúcia!” [p. 113]
(ALENCAR, José de. Lucíola (1862). São Paulo: Ática, s/d)
No excerto abaixo estão transcritos dois momentos da narrativa Lucíola, de José de Alencar. Com base neles e pensando nas características da obra de José de Alencar, ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA.
“Incompreensível mulher!
A noite a vira bacante infrene, calcando aos pés lascivos o
pudor e a dignidade, ostentar o vício na maior torpeza do
cinismo, com toda a hediondez de sua beleza. A manhã a
encontrava tímida menina, amante casta e ingênua,
bebendo num olhar a felicidade que dera, e suplicando o
perdão da felicidade que recebera.
Se naquela ocasião me viesse a ideia de estudar, como
hoje faço à luz das minhas recordações, o caráter de Lúcia,
desanimaria por certo à primeira tentativa [...].
Lúcia disse-me adeus; não consentiu que a acompanhasse,
porque isso me podia comprometer.” [p. 47-48]
[...]
“Lúcia concluindo essa narração, que a fatigara em
extremo, enxugou as lágrimas e deu algumas voltas
pela sala.
– Se eu ainda tivesse junto de mim todos os entes queridos
que perdi, disse-me com lentidão, veria morrerem um a
um diante de meus olhos, e não os salvaria por tal preço.
Tive força para sacrificar-lhes outrora o meu corpo virgem;
hoje depois de cinco anos de infâmia, sinto que não teria
a coragem de profanar a castidade de minha alma. Não
sei o que sou, sei que começo a viver, que ressuscitei
agora. Ainda duvidará de mim?
– Tu és um anjo, minha Lúcia!” [p. 113]
(ALENCAR, José de. Lucíola (1862). São Paulo: Ática, s/d)
Gabarito comentado
Tema central da questão: Representação e crítica dos valores burgueses na obra "Lucíola", de José de Alencar.
O Romantismo brasileiro, especialmente na fase urbana, teve como uma de suas marcas a abordagem das convenções sociais do século XIX, como casamento, família e papéis sociais. Em Lucíola, Alencar explora essas questões por meio de uma personagem contraditória – Lúcia – que transita entre inocência e depravação, expondo os conflitos e hipocrisias da sociedade burguesa.
Justificativa da alternativa correta (B):
A alternativa B está correta porque evidencia que a obra representa, por meio da trajetória de Lúcia, os valores, exigências e contradições da sociedade burguesa de seu tempo. Lúcia é mantida à margem do ideal burguês devido a seu passado e condição social, ilustrando como a moral burguesa rege relações pessoais e limita destinos. Sua ambiguidade – entre anjo e mulher "pecaminosa" – é um reflexo fiel dessa representação, não uma desconstrução total ou profundíssima das bases morais da sociedade.
Análise das demais alternativas:
A (crítica profunda e concepção materialista): Exagera ao afirmar que há uma análise profunda para propor novos valores morais e uma visão materialista. A obra se limita mais à representação das convenções do que à crítica revolucionária ou à superação dos valores.
C (derruba a concepção de casamento): É um equívoco, pois o romance insiste no valor do casamento e da ordem social, mesmo que critique seus efeitos sobre o indivíduo.
D (confiança na espontaneidade natural): Não se observa, em Lucíola, uma fé nas possibilidades do indivíduo contra as restrições sociais, mas sim a frustração desses desejos perante as convenções.
E (amor supera as convenções): Erro clássico de interpretação romântica – a obra mostra a força das normas morais burguesas, não a vitória plena do amor.
Estratégia para a prova: Foque em identificar palavras-chave como representação, ideologia, ambiguidade da personagem e diferença entre crítica profunda e retrato social. Atenção a exageros ou generalizações (como “derrubar totalmente” valores).
Resumo: "Lucíola" retrata as limitações e convenções da sociedade burguesa e a condição ambígua da protagonista, sem apregoar uma revolução de valores.
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