A evolução tecnológica provocou mudanças na forma
de as pessoas perceberem o mundo e de interagirem.
Não é difícil perceber que a infância dos dias de hoje é
bem diferente daquela de alguns anos atrás. Assinale a
alternativa que exprime a contradição presente no comportamento
do menino impossível, do poema de Jorge
de Lima (Texto 1):
TEXTO 1
O mundo do menino impossível
Fim de tarde, boquinha da noite
com as primeiras estrelas
e os derradeiros sinos.
Entre as estrelas e lá detrás da igreja,
surge a lua cheia
para chorar com os poetas.
E vão dormir as duas coisas novas desse mundo:
o sol e os meninos.
Mas ainda vela
o menino impossível,
aí do lado,
enquanto todas as crianças mansas
dormem
acalentadas
por Mãe-negra da Noite.
O menino impossível
que destruiu
os brinquedos perfeitos
que os vovós lhe deram:
o urso de Nurnberg,
o velho barbado jugoslavo,
as poupées de Paris aux
cheveux crêpés,
o carrinho português
feito de folha de flandres
a
caixa de música checoslovaca,
o polichinelo italiano
made in England,
o trem de ferro de U. S. A.
e o macaco brasileiro
de Buenos Aires,
moviendo la cola y la cabeza.
O menino impossível
que destruiu até
os soldados de chumbo de Moscou
e furou os olhos de um Papá Noel,
brinca com sabugos de milho,
caixas vazias,
tacos de pau,
pedrinhas brancas do rio...
“Faz de conta que os sabugos
são bois...”
“Faz de conta...”
“Faz de conta...”
[...]
O menino pousa a testa
e sonha dentro da noite quieta
da lâmpada apagada,
com o mundo maravilhoso
que ele tirou do nada...
[...]
(LIMA, Jorge de. Melhores poemas. São Paulo: Global,
2006. p. 27-30. Adaptado.)
TEXTO 1
O mundo do menino impossível
Fim de tarde, boquinha da noite
com as primeiras estrelas e os derradeiros sinos.
Entre as estrelas e lá detrás da igreja,
surge a lua cheia
para chorar com os poetas.
E vão dormir as duas coisas novas desse mundo:
o sol e os meninos.
Mas ainda vela
o menino impossível,
aí do lado,
enquanto todas as crianças mansas
dormem
acalentadas
por Mãe-negra da Noite.
O menino impossível
que destruiu
os brinquedos perfeitos
que os vovós lhe deram:
o urso de Nurnberg,
o velho barbado jugoslavo,
as poupées de Paris aux
cheveux crêpés,
o carrinho português
feito de folha de flandres a
caixa de música checoslovaca,
o polichinelo italiano
made in England,
o trem de ferro de U. S. A.
e o macaco brasileiro
de Buenos Aires,
moviendo la cola y la cabeza.
O menino impossível
que destruiu até
os soldados de chumbo de Moscou
e furou os olhos de um Papá Noel,
brinca com sabugos de milho,
caixas vazias,
tacos de pau,
pedrinhas brancas do rio...
“Faz de conta que os sabugos
são bois...”
“Faz de conta...”
“Faz de conta...”
[...]
O menino pousa a testa
e sonha dentro da noite quieta
da lâmpada apagada,
com o mundo maravilhoso
que ele tirou do nada...
[...]
(LIMA, Jorge de. Melhores poemas. São Paulo: Global,
2006. p. 27-30. Adaptado.)
Gabarito comentado
Tema central: Interpretação de texto – identificação de contradições e coerência textual
A questão exige que o candidato reconheça a contradição no comportamento do personagem do poema. Segundo Koch (2016), coerência textual refere-se à compatibilidade lógica entre as ideias apresentadas, enquanto contradição revela a presença de comportamentos ou ideias opostas no mesmo contexto.
Justificativa da alternativa correta (C):
O poema mostra que o menino recebe brinquedos perfeitos e sofisticados (“urso de Nurnberg”, “polichinelo italiano”, etc.), mas destrói todos e escolhe brincar com coisas simples — “sabugos de milho”, “caixas vazias”, “pedrinhas brancas do rio”. Essa escolha indica que ele prefere usar a imaginação e transformar objetos comuns em brinquedos.
Pela norma-padrão e com base em semântica textual (Cunha & Cintra, 2013), a contradição reside em alguém que possui brinquedos de alto valor, mas opta por objetos considerados “sem valor”, contrariando a expectativa comum.
Análise das alternativas incorretas:
A) Foca no desejo por brinquedos novos, o que não é dito no texto; o que ocorre é a preferência pela simplicidade, não por novidades.
B) Indica que o menino prefere sonhar com brinquedos que gostaria de ganhar, mas, no texto, ele brinca realmente com o que tem (objetos simples), não deixando de dar valor ao que possui.
D) Afirma que “impossível” no título significa falta de cuidado. No entanto, o termo remete ao comportamento singular, criativo e fora do padrão do menino, e não à mera negligência.
Estratégias de interpretação: Busque sempre evidências textuais nas ações ou escolhas do personagem e avalie se há oposição entre elas. Atenção a palavras-valise como “mas”, “porém” e construções que contraponham ideias.
Resumo: A contradição é clara: quem tem brinquedos sofisticados prefere brincar com objetos simples, dando valor à imaginação e não ao objeto em si.
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