Questão b7d5411f-e0
Prova:UEPB 2011, UEPB 2011
Disciplina:Literatura
Assunto:Naturalismo, Escolas Literárias
Depois de analisar O Cortiço, é correto afirmar:
I - A relação direta das tensões entre os “donos” dos cortiços se estabelece não só no acirramento das diferenças entre os moradores de
ambos os cortiços, como também na própria nominação desses espaços coletivos nos quais se percebe, metaforicamente, uma relação
animalesca e predatória entre os cabeça-de-gato (termo que alude à imagem do predador) e os carapicus (termo cujo valor semântico,
vinculado ao de cabeça-de-gato, atualiza a imagem de presa).
II - O final trágico de Bertoleza e o “diploma de sócio benemérito” dado a João Romão pela “comissão de abolicionistas” expressam as
dissimetrias sociais, de gênero, étnico-culturais, dentre outras, viabilizando os estratagemas naturalistas que apontavam para suas
personagens fortes, tornando improdutiva, em determinados momentos, a luta dos vencidos ou dos que procuravam sair da condição
de menor, de fraco.
III - No trecho “E, durante muito tempo, fez-se um vaivém de mercadores. Apareceram os tabuleiros de carne fresca e outros de tripas e fatos
de boi; só não vinham hortaliças, porque havia muitas hortas no cortiço” (cap. 3), percebe-se que o espaço do cortiço formava uma
espécie de mundo à parte e à margem da sociedade em que se assentava. Parecia independente, autônomo, inclusive em seus aspectos
econômicos.
Depois de analisar O Cortiço, é correto afirmar:
I - A relação direta das tensões entre os “donos” dos cortiços se estabelece não só no acirramento das diferenças entre os moradores de
ambos os cortiços, como também na própria nominação desses espaços coletivos nos quais se percebe, metaforicamente, uma relação
animalesca e predatória entre os cabeça-de-gato (termo que alude à imagem do predador) e os carapicus (termo cujo valor semântico,
vinculado ao de cabeça-de-gato, atualiza a imagem de presa).
II - O final trágico de Bertoleza e o “diploma de sócio benemérito” dado a João Romão pela “comissão de abolicionistas” expressam as
dissimetrias sociais, de gênero, étnico-culturais, dentre outras, viabilizando os estratagemas naturalistas que apontavam para suas
personagens fortes, tornando improdutiva, em determinados momentos, a luta dos vencidos ou dos que procuravam sair da condição
de menor, de fraco.
III - No trecho “E, durante muito tempo, fez-se um vaivém de mercadores. Apareceram os tabuleiros de carne fresca e outros de tripas e fatos
de boi; só não vinham hortaliças, porque havia muitas hortas no cortiço” (cap. 3), percebe-se que o espaço do cortiço formava uma
espécie de mundo à parte e à margem da sociedade em que se assentava. Parecia independente, autônomo, inclusive em seus aspectos
econômicos.
A
as proposições I, II e III estão corretas
B
apenas I está correta
C
apenas II está correta
D
apenas III está correta
E
estão corretas apenas I e III
Gabarito comentado
V
Valentina MartinezMonitor com apoio de IA
Gabarito: C
Fundamento decisivo: O critério decisivo é verificar qual proposição corresponde ao funcionamento do Naturalismo em O Cortiço. A base exige tomar como compatível a leitura que parte do "final trágico de Bertoleza" e do "diploma de sócio benemérito" dado a João Romão, porque esse contraste sustenta a correção exclusiva da proposição II e afasta as alternativas que validam I e/ou III.
Tema central: Naturalismo em O Cortiço
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta porque depende da validade conjunta de I, II e III. A II se sustenta, mas I não tem base técnico-interpretativa segura para transformar a nomeação dos cortiços em eixo decisivo de leitura, e III erra ao afirmar que o cortiço seria autônomo e economicamente independente.
B
Errada
Incorreta porque toma I como única correta, mas a proposição I não se impõe tecnicamente. A leitura que fixa "cabeça-de-gato" como predador e "carapicus" como presa é uma extrapolação interpretativa frágil, e não substitui a proposição II, que é a compatível com a obra.
C
Certa
A alternativa C está correta porque a proposição II coincide com a leitura naturalista consolidada do romance. O desfecho de Bertoleza, contraposto à ascensão de João Romão, evidencia desigualdade estrutural e a lógica de exploração e dominação que marca a obra. Esse contraste confirma a crítica social presente no romance e sustenta a correção exclusiva da II.
D
Errada
Incorreta porque III exagera o sentido do trecho citado. A presença de mercadores, carne, tripas e hortas mostra vida interna do cortiço, mas não autoriza concluir que se trata de "mundo à parte", "à margem da sociedade" ou "economicamente independente".
E
Errada
Incorreta porque supõe corretas I e III, justamente as duas proposições rejeitadas pela base. I falha por depender de uma leitura metafórica da nomeação dos cortiços sem sustentação crítica segura, e III falha por confundir dinâmica interna com autonomia social e econômica plena.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões: tratar a sugestão metafórica dos nomes "cabeça-de-gato" e "carapicus" como leitura obrigatória e confundir a intensa vida interna do cortiço com autonomia social e econômica plena.
Dica para questões semelhantes
- Em O Cortiço, teste as afirmações pelo eixo naturalista central: determinismo, exploração, hierarquização e triunfo do agente socialmente forte.
- Quando a alternativa transformar detalhe lexical ou sugestão metafórica em chave interpretativa obrigatória, verifique se isso tem sustentação crítica segura na obra.
- Não confunda microcosmo social com espaço separado da sociedade: vida interna intensa não prova autonomia estrutural.
- No desfecho do romance, use o contraste Bertoleza/João Romão como critério forte para validar interpretações sobre desigualdade e crítica social.






