Questão b3f175d7-5f
Prova:UFAC 2008
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos
Quando a personagem pensa nas crianças e nos homens grandes com fome, há uma reversão de perspectiva de sentimentos em relação àquele universo que acaba lhe subindo uma náusea na garganta e a moral do Jardim Botânico se torna outra. Depois de uma série de novas percepções espantosas, ela termina com uma sentença terrível: “O jardim era tão bonito que ela teve medo do Inferno.” Desta maneira, fica estabelecido no fragmento que a personagem terá de:
Quando a personagem pensa nas crianças e nos homens grandes com fome, há uma reversão de perspectiva de sentimentos em relação àquele universo que acaba lhe subindo uma náusea na garganta e a moral do Jardim Botânico se torna outra. Depois de uma série de novas percepções espantosas, ela termina com uma sentença terrível: “O jardim era tão bonito que ela teve medo do Inferno.” Desta maneira, fica estabelecido no fragmento que a personagem terá de:
A
aprender a conviver com os sobressaltos da sua sensibilidade estética e emocional.
B
suprimir qualquer coisa que saia fora do seu cotidiano.
C
se afastar de naturezas selvagens para não dar espaço ao contraditório.
D
fugir de si mesma para poder se encontrar apenas no seu plácido ambiente doméstico.
E
aprender a fingir uma vida que lhe afaste o mais possível de tudo que lhe possa ser espantoso.
Gabarito comentado
E
Evandro MoreiraMonitor com apoio de IA
Gabarito: A
Fundamento decisivo: O critério decisivo é a inferência textual autorizada pela “reversão de perspectiva de sentimentos”, pelas “novas percepções espantosas” e pela frase “O jardim era tão bonito que ela teve medo do Inferno.” Esses elementos indicam mudança de percepção, espanto e conflito interior, de modo que a consequência compatível é aprender a conviver com essa sensibilidade estética e emocional desestabilizada.
Tema central: transformação interior
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A é a única compatível com a progressão emocional do fragmento. A personagem passa por “reversão de perspectiva de sentimentos”, sofre abalo em “acaba lhe subindo uma náusea na garganta”, vê que “a moral do Jardim Botânico se torna outra” e termina associando beleza e temor em “O jardim era tão bonito que ela teve medo do Inferno.” Isso sustenta a inferência de que ela não sai da experiência igual ao que era antes: terá de lidar com uma sensibilidade mais intensa, contraditória e suscetível a sobressaltos.
B
Errada
Está errada porque afirma supressão do que rompe o cotidiano, mas o texto mostra o contrário: a personagem é atingida por “novas percepções espantosas” e por uma “reversão de perspectiva de sentimentos”. O fragmento registra transformação interior e reinterpretação do mundo, não eliminação do que a desestabiliza.
C
Errada
Está errada por transformar um conflito interno em afastamento físico de “naturezas selvagens”. O texto não formula regra de conduta espacial nem fala em evitar ambientes naturais; o foco está em mudança perceptiva e moral diante do Jardim Botânico. Há extrapolação do cenário para uma conclusão não autorizada.
D
Errada
Está errada porque introduz fuga de si e recolhimento exclusivo ao ambiente doméstico, sentidos que não aparecem no fragmento. A passagem citada indica espanto, medo e reconfiguração subjetiva, mas não autoriza concluir que a solução da personagem será esconder-se “apenas no seu plácido ambiente doméstico”.
E
Errada
Está errada porque acrescenta a ideia de fingimento deliberado: “aprender a fingir uma vida”. O texto mostra experiência real de abalo e ampliação da consciência, não uma estratégia consciente de falseamento da vida para se afastar do espantoso. Essa conclusão excede a base textual.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre transformação interior e decisão prática de fuga. As alternativas erradas usam verbos absolutos como “suprimir”, “afastar”, “fugir” e “fingir”, mas o fragmento só autoriza inferir conflito subjetivo e necessidade de conviver com ele.
Dica para questões semelhantes
- Quando o texto destaca mudança de percepção, procure a alternativa que preserve essa transformação, sem converter isso automaticamente em fuga ou rejeição total.
- Desconfie de alternativas com soluções radicais se o fragmento mostra apenas abalo, espanto e conflito interior.
- Em interpretação inferencial, use os efeitos de sentido do trecho citado como limite: não acrescente ações, intenções ou estratégias que o texto não sustenta.






