A afirmação do primeiro parágrafo do texto pode ser exemplificada pela
Leia o texto para responder à questão.
No concernente à mão de obra, a economia colonial hispano-americana baseou-se em variadas formas de trabalho
compulsório. A escravidão indígena teve, no conjunto, escassa importância, salvo no “ensaio antilhano”, a inícios do século XVI,
e nas regiões de “índios bravos”, reduzidos à escravidão
quando aprisionados em guerra. A escravização dos rebeldes
(“guerra justa”) era, aliás, a única via de legitimação da escravidão indígena, pois desde cedo a Coroa e a Igreja trataram,
com relativo êxito, de combater tais práticas. Mas o sucesso
desta política deveu-se, em grande medida, à existência
de sistemas tributários pré-coloniais no México, na América
Central e nos Andes.
(Ronaldo Vainfas. Economia e sociedade na
América Espanhola, 1984. Adaptado.)
Gabarito comentado
Alternativa correta: E — encomienda
Tema central: formas de trabalho compulsório na América hispano-americana. A pergunta exige reconhecer qual instituição colonial vinculava diretamente os nativos a prestar tributos em gêneros ou trabalho aos colonizadores — ou seja, identificar a forma de exploração citada.
Resumo teórico e justificativa: A encomienda era uma concessão da Coroa espanhola a colonos: o encomendero recebia o direito de cobrar tributos e exigir trabalho dos indígenas de uma determinada comunidade, sob a justificativa de proteção e evangelização. Na prática, funcionou como forma de exploração e prestação de trabalho/tributo em gêneros ou serviços, exatamente como descreve o enunciado. (Ver: Ronaldo Vainfas, Economia e sociedade na América Espanhola; e as Leyes Nuevas de 1542, que tentaram regular/limitar abusos.)
Análise das alternativas incorretas e pegadinhas:
A — Dependência política/econômica das colônias em relação a manufaturas europeias: trata de comércio e indústria, não de formas de trabalho compulsório; descarta-se por assunto diferente.
B — Monopólio metropolitano/mercantilismo: também fala do regime comercial entre metrópole e colônia, não caracteriza um mecanismo de extração direta de mão de obra indígena.
C — Hacienda como unidade autossuficiente: a hacienda era grande propriedade agrária que usava trabalho servil/assalariado e, às vezes, trabalho compulsório, mas dificilmente foi totalmente isolada do mercado — além disso, a descrição “autossuficiente e isolada” é exagerada e não responde ao conceito de cobrança direta de tributo indígena em gêneros ou trabalho, que é a marca da encomienda.
D — Mita: sistema de recrutamento obrigatório de trabalho (especialmente nas minas andinas), ou seja, também era compulsório, mas não corresponde à afirmação sobre exigir “impostos em gêneros ou prestações de trabalho” de comunidades inteiras na forma da encomienda; além disso, a alternativa erra ao afirmar que a mita implicava “mão de obra especializada e assalariada” — a mita era trabalho forçado e mal pago, não assalariamento livre.
Estratégia para resolver enunciados assim: identifique palavras-chave (aqui: “trabalho compulsório”, “impostos em gêneros ou prestações de trabalho”) e lembre as definições básicas das instituições coloniais (encomienda = tributo/prestações; mita = recrutamento por turnos, principalmente para minas; hacienda = grande propriedade). Elimine alternativas que tratam de temas distintos (comércio, indústria).
Fontes sugeridas: Ronaldo Vainfas, Economia e sociedade na América Espanhola (1984); consulta às Leyes Nuevas (1542); estudos sobre a mita e o sistema andino (John Murra).
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