Argumento (Paulinho da Viola)
Tá legal
Eu aceito o argumento
Mas não me altere o samba tanto assim
Olha que a rapaziada está sentindo a falta
De um cavaco, de um pandeiro
Ou de um tamborim.
Sem preconceito
Ou mania de passado
Sem querer ficar do lado
De quem não quer navegar
Faça como um velho marinheiro
Que durante o nevoeiro
Leva o barco devagar.
No verso “Mas não me altere o samba tanto assim", o pronome “me" não exerce função sintática alguma. Segundo a gramática da língua portuguesa, trata-se de um recurso expressivo de que se serve a pessoa que fala para mostrar que está vivamente interessada no cumprimento da exortação feita. Constitui uso mais comum na linguagem coloquial.
Nas citações abaixo, todas extraídas de Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, esse recurso ocorre em:
Tá legal
Eu aceito o argumento
Mas não me altere o samba tanto assim
Olha que a rapaziada está sentindo a falta
De um cavaco, de um pandeiro
Ou de um tamborim.
Sem preconceito
Ou mania de passado
Sem querer ficar do lado
De quem não quer navegar
Faça como um velho marinheiro
Que durante o nevoeiro
Leva o barco devagar.
No verso “Mas não me altere o samba tanto assim", o pronome “me" não exerce função sintática alguma. Segundo a gramática da língua portuguesa, trata-se de um recurso expressivo de que se serve a pessoa que fala para mostrar que está vivamente interessada no cumprimento da exortação feita. Constitui uso mais comum na linguagem coloquial.
Nas citações abaixo, todas extraídas de Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, esse recurso ocorre em:
Gabarito comentado
Tema central da questão:
Esta questão aborda o uso expressivo dos pronomes oblíquos átonos, mais especificamente o emprego do pronome “me” como recurso estilístico na linguagem coloquial, sem exercer função sintática tradicional, mas transmitindo envolvimento pessoal do falante na ação.
Justificativa da alternativa correta (E):
A frase “Ânimo, Brás Cubas; não me sejas palerma.” apresenta o pronome “me” como elemento de enfase afetiva: não há função sintática (como objeto direto ou indireto), mas sim ênfase pessoal. O falante expressa seu interesse direto pela ação (“não me sejas palerma” ≈ “não seja palerma para mim”), recurso frequente na língua falada.
Segundo Evanildo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), esse uso caracteriza o dativo de interesse ou simpatético, em que o pronome reforça a ligação subjetiva entre quem fala e quem ouve.
Análise das alternativas incorretas:
- A) “perguntou-me aflita.” — O pronome “me” é objeto indireto do verbo “perguntar” (“perguntou a mim”), com função sintática de complemento verbal. Não é recurso de ênfase informal.
- B) “que me não levam a coisa nenhuma” — “Me” atua como objeto direto do verbo “levar”, indicando quem é levado. É complemento do verbo.
- C) “eu ia colocar-me numa situação difícil.” — Aqui, “me” faz parte do verbo pronominal “colocar-se”, indicando que o sujeito pratica a ação em si mesmo.
- D) “dissuadir-me de semelhante ideia.” — “Me” é objeto direto do verbo “dissuadir”, indicando quem seria dissuadido.
Nas alternativas de A a D, o pronome sempre exerce função sintática tradicional, ao contrário do uso expressivo e coloquial exigido pelo enunciado.
Dica para provas:
Preste atenção no sentido de ênfase afetiva ou “simpatética” conferido ao pronome. Geralmente, aparece em frases imperativas ou de exortação, indicando envolvimento ou apelo emocional do falante (“Não me faça isso!”), e não desempenha papel de objeto ou complemento.
Resumo normativo:
O emprego do pronome “me” como dativo de interesse encontra amparo na gramática de Bechara e reforça o envolvimento do falante, sendo mais frequente na oralidade.
Gabarito: E
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