Questão aaf16249-5f
Prova:UFAC 2008
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos
Quando o narrador descreve as percepções da personagem e seqüencia três sentenças conclusivas de um estado de espírito (A crueza do mundo era tranqüila. O assassinato era profundo. E a morte não era o que pensávamos), o verbo “ser” funciona como:
Quando o narrador descreve as percepções da personagem e seqüencia três sentenças conclusivas de um estado de espírito (A crueza do mundo era tranqüila. O assassinato era profundo. E a morte não era o que pensávamos), o verbo “ser” funciona como:
A
uma valorização da morte dentro dos padrões habituais.
B
um modo de percepção privilegiada do circuito natural dos fenômenos.
C
um modo de conclusão falida e frustrante em relação ao sentido da vida.
D
uma natural condição de não se aceitar o fim das coisas.
E
uma impressão equivocada quanto ao sentido prático dos fenômenos.
Gabarito comentado
Y
Yago Fernandes Monitor com apoio de IA
Gabarito: B
Fundamento decisivo: No trecho "A crueza do mundo era tranqüila. O assassinato era profundo. E a morte não era o que pensávamos", o verbo "ser" funciona como operador de enunciação conclusiva, com valor de definição/apreensão essencial dos fenômenos, e isso sustenta a leitura de uma percepção privilegiada da realidade pela personagem.
Tema central: valor semântico-discursivo do verbo ser
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque o trecho não valoriza a morte dentro de padrões habituais. O ponto decisivo é justamente a ruptura com a percepção comum em "a morte não era o que pensávamos", o que exclui leitura de valoração convencional ou habitual.
B
Certa
A alternativa B está correta porque as três sentenças não descrevem ação nem exprimem julgamento moral imediato: elas condensam uma compreensão intensificada da realidade. O verbo "ser" fixa o que os fenômenos passam a significar para a personagem, em especial porque "a morte não era o que pensávamos" marca revisão do entendimento habitual. Isso sustenta a ideia de apreensão privilegiada e mais profunda dos fenômenos da existência.
C
Errada
Está errada porque não há sinal de conclusão falida nem de frustração quanto ao sentido da vida. As sentenças têm tom assertivo e conclusivo, funcionando como revelação perceptiva, não como expressão de fracasso existencial.
D
Errada
Está errada porque o trecho não mostra recusa do fim das coisas. Ao contrário, há reconsideração cognitiva da morte: "não era o que pensávamos" indica revisão de entendimento, não negação afetiva ou incapacidade de aceitar o fim.
E
Errada
Está errada porque a percepção apresentada não é equivocada; ela corrige o olhar anterior, em vez de errar sobre os fenômenos. Além disso, o trecho não trata de "sentido prático", mas de significado mais profundo de mundo, assassinato e morte.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre classificar "ser" apenas como verbo de ligação e perceber sua função semântico-discursiva no contexto: aqui ele não liga termos de modo neutro, mas cristaliza uma redefinição perceptiva da realidade.
Dica para questões semelhantes
- Quando a questão perguntar a função de um verbo no texto, observe primeiro o efeito de sentido no contexto, não só a classificação gramatical.
- Se houver contraste com a percepção comum, como em "não era o que pensávamos", verifique se o texto está corrigindo um olhar anterior.
- Em enunciados conclusivos com "ser", teste se o verbo está definindo essencialmente o fenômeno, e não julgando moralmente ou relatando ação.






