Assinale a alternativa que apresenta uma relação de
subordinação entre as orações do período.
Leia o trecho do texto Queda que as mulheres têm para os tolos, de Machado de Assis, para responder à questão.
O homem de espírito é o menos hábil para escrever a uma mulher. Quando se arrisca a escrever uma carta, sente dificuldades incríveis. Desprezando o vasconço da galanteria, não sabe como se há de fazer entender. Quer ser reservado e parece frio; quer dizer o que espera e indica receio; confessa que nada tem para agradar, e é apanhado pela palavra. Comete o crime de não ser comum ou vulgar. As suas cartas saem do coração e não da cabeça; têm o estilo simples, claro e límpido, contendo apenas alguns detalhes tocantes. Mas é exatamente o que faz com que elas não sejam lidas, nem compreendidas. São cartas decentes, quando as pedem estúpidas. O tolo é fortíssimo em correspondência amorosa, e tem consciência disso. Longe de recuar diante da remessa de uma carta, é muitas vezes por aí que ele começa. Tem uma coleção de cartas prontas para todos os graus de paixão. Alega nelas em linguagem brusca o ardor de sua chama; a cada palavra repete: meu anjo, eu vos adoro. As suas fórmulas são enfáticas e chatas; nada que indique uma personalidade. Não faz suspeitar excentricidade ou poesia; é quanto basta; é medíocre e ridículo, tanto melhor. Efetivamente o estranho que ler as suas missivas nada tem a dizer; na mocidade o pai da menina escrevia assim; a própria menina não esperava outra coisa. Todos estão satisfeitos, até os amigos. Que querem mais?<http://tinyurl.com/js7dblq> Acesso em: 02.02.2016
Gabarito comentado
Tema central: A questão aborda o reconhecimento de relações sintáticas entre orações, especialmente a subordinação, elemento fundamental da sintaxe normativa.
Justificativa da alternativa correta (A):
No período “Quando se arrisca a escrever uma carta, sente dificuldades incríveis.” temos duas orações: uma principal (“sente dificuldades incríveis”) e uma oração subordinada adverbial temporal (“Quando se arrisca a escrever uma carta”), introduzida pelo conectivo temporal quando. Segundo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa, p. 510), orações subordinadas adverbiais agregam circunstâncias (tempo, causa, condição) à principal, sendo dependentes sintaticamente dela. Aqui, a subordinada indica em que momento a principal se realiza – trata-se portanto de subordinação clara e direta.
Análise das alternativas incorretas:
B) “Quer ser reservado e parece frio; (...)” — Duas orações conectadas por e, formando oração coordenada sindética aditiva. Não há subordinação; ambas são independentes.
C) “Comete o crime de não ser comum ou vulgar.” — Apesar de “de não ser comum ou vulgar” completar o sentido de “crime”, trata-se de oração subordinada substantiva completiva nominal, não adverbial. O enunciado exige subordinação com valor adverbial (tempo, causa, etc).
D) “As suas cartas saem do coração e não da cabeça; (...)” — Estrutura coordenativa (“e não”), sem relação de dependência sintática. Ambas são indepedentes.
E) “O tolo é fortíssimo... e tem consciência disso.” — Outra estrutura de orações coordenadas sindéticas aditivas ligadas por “e”.
Dica de prova: Para identificar subordinação, busque conjunções subordinativas (quando, porque, se, embora); orações coordenadas costumam ser ligadas por “e”, “mas”, “ou”, ou simplesmente por vírgulas.
Referência: Bechara, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa; Cunha & Cintra. Nova Gramática do Português Contemporâneo.
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