Questão a5c6cd67-e0
Prova:Fadba 2013
Disciplina:Português
Assunto:Termos essenciais da oração: Sujeito e Predicado, Sintaxe
Em: "É verdade que a vagem comum, crua ou ensopada, será sempre com
"v", enquanto o filho de "Seu" Wagner herdara o "w" do pai", o sujeito da forma verbal " "É" pode ser classificado como:
Em: "É verdade que a vagem comum, crua ou ensopada, será sempre com
"v", enquanto o filho de "Seu" Wagner herdara o "w" do pai", o sujeito da forma verbal " "É" pode ser classificado como:
História de um nome
No capítulo dos nomes difíceis têm acontecido coisas das mais pitorescas. Ou é um
camarada chamado Mimoso, que tem físico de mastodonte, ou é um sujeito fraquinho e
insignificante chamado Hércules. Os nomes difíceis, principalmente os nomes tirados
de adjetivos condizentes com seus portadores, são raríssimos, e é por isso que minha
avó a paterna - dizia:
- Gente honesta, se for homem deve ser José, se for mulher, deve ser Maria!
É verdade que Vovó não tinha nada contra os joões, paulos, mários, odetes e - vá lá -
fidélis. A sua implicância era, sobretudo, com nomes inventados, comemorativos de um
acontecimento qualquer, como era o caso, muito citado por ela, de uma tal Dona
Holofotina, batizada no dia em que inauguraram a luz elétrica na rua em que a família
morava.
Acrescente-se também que Vovó não mantinha relações com pessoas de nomes tirados
metade da mãe e metade do pai. Jamais perdoou a um velho amigo seu - o "Seu"
Wagner - porque se casara com uma senhora chamada Emília, muito respeitável, aliás,
mas que tivera o mau-gosto de convencer o marido de batizar o primeiro filho com o
nome leguminoso de Wagem - "wag" de Wagner e "em" de Emília. É verdade que a
vagem comum, crua ou ensopada, será sempre com "v", enquanto o filho de "Seu"
Wagner herdara o "w" do pai.
Mas isso não tinha nenhuma importância: a consoante
não era um detalhe bastante forte para impedir o risinho gozador de todos aqueles que
eram apresentados ao menino Wagem.
Mas deixemos de lado as birras de minha avó - velhinha que Deus tenha, em Sua santa
glória - e passemos ao estranho caso da família Veiga, que morava pertinho de nossa
casa, em tempos idos.
"Seu" Veiga, amante de boa leitura e cuja cachaça era colecionar livros, embora
colecionasse também filhos, talvez com a mesma paixão, levou sua mania ao extremo
de batizar os rebentos com nomes que tivessem relação com livros. Assim, o mais velho
chamou-se Prefácio da Veiga; o segundo, Prólogo; o terceiro, Índice e, sucessivamente,
foram nascendo o Tomo, o Capítulo e, por fim, Epílogo da Veiga, caçula do casal.
Lembro-me bem dos filhos de "Seu" Veiga, todos excelentes rapazes, principalmente o
Capítulo, sujeito prendado na confecção de balões e papagaios. Até hoje (é verdade que
não me tenho dedicado muito na busca) não encontrei ninguém que fizesse um papagaio
tão bem quanto Capítulo. Nem balões. Tomo era um bom extrema-direita e Prefácio
pegou o vício do pai - vivia comprando livros. Era, aliás, o filho querido de "Seu"
Veiga, pai extremoso, que não admitia piadas. Não tinha o menor senso de humor. Certa
vez ficou mesmo de relações estremecidas com meu pai, por causa de uma brincadeira.
"Seu" Veiga ia passando pela nossa porta, levando a família para o banho de mar. Iam
todos armados de barracas de praia, toalhas etc. Papai estava na janela e, ao saudá-lo,
fez a graça:
- Vai levar a biblioteca para o banho? "Seu" Veiga ficou queimado durante muito
tempo.
Dona Odete - por alcunha "A Estante" - mãe dos meninos, sofria o desgosto de ter
tantos filhos homens e não ter uma menina "para me fazer companhia" - como
costumava dizer. Acreditava, inclusive, que aquilo era castigo de Deus, por causa da
ideia do marido de botar aqueles nomes nos garotos. Por isso, fez uma promessa: se
ainda tivesse uma menina, havia de chamá-la Maria.
As esperanças já estavam quase perdidas. Epílogozinho já tinha oito anos, quando a
vontade de Dona Odete tornou-se uma bela realidade, pesando cinco quilos e mamando
uma enormidade. Os vizinhos comentaram que "Seu" Veiga não gostou, ainda que se
conformasse, com a vinda de mais um herdeiro, só porque já lhe faltavam palavras
relacionadas a livros para denominar a criança.
Só meses depois, na hora do batizado, o pai foi informado da antiga promessa. Ficou
furioso com a mulher, esbravejou, bufou, mas - bom católico - acabou concordando em
parte. E assim, em vez de receber somente o nome suave de Maria, a garotinha foi
registrada, no livro da paróquia, após a cerimônia batismal, como Errata Maria da
Veiga.
Estava cumprida a promessa de Dona Odete, estava de pé a mania de "Seu" Veiga.
(disponível em http://www.releituras.com/spontepreta_nome.asp acesso em 30/08/2012).
História de um nome
No capítulo dos nomes difíceis têm acontecido coisas das mais pitorescas. Ou é um
camarada chamado Mimoso, que tem físico de mastodonte, ou é um sujeito fraquinho e
insignificante chamado Hércules. Os nomes difíceis, principalmente os nomes tirados
de adjetivos condizentes com seus portadores, são raríssimos, e é por isso que minha
avó a paterna - dizia:
- Gente honesta, se for homem deve ser José, se for mulher, deve ser Maria!
É verdade que Vovó não tinha nada contra os joões, paulos, mários, odetes e - vá lá -
fidélis. A sua implicância era, sobretudo, com nomes inventados, comemorativos de um
acontecimento qualquer, como era o caso, muito citado por ela, de uma tal Dona
Holofotina, batizada no dia em que inauguraram a luz elétrica na rua em que a família
morava.
Acrescente-se também que Vovó não mantinha relações com pessoas de nomes tirados
metade da mãe e metade do pai. Jamais perdoou a um velho amigo seu - o "Seu"
Wagner - porque se casara com uma senhora chamada Emília, muito respeitável, aliás,
mas que tivera o mau-gosto de convencer o marido de batizar o primeiro filho com o
nome leguminoso de Wagem - "wag" de Wagner e "em" de Emília. É verdade que a
vagem comum, crua ou ensopada, será sempre com "v", enquanto o filho de "Seu"
Wagner herdara o "w" do pai.
Mas isso não tinha nenhuma importância: a consoante
não era um detalhe bastante forte para impedir o risinho gozador de todos aqueles que
eram apresentados ao menino Wagem.
Mas deixemos de lado as birras de minha avó - velhinha que Deus tenha, em Sua santa
glória - e passemos ao estranho caso da família Veiga, que morava pertinho de nossa
casa, em tempos idos.
"Seu" Veiga, amante de boa leitura e cuja cachaça era colecionar livros, embora
colecionasse também filhos, talvez com a mesma paixão, levou sua mania ao extremo
de batizar os rebentos com nomes que tivessem relação com livros. Assim, o mais velho
chamou-se Prefácio da Veiga; o segundo, Prólogo; o terceiro, Índice e, sucessivamente,
foram nascendo o Tomo, o Capítulo e, por fim, Epílogo da Veiga, caçula do casal.
Lembro-me bem dos filhos de "Seu" Veiga, todos excelentes rapazes, principalmente o
Capítulo, sujeito prendado na confecção de balões e papagaios. Até hoje (é verdade que
não me tenho dedicado muito na busca) não encontrei ninguém que fizesse um papagaio
tão bem quanto Capítulo. Nem balões. Tomo era um bom extrema-direita e Prefácio
pegou o vício do pai - vivia comprando livros. Era, aliás, o filho querido de "Seu"
Veiga, pai extremoso, que não admitia piadas. Não tinha o menor senso de humor. Certa
vez ficou mesmo de relações estremecidas com meu pai, por causa de uma brincadeira.
"Seu" Veiga ia passando pela nossa porta, levando a família para o banho de mar. Iam
todos armados de barracas de praia, toalhas etc. Papai estava na janela e, ao saudá-lo,
fez a graça:
- Vai levar a biblioteca para o banho? "Seu" Veiga ficou queimado durante muito
tempo.
Dona Odete - por alcunha "A Estante" - mãe dos meninos, sofria o desgosto de ter
tantos filhos homens e não ter uma menina "para me fazer companhia" - como
costumava dizer. Acreditava, inclusive, que aquilo era castigo de Deus, por causa da
ideia do marido de botar aqueles nomes nos garotos. Por isso, fez uma promessa: se
ainda tivesse uma menina, havia de chamá-la Maria.
As esperanças já estavam quase perdidas. Epílogozinho já tinha oito anos, quando a
vontade de Dona Odete tornou-se uma bela realidade, pesando cinco quilos e mamando
uma enormidade. Os vizinhos comentaram que "Seu" Veiga não gostou, ainda que se
conformasse, com a vinda de mais um herdeiro, só porque já lhe faltavam palavras
relacionadas a livros para denominar a criança.
Só meses depois, na hora do batizado, o pai foi informado da antiga promessa. Ficou
furioso com a mulher, esbravejou, bufou, mas - bom católico - acabou concordando em
parte. E assim, em vez de receber somente o nome suave de Maria, a garotinha foi
registrada, no livro da paróquia, após a cerimônia batismal, como Errata Maria da
Veiga.
Estava cumprida a promessa de Dona Odete, estava de pé a mania de "Seu" Veiga.
(disponível em http://www.releituras.com/spontepreta_nome.asp acesso em 30/08/2012).
A
Sujeito simples.
B
Sujeito composto.
C
Sujeito oculto.
D
Sujeito indeterminado.
E
Sujeito oracional.
Gabarito comentado
C
Camila OliveiraMonitor com apoio de IA
Gabarito: E
Fundamento decisivo: No trecho "É verdade que a vagem comum, crua ou ensopada, será sempre com "v"", a forma verbal "É" integra uma estrutura em que a oração introduzida por "que" exerce a função de sujeito da oração principal; por isso, a classificação correta é sujeito oracional.
Tema central: sujeito oracional
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque não há sujeito simples expresso ligado diretamente ao verbo "É". O termo "verdade" não é sujeito; na construção "É verdade que...", ele atua como predicativo da oração principal.
B
Errada
Está errada porque sujeito composto exige dois núcleos nominais exercendo juntos a função de sujeito, e essa estrutura não aparece aqui. A existência de mais de uma oração no período não cria sujeito composto.
C
Errada
Está errada porque sujeito oculto pressupõe um sujeito elíptico recuperável pela desinência verbal ou pelo contexto, o que não ocorre. O sujeito de "É" está expresso sintaticamente na oração introduzida por "que".
D
Errada
Está errada porque não há indeterminação do sujeito. O conteúdo que exerce a função de sujeito está determinado de modo claro: "que a vagem comum, crua ou ensopada, será sempre com 'v'".
E
Certa
A alternativa E está correta porque a forma verbal "É" aparece na estrutura "É verdade que...", em que a oração subordinada introduzida por "que" — "que a vagem comum, crua ou ensopada, será sempre com 'v'" — funciona como sujeito da oração principal. O núcleo do sujeito, portanto, não é um substantivo expresso, mas uma oração inteira. Além disso, é preciso separar o sujeito de "É" do sujeito interno da subordinada: dentro de "será sempre com 'v'", o sujeito é "a vagem comum, crua ou ensopada", mas essa não é a função pedida na questão.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: tomar "verdade" como sujeito de "É" e responder com base no sujeito de "será" — "a vagem comum, crua ou ensopada" — em vez de identificar o sujeito da oração principal.
Dica para questões semelhantes
- Em estruturas como "É bom que...", "É necessário que..." e "É verdade que...", verifique se a oração introduzida por "que" está funcionando como sujeito do verbo principal.
- Separe o sujeito da oração principal do sujeito que aparece dentro da subordinada; a pergunta pode recair sobre um deles especificamente.
- Não classifique como sujeito simples um nome que, na estrutura, atua como predicativo, como ocorre com "verdade" em "É verdade que...".






