Questão a5c4052c-e0
Prova:Fadba 2013
Disciplina:Português
Assunto:Análise sintática, Sintaxe

No período: ―Mas deixemos de lado as birras de minha avó [...] e passemos ao estranho caso da família Veiga, que morava pertinho de nossa casa, em tempos idos‖, os termos em destaque podem ser classificados SINTÁTICA e respectivamente como:

História de um nome


No capítulo dos nomes difíceis têm acontecido coisas das mais pitorescas. Ou é um camarada chamado Mimoso, que tem físico de mastodonte, ou é um sujeito fraquinho e insignificante chamado Hércules. Os nomes difíceis, principalmente os nomes tirados de adjetivos condizentes com seus portadores, são raríssimos, e é por isso que minha avó a paterna - dizia:

- Gente honesta, se for homem deve ser José, se for mulher, deve ser Maria!

É verdade que Vovó não tinha nada contra os joões, paulos, mários, odetes e - vá lá - fidélis. A sua implicância era, sobretudo, com nomes inventados, comemorativos de um acontecimento qualquer, como era o caso, muito citado por ela, de uma tal Dona Holofotina, batizada no dia em que inauguraram a luz elétrica na rua em que a família morava.

Acrescente-se também que Vovó não mantinha relações com pessoas de nomes tirados metade da mãe e metade do pai. Jamais perdoou a um velho amigo seu - o "Seu" Wagner - porque se casara com uma senhora chamada Emília, muito respeitável, aliás, mas que tivera o mau-gosto de convencer o marido de batizar o primeiro filho com o nome leguminoso de Wagem - "wag" de Wagner e "em" de Emília. É verdade que a vagem comum, crua ou ensopada, será sempre com "v", enquanto o filho de "Seu" Wagner herdara o "w" do pai.

Mas isso não tinha nenhuma importância: a consoante não era um detalhe bastante forte para impedir o risinho gozador de todos aqueles que eram apresentados ao menino Wagem. Mas deixemos de lado as birras de minha avó - velhinha que Deus tenha, em Sua santa glória - e passemos ao estranho caso da família Veiga, que morava pertinho de nossa casa, em tempos idos.

"Seu" Veiga, amante de boa leitura e cuja cachaça era colecionar livros, embora colecionasse também filhos, talvez com a mesma paixão, levou sua mania ao extremo de batizar os rebentos com nomes que tivessem relação com livros. Assim, o mais velho chamou-se Prefácio da Veiga; o segundo, Prólogo; o terceiro, Índice e, sucessivamente, foram nascendo o Tomo, o Capítulo e, por fim, Epílogo da Veiga, caçula do casal.

Lembro-me bem dos filhos de "Seu" Veiga, todos excelentes rapazes, principalmente o Capítulo, sujeito prendado na confecção de balões e papagaios. Até hoje (é verdade que não me tenho dedicado muito na busca) não encontrei ninguém que fizesse um papagaio tão bem quanto Capítulo. Nem balões. Tomo era um bom extrema-direita e Prefácio pegou o vício do pai - vivia comprando livros. Era, aliás, o filho querido de "Seu" Veiga, pai extremoso, que não admitia piadas. Não tinha o menor senso de humor. Certa vez ficou mesmo de relações estremecidas com meu pai, por causa de uma brincadeira. "Seu" Veiga ia passando pela nossa porta, levando a família para o banho de mar. Iam todos armados de barracas de praia, toalhas etc. Papai estava na janela e, ao saudá-lo, fez a graça:

- Vai levar a biblioteca para o banho? "Seu" Veiga ficou queimado durante muito tempo. 

Dona Odete - por alcunha "A Estante" - mãe dos meninos, sofria o desgosto de ter tantos filhos homens e não ter uma menina "para me fazer companhia" - como costumava dizer. Acreditava, inclusive, que aquilo era castigo de Deus, por causa da ideia do marido de botar aqueles nomes nos garotos. Por isso, fez uma promessa: se ainda tivesse uma menina, havia de chamá-la Maria. 

As esperanças já estavam quase perdidas. Epílogozinho já tinha oito anos, quando a vontade de Dona Odete tornou-se uma bela realidade, pesando cinco quilos e mamando uma enormidade. Os vizinhos comentaram que "Seu" Veiga não gostou, ainda que se conformasse, com a vinda de mais um herdeiro, só porque já lhe faltavam palavras relacionadas a livros para denominar a criança.

Só meses depois, na hora do batizado, o pai foi informado da antiga promessa. Ficou furioso com a mulher, esbravejou, bufou, mas - bom católico - acabou concordando em parte. E assim, em vez de receber somente o nome suave de Maria, a garotinha foi registrada, no livro da paróquia, após a cerimônia batismal, como Errata Maria da Veiga.
Estava cumprida a promessa de Dona Odete, estava de pé a mania de "Seu" Veiga.
(disponível em http://www.releituras.com/spontepreta_nome.asp acesso em 30/08/2012). 

A
Adjunto adverbial, objeto direto, adjunto adnominal.
B
Adjunto adnominal, sujeito, adjunto adverbial.
C
Adjunto adnominal, objeto direto, adjunto adverbial.
D
Adjunto adverbial, sujeito, adjunto adnominal.
E
Adjunto adverbial, adjunto adnominal, objeto indireto.

Gabarito comentado

D
Daniel AzevedoMonitor com apoio de IA

Gabarito: B

Fundamento decisivo: "de minha avó" funciona como adjunto adnominal de "birras"; "que" é sujeito de "morava" na oração relativa; e "em tempos idos" é adjunto adverbial de tempo. Essa leitura mantém o gabarito B, embora o enunciado transcrito apresente imprecisão material na marcação do segundo destaque.

Tema central: Classificação sintática
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa erra os três pontos relevantes. "De minha avó" não é adjunto adverbial, porque não exprime circunstância do verbo; liga-se ao nome "birras". O relativo "que" não é objeto direto, pois em "que morava" ele é o sujeito do verbo "morava". E "em tempos idos" não é adjunto adnominal, porque não caracteriza um nome; marca tempo da ação de morar, logo é adjunto adverbial.
B
Certa
A alternativa B corresponde à leitura sintática sustentada pelo período. Em "as birras de minha avó", o termo preposicionado liga-se ao substantivo "birras", especificando-o, portanto é adjunto adnominal. Na oração "que morava pertinho de nossa casa", o relativo "que" não é mero conectivo: ele ocupa a posição de sujeito de "morava", pois equivale a "a família Veiga morava...". Já "em tempos idos" situa temporalmente esse morar, funcionando como adjunto adverbial de tempo. A base registra, contudo, uma imprecisão material na transcrição do enunciado, porque o destaque visível do segundo termo não coincide com o elemento que permite sustentar o gabarito oficial.
C
Errada
A alternativa acerta o primeiro e o terceiro termos, mas erra o segundo. Em "que morava pertinho de nossa casa", o relativo "que" exerce função de sujeito, retomando "a família Veiga". Não pode ser objeto direto nesse trecho.
D
Errada
A alternativa erra o primeiro e o terceiro termos. "De minha avó" não exprime circunstância verbal; determina o substantivo "birras", por isso é adjunto adnominal. "Em tempos idos" também não se liga a nome algum para caracterizá-lo; situa no tempo o verbo "morava", sendo adjunto adverbial.
E
Errada
A alternativa está incompatível com a estrutura do período. "De minha avó" não é adjunto adverbial, mas adjunto adnominal de "birras". O termo intermediário, para sustentar o gabarito oficial, é o relativo "que", cuja função é de sujeito de "morava", não de adjunto adnominal. "Em tempos idos" não é objeto indireto, porque não é complemento exigido pelo verbo; trata-se de circunstância temporal.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: tratar todo termo preposicionado como adjunto adverbial ou complemento e esquecer que o pronome relativo "que" exerce função sintática dentro da oração. Além disso, a transcrição do enunciado tem falha de marcação: o gabarito B só se sustenta se o segundo termo for "que".
Dica para questões semelhantes
  • Antes de classificar termo preposicionado, verifique se ele se liga a um nome ou ao verbo; em "birras de minha avó", a ligação é com o substantivo.
  • Em oração com pronome relativo, descubra a função do relativo dentro da oração; em "que morava", basta reconstruir: "a família Veiga morava".
  • Expressões como "em tempos idos" devem ser testadas pelo valor circunstancial: se indicam tempo, lugar, modo etc., tendem a ser adjuntos adverbiais.
  • Se o enunciado parecer mal diagramado, confira qual elemento precisa estar sendo classificado para que o gabarito oficial tenha sustentação sintática.

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