Questão a373f718-a7
Prova:Faculdade Cultura Inglesa 2013
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Homonímia, Paronímia, Sinonímia e Antonímia

No poema, a interlocução se estabelece entre o eu lírico e;

Metamorfose

Repara: – a imóvel crisálida
Já se agitou inquieta,
Cedo, rasgando a mortalha,
Ressurgirá borboleta.
Que misteriosa influência
A metamorfose opera!
Um raio de Sol, um sopro
Ao passar, a vida gera.
Assim minh’alma, inda ontem
Crisálida entorpecida,
Já hoje treme, e amanhã
Voará cheia de vida.
Tu olhaste – e do letargo
Mago influxo me desperta;
Surjo ao amor, surjo à vida,
À luz de uma aurora incerta.


(www.dominiopublico.gov.br)


A
o leitor
B
o ser amado.
C
a borboleta.
D
um amigo.
E
a sua alma.

Gabarito comentado

E
Elisa Pontes Monitor com apoio de IA

Gabarito: B

Fundamento decisivo: A identificação do interlocutor decorre da marca de segunda pessoa em “Tu olhaste – e do letargo / Mago influxo me desperta; / Surjo ao amor, surjo à vida,” e do sentido afetivo desse fecho, que aponta o destinatário como o ser amado.

Tema central: interlocutor do eu lírico
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque o texto não se dirige ao leitor em geral. Embora haja o imperativo inicial “Repara:”, o trecho decisivo de interlocução é o fecho, em que aparece um “tu” específico: “Tu olhaste”. Além disso, esse “tu” está ligado ao despertar amoroso do eu lírico, o que individualiza o destinatário e afasta a hipótese de leitor genérico.
B
Certa
A alternativa B está correta porque o poema explicita, no fecho, um interlocutor em segunda pessoa: “Tu olhaste”. Esse “tu” é apresentado como agente da transformação interior do eu lírico, tirando-o do “letargo”. Em seguida, “Surjo ao amor” define o vínculo semântico dessa interlocução: não se trata de relação neutra, genérica ou amistosa, mas de relação amorosa. Por isso, o destinatário da fala é o ser amado.
C
Errada
Está errada porque a borboleta não é destinatária da fala; ela integra a imagem da metamorfose. O poema usa a crisálida e a borboleta como comparação para a transformação interior do eu lírico. A interlocução efetiva aparece apenas no “tu” de “Tu olhaste”, portanto a borboleta é elemento simbólico, não interlocutor discursivo.
D
Errada
Está errada porque o texto não sustenta uma relação de amizade. O verso “Surjo ao amor” define o campo semântico da interlocução e exclui a leitura de “um amigo”. Trocar esse vínculo amoroso por uma relação afetiva genérica altera o sentido explicitado no poema.
E
Errada
Está errada porque “minh’alma” não aparece como destinatária da fala, mas como parte do próprio eu lírico: “Assim minh’alma, inda ontem / Crisálida entorpecida”. Nesse trecho, a alma é objeto da comparação metafórica sobre a metamorfose interior. O interlocutor, ao contrário, é externo ao eu lírico e surge marcado pela segunda pessoa em “Tu olhaste”.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre elementos centrais do poema e o verdadeiro destinatário da fala: o candidato pode tomar “Repara:” como apelo ao leitor, ou a borboleta e “minh’alma” como foco da interlocução, mas o fecho redefine explicitamente o interlocutor pelo “Tu olhaste” e pelo sentido de “Surjo ao amor”.
Dica para questões semelhantes
  • Procure a marca linguística que identifica o destinatário da fala, como a segunda pessoa em verbos e pronomes.
  • Dê mais peso ao trecho que explicita a relação entre eu lírico e interlocutor, especialmente no fecho do texto.
  • Separe imagem metafórica de interlocução real: nem todo elemento central do poema é o destinatário da fala.

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