O conceito de “gênero” nas Ciências Sociais é
tratado não como uma característica natural
biológica inerente a todos os seres humanos, mas
como algo que se constrói em meio a processos
psicológicos, socioculturais e históricos. Parte dos
cientistas sociais demonstram que o conceito de
“gênero” é cultural e pode ser diferenciado do
conceito biológico de “sexo” (macho/fêmea), pois
este último seria definido a partir dos diferentes
caracteres genéticos e anatômicos do corpo
humano. O “gênero” diferente do “sexo” seria,
assim, uma categoria sociocultural e não natural já
que depende de cada cultura a definição dos
comportamentos e maneiras de ser que diferenciam
o “masculino” do “feminino”. Contudo, Giddens e
Sutton (2016) apontam que para alguns cientistas
sociais tanto o “gênero” como o “sexo” são
concepções construídas socialmente e
culturalmente, uma vez que o corpo está sujeito a
intervenções que o influenciam e o alteram.
GIDDENS, Anthony e SUTTON, Philip W. Conceitos
essenciais da Sociologia. 1ª ed. São Paulo:
Editora Unesp, 2016.
Considerando essa compreensão das Ciências Sociais
sobre os conceitos de “gênero” e de “sexo”, assinale
a afirmação verdadeira.
Gabarito comentado
Tema central: compreensão de “gênero” como categoria sociocultural distinta do “sexo” biológico — e a existência de debates sobre a construção social também do corpo/sexo.
Resumo teórico: Nas Ciências Sociais, sexo refere-se às características biológicas (genitália, cromossomos, hormônios) e gênero é uma categoria sociocultural: normas, papéis, identidades e expectativas variam conforme a cultura e a história. Autores como Giddens & Sutton (2016) observam que há correntes que também consideram o corpo/sexo sujeito a construções sociais (por exemplo, por meio de intervenções médicas ou discursos), mas isso não anula a distinção conceitual entre sexo (biológico) e gênero (sociocultural).
Justificativa da alternativa A: A alternativa A afirma que cultura e processos psicológicos moldam a identidade de gênero — exatamente a compreensão sociológica dominante: a identidade de gênero é fruto de socialização, normas culturais e experiências pessoais. Essa opção está alinhada com a literatura clássica e contemporânea (Giddens & Sutton, 2016; ONU/ONU Mulheres sobre gênero).
Por que as outras alternativas estão erradas:
B — Incorreta: diz que todos os cientistas sociais veem gênero e sexo como distintos. É falso porque há debate: alguns autores defendem que ambos são socialmente construídos (isto é mencionado no enunciado via Giddens & Sutton). A palavra “todos” torna a frase demasiadamente absoluta e, portanto, incorreta.
C — Incorreta: apresenta as características anatômicas/fisiológicas entre os sexos como critério principal de definição de “gênero”. Confunde sexo (biológico) com gênero (sócio-cultural) — inversão conceitual.
D — Incorreta: afirma que “para todos os cientistas sociais” cirurgias mostram que ambos os conceitos são moldados pela cultura. Além de usar “todos”, generaliza indevidamente. Embora cirurgias e tecnologias médicas ilustrem como o corpo pode ser intervencionado, isso não implica consenso absoluto entre cientistas sociais sobre identificação de sexo e gênero.
Estratégia de prova: Desconfie de termos absolutos (“para todos”, “sempre”). Identifique se a alternativa preserva a distinção teórica entre sexo (biológico) e gênero (sociocultural). Procure referências citadas no enunciado para confirmar nuances do debate (p.ex., Giddens & Sutton).
Fonte principal indicada: Giddens, A. & Sutton, P. W. (2016). Conceitos essenciais da Sociologia. Para apoio institucional: publicações da ONU/ONU Mulheres sobre gênero.
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