O sociólogo polonês Zygmunt Bauman, em
sua obra sobre a fragilidade dos vínculos humanos
nas sociedades contemporâneas, usa expressões
como “modernidade líquida” e “amor líquido”. Nessa
perspectiva, estaríamos vivendo um momento
sociocultural e histórico de maior individualização,
onde as pessoas buscam mais liberdade individual e
estão menos desejosas de procurar a segurança
proporcionada pelos vínculos familiares, dos grupos
comunitários, das classes sociais, dos
relacionamentos amorosos duradouros. A
necessidade de pertencimento a grupos religiosos e
o cultivo das tradições, como o casamento
monogâmico, por exemplo, estariam se liquefazendo
diante da imperiosa vontade desse novo indivíduo
sem vínculos sólidos e orientado pela fluidez
constante das instituições e relações humanas.
BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida.
Rio de Janeiro: Zahar, 2001.
______. Amor Líquido: sobre a fragilidade dos laços
humanos. Rio de Janeiro: Zahar, 2004.
Partindo da perspectiva de Bauman sobre a
“modernidade líquida” e o “amor líquido, é correto
afirmar que
Gabarito comentado
Alternativa correta: C
Tema central: A questão trata da metáfora baumaniana da modernidade líquida e do amor líquido, que descrevem a fragilidade e a fluidez dos vínculos sociais na contemporaneidade — maior individualização, menor desejo por compromissos duradouros e enfraquecimento das instituições estáveis (família, comunidade, religião).
Resumo teórico: Para Zygmunt Bauman (Modernidade Líquida, 2001; Amor Líquido, 2004), "liquidez" é metáfora para relações e instituições que não se solidificam: são mutáveis, temporárias e dependentes de escolhas individuais. O "amor líquido" refere‑se a relacionamentos afetivos marcados pelo descompromisso e pela facilidade de dissolução, em contraste com formas de vínculo sólido e duradouro.
Por que a alternativa C está correta: Ela traduz com precisão a ideia de Bauman: "amor líquido" é justamente uma metáfora para relações afetivas pautadas pelo descompromisso e pela ausência de vínculos fixos entre parceiros — ou seja, vínculos frágeis e transitórios.
Análise das alternativas incorretas:
A — Incorreta. A modernidade líquida aponta para o enfraquecimento (não fortalecimento) de instituições como família e classes sociais; fala em fragilidade dos vínculos, não em consolidação institucional.
B — Incorreta. Comunidades religiosas tendem a produzir vínculos mais rígidos e normas de compromisso duradouro. A afirmação inverte a relação: vínculos religiosos não produzem, em regra, um indivíduo adepto do descompromisso típico do "amor líquido".
D — Incorreta. "Relações líquidas" não caracterizam interdependência comunitária; ao contrário, descrevem individualização e fluidez dos laços, não um foco em lutas coletivas interdependentes.
Estratégias de prova: procure por palavras-chave que sinalizam contradição com Bauman — ex.: "fortalecimento", "fixados", "interdependência" tendem a indicar erro quando a teoria fala em fragilidade, fluidez e individualização. Compare o sentido literal das alternativas com a metáfora central (líquido = instável).
Fontes indicadas: BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida (2001); Amor Líquido (2004). Para contexto sociológico: GIDDENS, A. Modernity and Self-Identity (1991).
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