Questão 971b85ee-0e
Prova:UNEMAT 2011
Disciplina:Literatura
Assunto:Barroco, Escolas Literárias

Sobre o Auto da Barca do Inferno, do escritor português Gil Vicente, assinale a alternativa incorreta.

A
Personagens como o Onzeneiro, o Fidalgo e o Sapateiro, representam tipos sociais contra os quais o autor tece sua crítica, em forma de sátira.
B
O elemento religioso presente no auto é originário da rica tradição do teatro popular medieval.
C
A concepção de mundo cristã, marcada pela simplicidade e de forte teor popular, aproxima o auto de Gil Vicente do Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna.
D
O uso de uma linguagem solene, austera e requintada caracteriza a personagem Diabo, diferenciando-a das demais personagens, cuja linguagem é coloquial, irônica e jocosa.
E
O recurso à alegoria pode ser percebido ao longo de toda a obra, como, por exemplo, na personagem Frade, uma alegoria à corrupção do clero português.

Gabarito comentado

R
Rafael Costa Monitor do Qconcursos

Gabarito: D

O que precisava saber: Era necessário reconhecer que a peça se apoia na tradição do teatro medieval popular, combina religiosidade e moralização com sátira social, constrói personagens como tipos alegóricos e emprega linguagem viva, coloquial, irônica e cômica. O ponto mais importante para resolver a questão era saber que o Diabo não é caracterizado por linguagem solene, austera e requintada.

Critério decisivo: A alternativa D é a incorreta porque atribui ao Diabo uma linguagem solene, austera e requintada, mas a base da obra, segundo a resolução, está no tom popular, satírico, coloquial e irônico, do qual o Diabo também participa.

Tema central: Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente: crítica satírica à sociedade e uso de tipos alegóricos e linguagem variada
Análise das alternativas
A
Errada
Está correta, por isso não deve ser marcada. A base afirma que Fidalgo, Onzeneiro, Sapateiro e outros funcionam como tipos sociais por meio dos quais a obra realiza sua crítica moral e satírica à sociedade.
B
Errada
Está correta, por isso não deve ser marcada. A presença de Anjo, Diabo e do julgamento das almas é vinculada, na base, à tradição do teatro religioso medieval e ao auto moralizante.
C
Errada
Está correta, por isso não deve ser marcada. A base sustenta que a obra apresenta uma concepção cristã moralizante, simples e de forte teor popular, o que permite a aproximação geral indicada na alternativa.
D
Certa
A alternativa D deve ser assinalada porque contraria diretamente o fundamento da base sobre a linguagem das personagens. Em Gil Vicente, predomina a variedade expressiva e uma linguagem viva, coloquial e irônica; por isso, não procede a afirmação de que o Diabo se diferencia das demais personagens por usar linguagem solene, austera e requintada. O erro está exatamente nessa caracterização linguística do Diabo.
E
Errada
Está correta, por isso não deve ser marcada. A base informa que o recurso alegórico organiza toda a obra e que as personagens representam vícios e estados morais; nesse sentido, o Frade pode ser lido como figura da corrupção e da contradição do clero.
Pegadinha da questão
A pegadinha foi associar o Diabo a uma fala elevada e requintada, como se ele ocupasse um registro oposto ao restante da peça. A base deixa claro que isso é falso: ele participa do mesmo tom popular, cômico, mordaz e satírico do auto. Outra armadilha é esquecer que a alegoria não aparece pontualmente, mas estrutura a obra inteira.
Dica para questões semelhantes
  • Em questões sobre Gil Vicente, verifique se a alternativa respeita o caráter satírico e popular da peça, sem trocar esse traço por solenidade linguística.
  • Identifique as personagens como tipos sociais e alegóricos, porque a crítica moral da obra é construída justamente por essa tipificação.
  • Quando houver elementos como Anjo, Diabo e julgamento das almas, relacione-os à tradição do teatro religioso medieval e do auto moralizante.

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