Questão 91b78299-af
Prova:UNESP 2013
Disciplina:Português
Assunto:Análise sintática, Sintaxe
Para que a julguemos boa, é necessário e suficiente que
ela contribua para que a obra lítero-musical de que faz parte
seja boa.
No período em destaque, a oração Para que a julguemos boa
indica, em relação à oração principal,
Para que a julguemos boa, é necessário e suficiente que ela contribua para que a obra lítero-musical de que faz parte seja boa.
No período em destaque, a oração Para que a julguemos boa indica, em relação à oração principal,
Instrução: A questão toma por base
um fragmento da crônica Letra de canção e poesia, de Antonio
Cicero.
Como escrevo poemas e letras de canções, frequentemente
perguntam-me se acho que as letras de canções são poemas. A
expressão “letra de canção” já indica de que modo essa questão
deve ser entendida, pois a palavra “letra” remete à escrita. O
que se quer saber é se a letra, separada da canção, constitui um
poema escrito.
“Letra de canção é poema?” Essa formulação é inadequada. Desde que as vanguardas mostraram que não se pode determinar a priori quais são as formas lícitas para a poesia, qualquer coisa pode ser um poema. Se um poeta escreve letras soltas
na página e diz que é um poema, quem provará o contrário? Neste ponto, parece-me inevitável introduzir um juízo de valor. A verdadeira questão parece ser se uma letra de canção é
um bom poema. Entretanto, mesmo esta última pergunta ainda
não é suficientemente precisa, pois pode estar a indagar duas
coisas distintas: 1) Se uma letra de canção é necessariamente
um bom poema; e 2) Se uma letra de canção é possivelmente um
bom poema. Quanto à primeira pergunta, é evidente que deve ter uma
resposta negativa. Nenhum poema é necessariamente um bom
poema; nenhum texto é necessariamente um bom poema; logo,
nenhuma letra é necessariamente um bom poema. Mas talvez o
que se deva perguntar é se uma boa letra é necessariamente um
bom poema. Ora, também a essa pergunta a resposta é negativa. Quem já não teve a experiência, em relação a uma letra de
canção, de se emocionar com ela ao escutá-la cantada e depois
considerá-la insípida, ao lê-la no papel, sem acompanhamento
musical? Não é difícil entender a razão disso.
Um poema é um objeto autotélico, isto é, ele tem o seu fim
em si próprio. Quando o julgamos bom ou ruim, estamos a
considerá-lo independentemente do fato de que, além de ser um
poema, ele tenha qualquer utilidade. O poema se realiza quando
é lido: e ele pode ser lido em voz baixa, interna, aural. Já uma letra de canção é heterotélica, isto é, ela não tem o
seu fim em si própria. Para que a julguemos boa, é necessário
e suficiente que ela contribua para que a obra lítero-musical de
que faz parte seja boa. Em outras palavras, se uma letra de canção servir para fazer uma boa canção, ela é boa, ainda que seja
ilegível. E a letra pode ser ilegível porque, para se estruturar,
para adquirir determinado colorido, para ter os sons ou as palavras certas enfatizadas, ela depende da melodia, da harmonia,
do ritmo, do tom da música à qual se encontra associada.
(Folha de S.Paulo, 16.06.2007.)
Instrução: A questão toma por base
um fragmento da crônica Letra de canção e poesia, de Antonio
Cicero.
Como escrevo poemas e letras de canções, frequentemente
perguntam-me se acho que as letras de canções são poemas. A
expressão “letra de canção” já indica de que modo essa questão
deve ser entendida, pois a palavra “letra” remete à escrita. O
que se quer saber é se a letra, separada da canção, constitui um
poema escrito.
“Letra de canção é poema?” Essa formulação é inadequada. Desde que as vanguardas mostraram que não se pode determinar a priori quais são as formas lícitas para a poesia, qualquer coisa pode ser um poema. Se um poeta escreve letras soltas
na página e diz que é um poema, quem provará o contrário?
Neste ponto, parece-me inevitável introduzir um juízo de valor. A verdadeira questão parece ser se uma letra de canção é
um bom poema. Entretanto, mesmo esta última pergunta ainda
não é suficientemente precisa, pois pode estar a indagar duas
coisas distintas: 1) Se uma letra de canção é necessariamente
um bom poema; e 2) Se uma letra de canção é possivelmente um
bom poema.
Quanto à primeira pergunta, é evidente que deve ter uma
resposta negativa. Nenhum poema é necessariamente um bom
poema; nenhum texto é necessariamente um bom poema; logo,
nenhuma letra é necessariamente um bom poema. Mas talvez o
que se deva perguntar é se uma boa letra é necessariamente um
bom poema. Ora, também a essa pergunta a resposta é negativa. Quem já não teve a experiência, em relação a uma letra de
canção, de se emocionar com ela ao escutá-la cantada e depois
considerá-la insípida, ao lê-la no papel, sem acompanhamento
musical? Não é difícil entender a razão disso.
Um poema é um objeto autotélico, isto é, ele tem o seu fim
em si próprio. Quando o julgamos bom ou ruim, estamos a
considerá-lo independentemente do fato de que, além de ser um
poema, ele tenha qualquer utilidade. O poema se realiza quando
é lido: e ele pode ser lido em voz baixa, interna, aural.
Já uma letra de canção é heterotélica, isto é, ela não tem o
seu fim em si própria. Para que a julguemos boa, é necessário
e suficiente que ela contribua para que a obra lítero-musical de
que faz parte seja boa. Em outras palavras, se uma letra de canção servir para fazer uma boa canção, ela é boa, ainda que seja
ilegível. E a letra pode ser ilegível porque, para se estruturar,
para adquirir determinado colorido, para ter os sons ou as palavras certas enfatizadas, ela depende da melodia, da harmonia,
do ritmo, do tom da música à qual se encontra associada.
(Folha de S.Paulo, 16.06.2007.)
A
comparação.
B
concessão.
C
finalidade.
D
tempo.
E
proporção.
Gabarito comentado
A
Américo Costa Monitor com apoio de IA
Gabarito: C
Fundamento decisivo: No trecho "Para que a julguemos boa, é necessário e suficiente que ela contribua para que a obra lítero-musical de que faz parte seja boa.", a locução conjuntiva "para que" introduz oração subordinada adverbial de finalidade, indicando o fim ou objetivo em relação à oração principal; por isso, a alternativa correta é C.
Tema central: oração subordinada adverbial final
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta porque o trecho não estabelece comparação entre termos, fatos ou qualidades. Faltam marcas comparativas como "como", "tal qual", "mais... que" ou "menos... que". A oração introduzida por "para que" indica propósito, não comparação.
B
Errada
Incorreta porque não há valor concessivo. Concessão envolve contraste ou quebra de expectativa, normalmente com conectores como "embora", "ainda que" ou "mesmo que". No trecho, "para que" não introduz oposição; introduz o fim visado.
C
Certa
A alternativa C está correta porque a oração destacada exprime finalidade. No contexto, "Para que a julguemos boa" equivale a "a fim de que a julguemos boa", isto é, apresenta o objetivo em função do qual se estabelece a exigência da oração principal: basta que a letra contribua para a qualidade da obra lítero-musical para que seja julgada boa.
D
Errada
Incorreta porque a oração não indica tempo. Não há marca de momento, duração, anterioridade, simultaneidade ou posterioridade. Conectores temporais como "quando", "enquanto", "assim que" ou "depois que" não aparecem no segmento.
E
Errada
Incorreta porque não existe relação proporcional entre dois fatos. Estruturas proporcionais costumam vir em correlações como "à medida que" ou "quanto mais... mais", inexistentes no período. A expressão "é necessário e suficiente que" não cria proporcionalidade; o valor da oração destacada continua sendo finalístico.
Pegadinha da questão
A banca explora principalmente a anteposição da oração e a presença de outra estrutura com "para que" no mesmo período, o que pode dispersar a análise; porém, o comando pede o valor da oração destacada em relação à principal, e esse valor é de finalidade.
Dica para questões semelhantes
- Identifique primeiro o conector da oração destacada; aqui, "para que" é marcador típico de finalidade.
- Teste uma paráfrase legítima: se "para que" puder ser substituído por "a fim de que" sem alteração de sentido, há valor finalístico.
- Não confunda oração anteposta com oração temporal; a posição no período não muda o valor semântico do conector.
- Quando houver mais de uma oração subordinada no período, isole exatamente a oração pedida e relacione-a apenas à principal.






