Entre as estratégias expressivas de que se vale o poema,
só NÃO se encontra a
Brasil
O Zé Pereira chegou de caravela
E preguntou pro guarani da mata virgem
— Sois cristão?
— Não. Sou bravo, sou forte, sou filho da Morte
Teterê tetê Quizá Quizá Quecê!
Lá longe a onça resmungava Uu! ua! uu!
O negro zonzo saído da fornalha
Tomou a palavra e respondeu
— Sim pela graça de Deus
Canhem Babá Canhem Babá Cum Cum!
E fizeram o Carnaval
Oswald de Andrade, Poesias Reunidas.
Brasil
O Zé Pereira chegou de caravela
E preguntou pro guarani da mata virgem
— Sois cristão?
— Não. Sou bravo, sou forte, sou filho da Morte
Teterê tetê Quizá Quizá Quecê!
Lá longe a onça resmungava Uu! ua! uu!
O negro zonzo saído da fornalha
Tomou a palavra e respondeu
— Sim pela graça de Deus
Canhem Babá Canhem Babá Cum Cum!
E fizeram o Carnaval
Oswald de Andrade, Poesias Reunidas.
Gabarito comentado
Tema central: A questão aborda as estratégias expressivas do poema “Brasil”, de Oswald de Andrade, relacionando o texto a elementos formais e temáticos do Modernismo brasileiro, como oralidade, intertextualidade, estrutura humorística e experimentação linguística.
Justificativa da alternativa correta – E
A alternativa E afirma que não se encontra a citação de expressões do tupi-guarani, do nheengatu e da língua iorubá. Apesar do poema empregar expressões que parecem remeter a línguas indígenas e africanas (“Teterê tetê Quizá Quizá Quecê!”, “Canhem Babá Canhem Babá Cum Cum!”), não há comprovação que tais palavras pertencem de fato a essas línguas específicas, sendo, muito provavelmente, criações estilísticas para sugerir um tom oral e folclórico, típico do autor.
Análise das alternativas incorretas
A) O poema apresenta sim reprodução da variante oral-popular, evidenciada em trechos como “O Zé Pereira chegou de caravela”. Isso demonstra a valorização da linguagem popular, um traço marcante do Modernismo.
B) Há referência direta ao “I-Juca-Pirama”, ao citar: “Sou bravo, sou forte, sou filho da Morte”. Essa intertextualidade ressignifica um verso célebre do Romantismo, aproximando o passado indígena do presente brasileiro.
C) O texto adota estrutura com características do “poema-piada”: brevidade, frases curtas, elementos de humor e ironia, aspectos frequentes na produção modernista.
D) São utilizados versos brancos e versos livres (sem rima nem métrica fixa), um procedimento típico adotado pelos poetas da primeira geração modernista, em desacordo com as métricas do parnasianismo ou simbolismo.
E) CORRETA – As expressões são estilizações, não registros reais das línguas citadas. Atenção: o examinador pode induzir erro ao sugerir equivalência entre estilização modernista e citação direta de línguas vernáculas.
Estratégias para provas:
Procure verificar se há correspondência real entre formas linguísticas citadas e as línguas de origem. Desconfie de generalizações e palavras cujo sentido aparente pode ser apenas construção artística, principalmente no Modernismo.
Resumo: A alternativa E é a correta porque as palavras usadas são criações estilizadas, e não citações autênticas do tupi-guarani, nheengatu ou iorubá.
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