Questão 836c777c-97
Prova:FGV 2015, FGV 2015
Disciplina:Literatura
Assunto:Escolas Literárias, Romantismo

Entre as estratégias expressivas de que se vale o poema, só NÃO se encontra a

                                                       Brasil

                                   O Zé Pereira chegou de caravela

                                   E preguntou pro guarani da mata virgem

                                   — Sois cristão?

                                   — Não. Sou bravo, sou forte, sou filho da Morte

                                   Teterê tetê Quizá Quizá Quecê!

                                   Lá longe a onça resmungava Uu! ua! uu!

                                   O negro zonzo saído da fornalha

                                   Tomou a palavra e respondeu

                                   — Sim pela graça de Deus

                                  Canhem Babá Canhem Babá Cum Cum!

                                  E fizeram o Carnaval

                                                     Oswald de Andrade, Poesias Reunidas.

A
reprodução da variante oral-popular da linguagem.
B
referência a verso célebre da literatura brasileira, extraído de “I-Juca-Pirama”, de Gonçalves Dias.
C
estrutura semelhante à do “poema piada”, praticado no Modernismo.
D
utilização de versos brancos e de versos livres.
E
citação de expressões do tupi-guarani, do nheengatu e da língua iorubá.

Gabarito comentado

R
Rafael Costa Monitor do Qconcursos

Tema central: A questão aborda as estratégias expressivas do poema “Brasil”, de Oswald de Andrade, relacionando o texto a elementos formais e temáticos do Modernismo brasileiro, como oralidade, intertextualidade, estrutura humorística e experimentação linguística.

Justificativa da alternativa correta – E

A alternativa E afirma que não se encontra a citação de expressões do tupi-guarani, do nheengatu e da língua iorubá. Apesar do poema empregar expressões que parecem remeter a línguas indígenas e africanas (“Teterê tetê Quizá Quizá Quecê!”, “Canhem Babá Canhem Babá Cum Cum!”), não há comprovação que tais palavras pertencem de fato a essas línguas específicas, sendo, muito provavelmente, criações estilísticas para sugerir um tom oral e folclórico, típico do autor.

Análise das alternativas incorretas

A) O poema apresenta sim reprodução da variante oral-popular, evidenciada em trechos como “O Zé Pereira chegou de caravela”. Isso demonstra a valorização da linguagem popular, um traço marcante do Modernismo.

B)referência direta ao “I-Juca-Pirama”, ao citar: “Sou bravo, sou forte, sou filho da Morte”. Essa intertextualidade ressignifica um verso célebre do Romantismo, aproximando o passado indígena do presente brasileiro.

C) O texto adota estrutura com características do “poema-piada”: brevidade, frases curtas, elementos de humor e ironia, aspectos frequentes na produção modernista.

D) São utilizados versos brancos e versos livres (sem rima nem métrica fixa), um procedimento típico adotado pelos poetas da primeira geração modernista, em desacordo com as métricas do parnasianismo ou simbolismo.

E) CORRETA – As expressões são estilizações, não registros reais das línguas citadas. Atenção: o examinador pode induzir erro ao sugerir equivalência entre estilização modernista e citação direta de línguas vernáculas.

Estratégias para provas:
Procure verificar se há correspondência real entre formas linguísticas citadas e as línguas de origem. Desconfie de generalizações e palavras cujo sentido aparente pode ser apenas construção artística, principalmente no Modernismo.

Resumo: A alternativa E é a correta porque as palavras usadas são criações estilizadas, e não citações autênticas do tupi-guarani, nheengatu ou iorubá.

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