Questão 816fff12-80
Prova:UDESC 2011
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos
Assinale (V) para (verdadeira) ou F para (falsa), tendo como referência a obra O filho eterno, de Cristóvão Tezza, e o Texto 1.
( ) Do excerto depreende-se que o desejo do pai era que o filho se alfabetizasse por completo. Este sonho se concretiza no final da história, quando o filho consegue ler livros e também escrever seus próprios contos.
( ) O pressuposto é a informação não dita, mas detectada pelo interlocutor. Ao dizer “se ele se alfabetizasse de um modo completo" (linha 8), o narrador confirma, por meio de um pressuposto, que o filho já era um pouco alfabetizado.
( ) A leitura do excerto leva o leitor a inferir que, ao dizer “alfabetizar é abstrair" (linha 7), o autor faz uma crítica ao sistema de alfabetização no Brasil.
( ) Da leitura da obra e do excerto infere-se que o futebol contribuiu positivamente para o desenvolvimento do filho.
( ) Ao dizer “o pai especula" (linha 8), o narrador quer dizer que o pai reflete, imagina, raciocina.
Assinale a alternativa correta, de cima para baixo.
Assinale (V) para (verdadeira) ou F para (falsa), tendo como referência a obra O filho eterno, de Cristóvão Tezza, e o Texto 1.
( ) Do excerto depreende-se que o desejo do pai era que o filho se alfabetizasse por completo. Este sonho se concretiza no final da história, quando o filho consegue ler livros e também escrever seus próprios contos.
( ) O pressuposto é a informação não dita, mas detectada pelo interlocutor. Ao dizer “se ele se alfabetizasse de um modo completo" (linha 8), o narrador confirma, por meio de um pressuposto, que o filho já era um pouco alfabetizado.
( ) A leitura do excerto leva o leitor a inferir que, ao dizer “alfabetizar é abstrair" (linha 7), o autor faz uma crítica ao sistema de alfabetização no Brasil.
( ) Da leitura da obra e do excerto infere-se que o futebol contribuiu positivamente para o desenvolvimento do filho.
( ) Ao dizer “o pai especula" (linha 8), o narrador quer dizer que o pai reflete, imagina, raciocina.
Assinale a alternativa correta, de cima para baixo.
( ) Do excerto depreende-se que o desejo do pai era que o filho se alfabetizasse por completo. Este sonho se concretiza no final da história, quando o filho consegue ler livros e também escrever seus próprios contos.
( ) O pressuposto é a informação não dita, mas detectada pelo interlocutor. Ao dizer “se ele se alfabetizasse de um modo completo" (linha 8), o narrador confirma, por meio de um pressuposto, que o filho já era um pouco alfabetizado.
( ) A leitura do excerto leva o leitor a inferir que, ao dizer “alfabetizar é abstrair" (linha 7), o autor faz uma crítica ao sistema de alfabetização no Brasil.
( ) Da leitura da obra e do excerto infere-se que o futebol contribuiu positivamente para o desenvolvimento do filho.
( ) Ao dizer “o pai especula" (linha 8), o narrador quer dizer que o pai reflete, imagina, raciocina.
Assinale a alternativa correta, de cima para baixo.
O filho eterno
[...]
Mas há um outro ponto, outra pequena utopia que o futebol promete – a alfabetização.
É a única área em que seu filho tem algum domínio da leitura, capaz de distinguir a maioria
dos times pelo nome, que depois ele digitará no computador para baixar os hinos de cada
clube em mp3, e que cantará, feliz, aos tropeços. Ele ainda confunde imagens semelhantes
– Figueirense e Fluminense, por exemplo – mas é capaz de ler a maior parte dos nomes.
Em qualquer caso, apenas nomes avulsos. O que não tem nenhuma importância, o pai
sente, além da brevíssima ampliação de percepção – alfabetizar é abstrair; se isso fosse
possível, se ele se alfabetizasse de um modo completo, o pai especula, ele seria arrancado
do seu mundo instantâneo dos sentidos presentes, sem nenhuma metáfora de passagem
(ele não compreende metáforas; como se as palavras fossem as próprias coisas que
indicam, não as intenções de quem aponta), para então habitar um mundo reescrito.
TEZZA, Cristovão. O filho eterno. 9ª ed. Rio de Janeiro/São Paulo: Record, 2010, p. 221.
O filho eterno
[...]
Mas há um outro ponto, outra pequena utopia que o futebol promete – a alfabetização. É a única área em que seu filho tem algum domínio da leitura, capaz de distinguir a maioria dos times pelo nome, que depois ele digitará no computador para baixar os hinos de cada clube em mp3, e que cantará, feliz, aos tropeços. Ele ainda confunde imagens semelhantes – Figueirense e Fluminense, por exemplo – mas é capaz de ler a maior parte dos nomes. Em qualquer caso, apenas nomes avulsos. O que não tem nenhuma importância, o pai sente, além da brevíssima ampliação de percepção – alfabetizar é abstrair; se isso fosse possível, se ele se alfabetizasse de um modo completo, o pai especula, ele seria arrancado do seu mundo instantâneo dos sentidos presentes, sem nenhuma metáfora de passagem (ele não compreende metáforas; como se as palavras fossem as próprias coisas que indicam, não as intenções de quem aponta), para então habitar um mundo reescrito. TEZZA, Cristovão. O filho eterno. 9ª ed. Rio de Janeiro/São Paulo: Record, 2010, p. 221.
[...]
Mas há um outro ponto, outra pequena utopia que o futebol promete – a alfabetização. É a única área em que seu filho tem algum domínio da leitura, capaz de distinguir a maioria dos times pelo nome, que depois ele digitará no computador para baixar os hinos de cada clube em mp3, e que cantará, feliz, aos tropeços. Ele ainda confunde imagens semelhantes – Figueirense e Fluminense, por exemplo – mas é capaz de ler a maior parte dos nomes. Em qualquer caso, apenas nomes avulsos. O que não tem nenhuma importância, o pai sente, além da brevíssima ampliação de percepção – alfabetizar é abstrair; se isso fosse possível, se ele se alfabetizasse de um modo completo, o pai especula, ele seria arrancado do seu mundo instantâneo dos sentidos presentes, sem nenhuma metáfora de passagem (ele não compreende metáforas; como se as palavras fossem as próprias coisas que indicam, não as intenções de quem aponta), para então habitar um mundo reescrito. TEZZA, Cristovão. O filho eterno. 9ª ed. Rio de Janeiro/São Paulo: Record, 2010, p. 221.
A
F – V – F – V – V
B
V – F – F – F – V
C
F – V – F – F – F
D
F – F – F – V – F
E
V – V – V – F – V
Gabarito comentado
D
Débora AlmeidaMonitor com apoio de IA
Gabarito: A
Fundamento decisivo: O critério decisivo é o limite da inferência autorizado pelo excerto e pela referência à obra: “É a única área em que seu filho tem algum domínio da leitura [...] mas é capaz de ler a maior parte dos nomes. Em qualquer caso, apenas nomes avulsos. [...] se isso fosse possível, se ele se alfabetizasse de um modo completo, o pai especula [...]”. Esse trecho mostra alfabetização parcial, avanço positivo ligado ao futebol e uma hipótese do pai, o que torna verdadeiras a 2ª, a 4ª e a 5ª assertivas, e falsas a 1ª e a 3ª; por isso, a sequência correta é F – V – F – V – V.
Tema central: inferência textual
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A é a única que corresponde integralmente ao que o texto permite afirmar. A 1ª assertiva é falsa porque extrapola ao dizer que, no final da obra, o filho lê livros e escreve contos, concretização específica que não se sustenta. A 2ª é verdadeira porque “se ele se alfabetizasse de um modo completo” pressupõe alfabetização ainda incompleta, confirmada por “algum domínio da leitura” e “apenas nomes avulsos”. A 3ª é falsa porque “alfabetizar é abstrair” expressa reflexão sobre linguagem e abstração no caso do filho, não crítica explícita ao sistema de alfabetização no Brasil. A 4ª é verdadeira porque o futebol aparece como “outra pequena utopia” e como a única área em que há algum domínio da leitura, portanto com efeito positivo no desenvolvimento. A 5ª é verdadeira porque, no contexto, “o pai especula” significa que ele reflete, imagina, raciocina sobre uma possibilidade.
B
Errada
Está errada porque marca a 1ª assertiva como verdadeira, mas ela inventa um desfecho não sustentado pela obra ao afirmar leitura de livros e escrita de contos. Também erra a 2ª, pois a estrutura “se ele se alfabetizasse de um modo completo”, somada a “algum domínio da leitura” e “apenas nomes avulsos”, confirma alfabetização parcial. Além disso, torna falsa a 5ª, mas “o pai especula” tem sentido contextual de conjectura, reflexão, imaginação.
C
Errada
Está errada porque torna falsas a 4ª e a 5ª assertivas. A 4ª deve ser verdadeira: o texto diz que o futebol é “outra pequena utopia que o futebol promete – a alfabetização” e que é a única área em que o filho tem “algum domínio da leitura”, o que configura contribuição positiva. A 5ª também deve ser verdadeira, já que “especula” introduz hipótese mental do pai, isto é, ele reflete e imagina.
D
Errada
Está errada porque marca como falsas a 2ª e a 5ª assertivas. A 2ª é verdadeira: a formulação condicional “se ele se alfabetizasse de um modo completo” pressupõe que já existe um grau não pleno de alfabetização, confirmado pelo próprio excerto. A 5ª também é verdadeira, pois “o pai especula” não exprime fato consumado nem outro sentido desvinculado do contexto, e sim raciocínio hipotético.
E
Errada
Está errada porque toma como verdadeiras a 1ª e a 3ª assertivas. A 1ª extrapola a obra ao afirmar que o filho, ao final, lê livros e escreve seus próprios contos. A 3ª força uma crítica ao sistema de alfabetização no Brasil que não está no excerto: “alfabetizar é abstrair” funciona, aqui, como reflexão sobre linguagem, abstração e o modo como o filho se relaciona com as palavras, não como crítica social explícita.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: transformar hipótese em fato consumado, por causa de “se ele se alfabetizasse de um modo completo, o pai especula”, e ampliar indevidamente o alcance de “alfabetizar é abstrair” para uma crítica ao sistema educacional brasileiro, embora o trecho trate do caso particular do filho.
Dica para questões semelhantes
- Separe o que o texto afirma do que ele apenas hipotetiza; expressões condicionais e verbos como “especula” não autorizam concluir fato realizado.
- Quando houver pressuposição, procure o apoio no próprio contexto imediato: aqui, “algum domínio da leitura” e “apenas nomes avulsos” explicam o sentido de “alfabetizasse de um modo completo”.
- Não amplie uma reflexão conceitual do trecho para crítica social geral sem marca textual explícita.
- Se o comando mandar considerar também a obra, elimine alternativas que acrescentem fatos de enredo não sustentados pelo romance.






