Questão 81190f73-31
Prova:PUC - Campinas 2015
Disciplina:Literatura
Assunto:Barroco, Escolas Literárias

A crítica galhofeira a autoridades e a pessoas de prestígio foi uma arma contundente de que se valeu

Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo.

Personagem frequente dos carros alegóricos, d. Pedro surgia, nos anos 1880, ora como Pedro Banana ou como Pedro Caju, numa alusão à sua falta de participação nos últimos anos do Império. Mas é só com a queda da monarquia que se passa a eleger um rei do Carnaval. Com efeito, o rei Momo é uma invenção recente, datada de 1933. No século XIX ele não era rei, mas um deus grego: zombeteiro, pândego e amante da galhofa. Nos anos 30 vira Rei Momo e logo depois cidadão. Novos tempos, novos termos.

(SCHWARCZ, Lilian Mortiz. As barbas do Imperador: Dom Pedro II , um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, p. 281) 

A
o poeta barroco Gregório de Matos, em sua poesia satírica.
B
Claúdio Manuel da Costa, nas cartas que escreveu ao mandatário de Minas Gerais.
C
o poeta Carlos Drummond de Andrade, nos ácidos versos de Claro enigma.
D
Clarice Lispector, na prosa provocadora de A hora da estrela.
E
a geração de 45, reagindo contra os chamados “papas” do modernismo.

Gabarito comentado

J
Juliana Ramos Monitor do Qconcursos

Tema central: A questão aborda a sátira galhofeira a autoridades na literatura brasileira, prática muito frequente em certas escolas literárias e autores específicos.

Explicação teórica:

A poesia satírica, principalmente no Barroco, utiliza-se do humor, da ironia e da galhofa para criticar costumes, valores e personalidades da sociedade. Gregório de Matos, conhecido como Boca do Inferno, marcou o período com sua poesia ousada e mordaz, criticando clérigos, nobreza e governadores. Essa postura é um exemplo clássico de denúncia social no Brasil colonial, utilizando mecanismos de tensão, paródia e deboche.

Justificativa da alternativa correta (A):

Gregório de Matos é reconhecido por sua poesia satírica, criticando de forma contundente as autoridades e figuras de destaque de sua época. Sua obra é emblemática e frequentemente citada em obras como Literatura Brasileira, de Massaud Moisés, como representação do espírito de sátira e irreverência do Barroco brasileiro.

Análise das alternativas incorretas:

  • B) Cláudio Manuel da Costa era árcade, utilizava-se mais da idealização pastoral e exaltação à natureza, sem ênfase na crítica política ou satírica direta.
  • C) Carlos Drummond de Andrade, especialmente em Claro Enigma, explora existencialismo e reflexão, sem foco na sátira a pessoas de prestígio.
  • D) Clarice Lispector, em A hora da estrela, faz crítica social, mas sem tom satírico ou galhofa dirigida a autoridades.
  • E) A geração de 45 propôs uma renovação poética, não centrada na sátira galhofeira a figuras de autoridade.

Estratégia para questões semelhantes:

Ao identificar termos como "crítica satírica" e "galhofa", relacione com autores que de fato empregaram o deboche como ferramenta literária, principalmente no Barroco e Gregório de Matos. Muita atenção à armadilha de associar a crítica social de outros autores, como Clarice Lispector ou Drummond, ao conceito de sátira, que é muito mais específico e direto.

Conclusão: A alternativa A é correta porque somente Gregório de Matos faz uso sistemático da sátira galhofeira para atacar autoridades de seu tempo.

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