A sociedade reconhece o esforço dos
trabalhadores na produção da riqueza que
beneficia a todos.
Leia com atenção a seguinte estrofe da canção
Cidadão, de Lúcio Barbosa.
“Tá vendo aquele edifício, moço
Ajudei a levantar
Foi um tempo de aflição, era quatro condução
Duas pra ir, duas pra voltar
Hoje depois dele pronto
Olho pra cima e fico tonto
Mas me vem um cidadão
E me diz desconfiado
‘Tu tá aí admirado ou tá querendo roubar’
Meu domingo tá perdido, vou pra casa entristecido
Dá vontade de beber
E pra aumentar meu tédio
Eu nem posso olhar pro prédio que eu ajudei a fazer”
Com base nesses versos, assinale o que for
correto, em relação às características da
sociedade capitalista.
“Tá vendo aquele edifício, moço
Ajudei a levantar
Foi um tempo de aflição, era quatro condução
Duas pra ir, duas pra voltar
Hoje depois dele pronto
Olho pra cima e fico tonto
Mas me vem um cidadão
E me diz desconfiado
‘Tu tá aí admirado ou tá querendo roubar’
Meu domingo tá perdido, vou pra casa entristecido
Dá vontade de beber
E pra aumentar meu tédio
Eu nem posso olhar pro prédio que eu ajudei a fazer”
Com base nesses versos, assinale o que for correto, em relação às características da sociedade capitalista.
Gabarito comentado
Resposta: E — Errado
Tema central: trata-se de estratificação e desigualdade social na sociedade capitalista — em especial, o reconhecimento (ou a falta dele) do trabalho e da contribuição dos trabalhadores para a riqueza social.
Por que a afirmativa está errada
A frase "A sociedade reconhece o esforço dos trabalhadores na produção da riqueza que beneficia a todos" generaliza uma realidade que, segundo a teoria sociológica e econômica, não corresponde à estrutura capitalista. Em sistemas capitalistas, a apropriação dos frutos do trabalho é mediada pela propriedade dos meios de produção: os lucros e a riqueza tendem a ser concentrados nos proprietários de capital, enquanto os trabalhadores recebem salários que não equivalem ao valor total que produzem — conceito central da mais‑valia (Marx).
Além disso, o episódio da canção ilustra a invisibilização e estigmatização do trabalho: o operário que ajudou a erguer o edifício é desconfiado e expulso do reconhecimento simbólico de sua própria obra — sinal típico de alienação e de desigualdade simbólica (Bourdieu).
Fontes rápidas para aprofundar: Karl Marx, "O Capital" (sobre exploração e mais‑valia); Pierre Bourdieu, "A Reprodução" (sobre violência simbólica e reconhecimento); Thomas Piketty, "O Capital no Século XXI" (dados sobre concentração de riqueza).
Dica de interpretação (estratégia para provas): desconfie de afirmações absolutas que dizem o que "a sociedade" faz de modo unânime. Questões sobre capitalismo costumam explorar desigualdade, apropriação da riqueza e reconhecimento desigual — procure conceitos como exploração, mais‑valia, alienação e desigualdade simbólica.
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