Ao discutir a adoção do euro como moeda entre os países
europeus, o autor mostra que
Na virada do século, chegou o euro. Na prática, era como
se o marco alemão mudasse de nome para “euro" e passasse
a suprir o resto do continente (a maior parte dele, pelo menos).
Parecia bom para todas as partes. Os governos dos países
menos pibados passariam a receber os impostos dos seus
cidadãos em euros, uma moeda garantida pelo PIB alemão.
Impostos servem para pagar as dívidas dos governos – além
da lagosta dos governantes. E agora os contribuintes pagavam
em euros. Resultado: o mercado passou a emprestar para os
países bagunçados da Europa a juros baixíssimos.
Aí choveu euro na periferia da Europa. A economia ali
cresceu como nunca, mas os governantes gastaram como
sempre. Além disso, não perceberam que seus países eram
pequenos demais para suportar o peso de uma moeda forte.
Com os PIBs dos europobres caindo, a arrecadação deles
diminuiu. Menos arrecadação, mais problemas para pagar
dívidas. Aí tome mais dinheiro emprestado para ir rolando a
pendura, só que agora a juros menos fofos.
(Superinteressante, agosto de 2015. Adaptado)
Aí choveu euro na periferia da Europa. A economia ali cresceu como nunca, mas os governantes gastaram como sempre. Além disso, não perceberam que seus países eram pequenos demais para suportar o peso de uma moeda forte.
Com os PIBs dos europobres caindo, a arrecadação deles diminuiu. Menos arrecadação, mais problemas para pagar dívidas. Aí tome mais dinheiro emprestado para ir rolando a pendura, só que agora a juros menos fofos.
(Superinteressante, agosto de 2015. Adaptado)
Gabarito comentado
Tema central: Interpretação de Texto — A questão exige a leitura atenta e a compreensão crítica do texto, ou seja, identificar ideia principal, relações de causa e consequência e inferências implícitas, baseando-se na coerência e coesão textual, conforme propõem Bechara e Cunha & Cintra em suas gramáticas.
Justificativa para a alternativa correta (C):
A alternativa C reflete, de maneira precisa, a mensagem do texto: os países com menor PIB “acabaram tendo a ilusão de que a nova moeda seria a redenção de suas economias”, porém enfrentaram “queda de arrecadação” e “mantiveram-se os gastos governamentais”. O texto mostra claramente que o euro, apesar da promessa de estabilidade, não resolveu os problemas estruturais desses países; ao contrário, ao manterem velhos hábitos de gastos, agravaram suas dívidas. Observe o trecho: “a economia ali cresceu como nunca, mas os governantes gastaram como sempre...” e “Com os PIBs dos europobres caindo, a arrecadação diminuiu”. Trata-se de um raciocínio de causa e consequência.
Análise das alternativas incorretas:
A) Diz que as economias e governos se fortaleceram graças aos empréstimos baratos e à estabilidade. O texto, porém, deixa claro que houve problemas — não fortalecimento — ao manter gastos e ver a arrecadação cair.
B) Afirma que a situação equalizou dívidas dos países com menor PIB, o que é falso: o texto aponta agravamento, não solução das dívidas.
D) Cita “abalos” em economias estáveis como a Alemanha, o que não aparece no texto. Não há menção de prejuízo à Alemanha, só aos “europeus pobres”.
E) Afirma que o cenário descrito fragilizou a nova moeda. O texto não discute enfraquecimento do euro como causa central dos problemas, mas sim a má gestão dos países em questão.
Estratégias para acertar esse tipo de questão:
- Leia cuidadosamente e destaque termos de oposição, causa e consequência.
- Procure ideias implícitas: o texto diz que a situação parecia boa, mas não foi.
- Desconfie de alternativas que introduzam elementos não mencionados ou mudem o foco interpretativo.
Segundo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), a habilidade de interpretação é central para o sucesso em provas. A norma padrão exige selecionar a resposta mais coesa com o texto, evitando generalizações e distorções sem respaldo textual.
Resposta correta: C
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