Uma das ideias presentes no texto diz respeito
Leia os versos de Camilo Pessanha para responder à questão.
De sob o cômoro1
quadrangular
Da terra fresca que me há-de inumar2
,
E depois de já muito ter chovido,
Quando a erva alastrar com o olvido3
,
Ainda, amigo, o mesmo meu olhar
Há-de ir humilde, atravessando o mar,
Envolver-te de preito4
enternecido,
Como o de um pobre cão agradecido.
(Clepsidra, 1987.)
1cômoro: elevação de terreno não muito alta.
2inumar: enterrar.
3olvido: esquecimento.
4preito: tributo, homenagem.
Leia os versos de Camilo Pessanha para responder à questão.
De sob o cômoro1
quadrangular
Da terra fresca que me há-de inumar2
,
E depois de já muito ter chovido,
Quando a erva alastrar com o olvido3
,
Ainda, amigo, o mesmo meu olhar
Há-de ir humilde, atravessando o mar,
Envolver-te de preito4
enternecido,
Como o de um pobre cão agradecido.
(Clepsidra, 1987.)
1cômoro: elevação de terreno não muito alta.
2inumar: enterrar.
3olvido: esquecimento.
4preito: tributo, homenagem.
Gabarito comentado
Comentário de Gabarito – Literatura (Escolas Literárias – Simbolismo)
Tema central cobrado: Relação vida-morte e persistência dos sentimentos no contexto do Simbolismo.
Análise didática:
O poema de Camilo Pessanha, integrado à Clepsidra, explora elementos simbólicos e subjetivos típicos do Simbolismo — movimento literário em que a musicalidade, os símbolos e o subjetivismo expressam reflexões sobre a existência.
No texto, o eu-lírico antecipa sua morte (“terra fresca que me há-de inumar”), e reflete sobre o tempo após esse evento (“depois de já muito ter chovido / Quando a erva alastrar com o olvido”), sugerindo o esquecimento natural dos que partem. No entanto, reforça que seu “olhar” ainda envolverá o amigo num “preito enternecido”, demonstrando que o sentimento persiste além da existência física.
Justificativa da alternativa correta – A (“à relação vida-morte”):
A chave interpretativa está nas imagens do túmulo, do tempo após a morte e da continuidade do afeto. O uso de figuras simbólicas (cômoro, olvido/erva, mar) reforça essa dualidade: a transição da vida para a morte não é ruptura, mas passagem acompanhada de lembranças e sentimentos.
Em provas de concurso, busque identificar palavras que indiquem processos de passagem, memória ou permanência — indícios de temas existenciais relacionados à vida e morte.
Análise das alternativas incorretas:
- B) Medo pelo desconhecido: O texto não sugere medo, mas serenidade diante da morte. O “olhar” do eu-lírico permanece afetuoso.
- C) Busca pela solidão: A ligação com o amigo é central; não há defesa da solidão, mas de vínculo afetivo pós-morte.
- D) Hipocrisia das relações humanas: Não há ironia nem denúncia de falsidade; o tom é respeitoso e sincero.
- E) Desencanto pelo próximo: Ao contrário, o sentimento por quem permanece é de gratidão e afeto.
Dicas de prova: Cuidado com interpretações “negativas” ou centradas no isolamento em textos simbolistas. Atente aos sinais de continuidade espiritual/afetiva e aos símbolos que enriquecem o tema vida-morte.
Referências: Camilo Pessanha (Clepsidra) e análise do Simbolismo (Candido, Bosi, Afrânio Coutinho).
Resumo: O poema desenvolve o tópico relação vida-morte e permanência dos sentimentos, justificando a alternativa A como correta.
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