Questão 6d21d7ce-e0
Prova:FATEC 2012
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Homonímia, Paronímia, Sinonímia e Antonímia, Tipologia Textual
Pelos comentários feitos pelo narrador, pode-se concluir corretamente que
Pelos comentários feitos pelo narrador, pode-se concluir corretamente que
O labirinto dos manuais
Há alguns meses, troquei meu celular. Um modelo lindo, pequeno, prático. Segundo a vendedora, era capaz de tudo e mais um pouco. Fotografava, fazia vídeos, recebia e-mails e até servia para telefonar. Abri o manual, entusiasmado. “Agora eu aprendo”, decidi, folheando as 49 páginas. Já na primeira, tentei executar as funções. Duas horas depois, eu estava prestes a roer o aparelho. O manual tentava prever todas as possibilidades. Virou um labirinto de instruções! Na semana seguinte, tentei baixar o som da campainha. Só aumentava. Buscava o vibracall, não achava. Era só alguém me chamar e todo mundo em torno saía correndo, pensando que era o alarme de incêndio! Quem me salvou foi um motorista de táxi.
- Manual só confunde - disse didaticamente. - Dá uma de curioso. Insisti e finalmente descobri que estava no vibracall há meses! O único problema é que agora não consigo botar a campainha de volta!
Atualmente, estou de computador novo. Fiz o que toda pessoa minuciosa faria. Comprei um livro. Na capa, a promessa: “Rápido e fácil” - um guia prático, simples e colorido! Resolvi: “Vou seguir cada instrução, página por página. Do que adianta ter um supercomputador se não sei usá-lo?”. Quando cheguei à página 20, minha cabeça latejava. O livro tem 342! Cada vez que olho, dá vontade de chorar! Não seria melhor gastar o tempo relendo Guerra e Paz*?
Tudo foi criado para simplificar. Mas até o micro-ondas ficou difícil. A não ser que eu queira fazer pipoca, que possui sua tecla própria. Mas não posso me alimentar só de pipoca! Ainda se emagrecesse... E o fax com secretária eletrônica? O anterior era simples. Eu apertava um botão e apagava as mensagens. O atual exige que eu toque em um, depois em outro para confirmar, e de novo no primeiro! Outro dia, a luzinha estava piscando. Tentei ouvir a mensagem. A secretária disparou todas as mensagens, desde o início do ano!
Eu sei que para a garotada que está aí tudo parece muito simples. Mas o mundo é para todos, não é? Talvez alguém dê aulas para entender manuais! Ou o jeito seria aprender só aquilo de que tenho realmente necessidade, e não usar todas as funções. É o que a maioria das pessoas acaba fazendo!
O labirinto dos manuais
Há alguns meses, troquei meu celular. Um modelo lindo, pequeno, prático. Segundo a vendedora, era capaz de tudo e mais um pouco. Fotografava, fazia vídeos, recebia e-mails e até servia para telefonar. Abri o manual, entusiasmado. “Agora eu aprendo”, decidi, folheando as 49 páginas. Já na primeira, tentei executar as funções. Duas horas depois, eu estava prestes a roer o aparelho. O manual tentava prever todas as possibilidades. Virou um labirinto de instruções! Na semana seguinte, tentei baixar o som da campainha. Só aumentava. Buscava o vibracall, não achava. Era só alguém me chamar e todo mundo em torno saía correndo, pensando que era o alarme de incêndio! Quem me salvou foi um motorista de táxi.
- Manual só confunde - disse didaticamente. - Dá uma de curioso. Insisti e finalmente descobri que estava no vibracall há meses! O único problema é que agora não consigo botar a campainha de volta!
Atualmente, estou de computador novo. Fiz o que toda pessoa minuciosa faria. Comprei um livro. Na capa, a promessa: “Rápido e fácil” - um guia prático, simples e colorido! Resolvi: “Vou seguir cada instrução, página por página. Do que adianta ter um supercomputador se não sei usá-lo?”. Quando cheguei à página 20, minha cabeça latejava. O livro tem 342! Cada vez que olho, dá vontade de chorar! Não seria melhor gastar o tempo relendo Guerra e Paz*?
Tudo foi criado para simplificar. Mas até o micro-ondas ficou difícil. A não ser que eu queira fazer pipoca, que possui sua tecla própria. Mas não posso me alimentar só de pipoca! Ainda se emagrecesse... E o fax com secretária eletrônica? O anterior era simples. Eu apertava um botão e apagava as mensagens. O atual exige que eu toque em um, depois em outro para confirmar, e de novo no primeiro! Outro dia, a luzinha estava piscando. Tentei ouvir a mensagem. A secretária disparou todas as mensagens, desde o início do ano!
Eu sei que para a garotada que está aí tudo parece muito simples. Mas o mundo é para todos, não é? Talvez alguém dê aulas para entender manuais! Ou o jeito seria aprender só aquilo de que tenho realmente necessidade, e não usar todas as funções. É o que a maioria das pessoas acaba fazendo!
Há alguns meses, troquei meu celular. Um modelo lindo, pequeno, prático. Segundo a vendedora, era capaz de tudo e mais um pouco. Fotografava, fazia vídeos, recebia e-mails e até servia para telefonar. Abri o manual, entusiasmado. “Agora eu aprendo”, decidi, folheando as 49 páginas. Já na primeira, tentei executar as funções. Duas horas depois, eu estava prestes a roer o aparelho. O manual tentava prever todas as possibilidades. Virou um labirinto de instruções! Na semana seguinte, tentei baixar o som da campainha. Só aumentava. Buscava o vibracall, não achava. Era só alguém me chamar e todo mundo em torno saía correndo, pensando que era o alarme de incêndio! Quem me salvou foi um motorista de táxi.
- Manual só confunde - disse didaticamente. - Dá uma de curioso. Insisti e finalmente descobri que estava no vibracall há meses! O único problema é que agora não consigo botar a campainha de volta!
Atualmente, estou de computador novo. Fiz o que toda pessoa minuciosa faria. Comprei um livro. Na capa, a promessa: “Rápido e fácil” - um guia prático, simples e colorido! Resolvi: “Vou seguir cada instrução, página por página. Do que adianta ter um supercomputador se não sei usá-lo?”. Quando cheguei à página 20, minha cabeça latejava. O livro tem 342! Cada vez que olho, dá vontade de chorar! Não seria melhor gastar o tempo relendo Guerra e Paz*?
Tudo foi criado para simplificar. Mas até o micro-ondas ficou difícil. A não ser que eu queira fazer pipoca, que possui sua tecla própria. Mas não posso me alimentar só de pipoca! Ainda se emagrecesse... E o fax com secretária eletrônica? O anterior era simples. Eu apertava um botão e apagava as mensagens. O atual exige que eu toque em um, depois em outro para confirmar, e de novo no primeiro! Outro dia, a luzinha estava piscando. Tentei ouvir a mensagem. A secretária disparou todas as mensagens, desde o início do ano!
Eu sei que para a garotada que está aí tudo parece muito simples. Mas o mundo é para todos, não é? Talvez alguém dê aulas para entender manuais! Ou o jeito seria aprender só aquilo de que tenho realmente necessidade, e não usar todas as funções. É o que a maioria das pessoas acaba fazendo!
A
a leitura de obras-primas da literatura é atividade mais produtiva do que utilizar celulares e computadores.
B
os manuais cujas diversas instruções os usuários não conseguem compreender e pôr em prática são improdutivos.
C
a vendedora foi convincente, pois o narrador comprou o celular, embora duvidasse das qualidades prometidas pelo aparelho
D
o manual sobre computadores, ao contrário de outros do gênero, cumpria a promessa assumida nos dizeres impressos na capa
E
os jovens deveriam ensinar computação aos mais velhos, pois, dessa forma, estes últimos entenderiam as funções básicas do equipamento.
Gabarito comentado
R
Rafael SouzaMonitor com apoio de IA
Gabarito: B
Fundamento decisivo: A questão pede uma inferência global a partir dos comentários do narrador. O trecho “O manual tentava prever todas as possibilidades. Virou um labirinto de instruções!” é o ponto decisivo porque mostra que o manual, em vez de orientar o uso, confunde o usuário; por isso, a alternativa B é a que melhor traduz essa conclusão.
Tema central: utilidade dos manuais
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa transforma um comentário episódico e irônico em tese geral. A menção a “Não seria melhor gastar o tempo relendo Guerra e Paz?” serve para expressar o cansaço do narrador diante do guia de instruções, não para afirmar a superioridade da literatura sobre celulares e computadores.
B
Certa
A alternativa B sintetiza exatamente a tese construída ao longo do texto: os manuais e guias, embora existam para facilitar o uso dos aparelhos, mostram-se extensos, confusos e pouco funcionais na experiência narrada. Isso aparece tanto na imagem do “labirinto de instruções” quanto no reforço “Manual só confunde” e no relato do livro de computador que prometia ser “Rápido e fácil”, mas provoca cansaço e frustração. Logo, o texto autoriza concluir que manuais cujas instruções o usuário não consegue compreender e aplicar são improdutivos em sua finalidade.
C
Errada
A alternativa atribui ao narrador uma desconfiança prévia que o texto não apresenta. Ao contrário, ele recebe o aparelho com expectativa positiva: abre o manual “entusiasmado” e pensa “Agora eu aprendo”. A frustração surge depois do uso, não antes da compra.
D
Errada
A alternativa contraria diretamente o relato. O livro de computador não cumpre a promessa de ser “Rápido e fácil”; o narrador diz: “Quando cheguei à página 20, minha cabeça latejava. O livro tem 342! Cada vez que olho, dá vontade de chorar!”. Há oposição entre a promessa da capa e a experiência efetiva de leitura.
E
Errada
A alternativa extrapola uma observação do texto para uma proposta que não foi formulada. O narrador apenas comenta que “para a garotada que está aí tudo parece muito simples”, mas não defende que os jovens devam ensinar os mais velhos nem apresenta isso como solução explícita.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre comentários laterais do narrador e a tese central do texto: a ironia sobre “Guerra e Paz”, a observação sobre a “garotada” e a promessa da capa podem desviar o leitor, mas o núcleo do texto é a crítica aos manuais que confundem em vez de orientar.
Dica para questões semelhantes
- Localize o juízo repetido pelo narrador ao longo do texto; a conclusão correta costuma resumir esse eixo, não uma frase isolada.
- Separe comentário irônico ou hiperbólico de tese global antes de marcar a alternativa.
- Quando a questão pede conclusão, elimine opções que acrescentam proposta, obrigação ou intenção que o texto não formula explicitamente.






