Esse poema exemplifica uma característica marcante da estética barroca:
Leia o poema de Gregório de Matos para responder à questão.
Discreta, e formosíssima Maria,
Enquanto estamos vendo a qualquer hora
Em tuas faces a rosada Aurora,
Em teus olhos, e boca o Sol, e o dia:
Enquanto com gentil descortesia
O ar, que fresco Adônis te namora,
Te espalha a rica trança voadora,
Quando vem passear-te pela fria:
Goza, goza da flor da mocidade,
Que o tempo trota a toda ligeireza,
E imprime em toda a flor sua pisada
Oh não aguardes, que a madura idade
Te converta em flor, essa beleza
Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.
(www.itaucultural.org.br)
Discreta, e formosíssima Maria,
Enquanto estamos vendo a qualquer hora
Em tuas faces a rosada Aurora,
Em teus olhos, e boca o Sol, e o dia:
Enquanto com gentil descortesia
O ar, que fresco Adônis te namora,
Te espalha a rica trança voadora,
Quando vem passear-te pela fria:
Goza, goza da flor da mocidade,
Que o tempo trota a toda ligeireza,
E imprime em toda a flor sua pisada
Oh não aguardes, que a madura idade
Te converta em flor, essa beleza
Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.
(www.itaucultural.org.br)
Gabarito comentado
Resposta correta: Alternativa A
Tema central: reconhecer traços da estética barroca em um poema — especialmente a ênfase na transitoriedade da vida (vanitas/memento mori) e a recomendação de aproveitar a juventude (carpe diem).
Resumo teórico: o Barroco (séculos XVII–XVIII no Brasil colonial) trabalha muito com o contraste, a angústia e a consciência da finitude. Dois motivos-chave: vanitas (tudo é vaidade, perecível) e carpe diem (aproveitar o presente). Fontes de apoio: dicionários literários e manuais de História da Literatura (ver, por exemplo, Oxford Reference; enciclopédias sobre barroco).
Justificativa da alternativa A: o poema exorta Maria a aproveitar a juventude — “Goza, goza da flor da mocidade” — e em seguida alerta para a ação do tempo — “Que o tempo trota a toda ligeireza” e “Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.” Esses versos expressam claramente a fugacidade da vida e a recomendação de aproveitá-la, característica típica do barroco.
Análise das alternativas incorretas:
B — “necessidade de controlar emoções e desejos”: isso remete mais ao classicismo (controle, equilíbrio). O poema não moraliza o desejo nem pede contenção; incentiva o gozo do tempo presente.
C — “reconhecimento social do idoso”: contradiz o texto, que destaca a perda da beleza com a idade, não a exaltação do idoso.
D — “prática da corte amorosa como acesso ao reino do céu”: tema ligado à poesia cortesã medieval/renascentista; aqui o foco é temporalidade e efemeridade, não transcendência religiosa pela cortesia.
E — “crença na continuidade após a morte”: o poema enfatiza o oposto — dissolução em “terra, cinza, pó” — ou seja, finitude, não continuidade espiritual.
Estratégia para concursos: busque palavras-chave no poema (tempo, flor, pó, goza) e relacione a imagem a conceitos estilísticos (carpe diem, vanitas). Desconfie de alternativas que introduzem temas ausentes no texto (p. ex. louvor ao idoso, esperança pós-morte).
Fonte resumida: manuais de História da Literatura e dicionários literários sobre Barroco (Encyclopaedia Britannica / Oxford Reference).
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