Em relação à oração – é coisa dos vivos –, os enunciados
– Ter medo da morte – (1.ª estrofe) e – Ter apego ao
mundo – (2.ª estrofe) exercem a função sintática de
Redundâncias
Ter medo da morteé coisa dos vivoso morto está livrede tudo o que é vida
Ter apego ao mundoé coisa dos vivospara o morto não há(não houve)raios rios risos
E ninguém vive a mortequer morto quer vivomera noção que existesó enquanto existo(Ferreira Gullar, Muitas vozes)
Gabarito comentado
Tema central da questão: Sintaxe – Função sintática de orações reduzidas de infinitivo em sentenças complexas.
A questão exige reconhecer o papel de frases como "Ter medo da morte" e "Ter apego ao mundo" na oração "é coisa dos vivos".
Regra fundamental: Conforme a norma-padrão, essas construções são orações reduzidas de infinitivo e, aqui, atuam como sujeito do verbo “é”. Observe:
Se substituirmos as orações por “isso”, a frase permanece correta: “Isso é coisa dos vivos.” Essa substituição só é possível quando o termo exerce função de sujeito. Gramaticalmente, isso é chamado de oração subordinada substantiva subjetiva, segundo Bechara ou Cunha & Cintra.
Explicação da alternativa correta (A – sujeito):
As orações "Ter medo da morte" e "Ter apego ao mundo" são sujeitos do predicado "é coisa dos vivos". O verbo “é” está no singular, pois concorda com cada sujeito formado por uma dessas orações substantivas. Esta fórmula é clássica: “É fundamental que você estude.” (o que é fundamental? Que você estude – sujeito!)
Análise das alternativas incorretas:
B) Predicativo do sujeito: O predicativo nesse caso é “coisa dos vivos”, pois caracteriza o sujeito.
C) Objeto direto: Objeto direto complementa verbos transitivos, não é o caso aqui.
D) Adjunto adnominal: Essa função recai sobre termos ligados a substantivos, qualificando-os. A oração não exerce esse papel.
E) Complemento nominal: Completa o sentido de nomes que exigem complemento, normalmente preposicionado – o que não ocorre nessas orações.
Estratégia para provas: Sempre que encontrar frase no infinitivo antecedendo “é” + substantivo, suspeite de sujeito oracional. Substitua por “isso” para testar. Cuidado com pegadinhas: predicativo nunca é termo em infinitivo, e objetos complementam ação verbal, não sentido de ser/estar.
Autores como Cunha & Cintra reforçam que “orações subordinadas substantivas podem assumir todos os papéis de substantivos no período, inclusive o de sujeito.”
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