Questão 5933c01b-42
Prova:UFAL 2013
Disciplina:Português
Assunto:Morfologia - Verbos, Classificação dos verbos (Regulares, Irregulares, Defectivos, Abundantes, Unipessoais, Pronominais)

A impessoalidade que ocorre na forma verbal da oração “Há mais de um século [...]” é também percebida em

BICHO-CARPINTEIRO
Há mais de um século a expressão “ter (ou estar com) bicho-carpinteiro” significa “ser muito inquieto, não parar no lugar”. Faz pouco tempo, porém, os reformadores da fraseologia começaram a espalhar a seguinte tese fraudulenta: “O certo é ter bicho no corpo inteiro”. Errado. O dislate parte assumidamente da ignorância de um fato básico da língua: o de que existe uma criatura chamada bicho-carpinteiro. Segundo o Houaiss, ele é o nome popular e genérico de “diversas espécies de besouro, especialmente das famílias dos buprestídeos e cerambicídeos, que durante o estágio larvar brocam troncos e cascas de árvores”. Como se vê, a ideia da velha expressão é propor uma metáfora: a de que, como as árvores sob a casca, a pessoa irrequieta tem sob a pele as larvas desses insetos a se remexer constantemente, fazendo cócegas e não a deixando sossegada.
Sobre palavras. Revista Veja. Edição 2.347/ Ano 46/ Nº 46. 13 nov. 2013. 

A
“O certo é ter bicho no corpo inteiro”.
B
“[...] ele é o nome popular e genérico de “diversas espécies de besouro, [...]”.
C
“Como se vê, a ideia da velha expressão é propor uma metáfora [...]”.
D
“Faz pouco tempo, porém, [...]”.
E
“[...] fazendo cócegas e não a deixando sossegada”.

Gabarito comentado

D
Daniel AzevedoMonitor com apoio de IA

Gabarito: D

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a impessoalidade verbal em valor temporal: em “Há mais de um século [...]” e em “Faz pouco tempo, porém, [...]”, os verbos indicam tempo decorrido, não têm sujeito e permanecem na 3ª pessoa do singular. Por isso, a alternativa D é a única que reproduz a mesma impessoalidade da oração-modelo.

Tema central: verbos impessoais temporais
Análise das alternativas
A
Errada
Em “O certo é ter bicho no corpo inteiro”, não há verbo impessoal temporal. “É” tem sujeito expresso, “O certo”, e “ter” aparece no infinitivo como parte da estrutura predicativa. A alternativa erra por confundir infinitivo impessoal com verbo impessoal do tipo de “há” e “faz” em expressão de tempo decorrido.
B
Errada
Em “[...] ele é o nome popular e genérico de “diversas espécies de besouro, [...]””, o verbo “é” é de ligação e tem sujeito determinado: “ele”. Portanto, a oração não apresenta impessoalidade. O sujeito está expresso, o que exclui a equivalência com “Há mais de um século [...]”.
C
Errada
Em “Como se vê, a ideia da velha expressão é propor uma metáfora [...]”, a construção “se vê” pode induzir confusão, mas não corresponde à impessoalidade verbal temporal cobrada pela questão. Além disso, na oração principal, “é” tem sujeito expresso: “a ideia da velha expressão”. O erro da alternativa é trocar o fenômeno pedido por outro tipo de construção.
D
Certa
A alternativa D está correta porque, em “Faz pouco tempo, porém, [...]”, o verbo fazer exprime tempo transcorrido. Nesse uso, ele é impessoal, isto é, não possui sujeito, exatamente como ocorre com “há” em “Há mais de um século [...]”. A correspondência pedida pela questão é essa equivalência sintático-semântica de impessoalidade verbal em expressão temporal.
E
Errada
Em “[...] fazendo cócegas e não a deixando sossegada”, “fazendo” está no gerúndio e exprime ação atribuída, no contexto, a “as larvas desses insetos”. Não se trata de verbo impessoal nem de valor temporal. A alternativa explora apenas a semelhança formal com o verbo “fazer”, mas aqui o uso é lexical de ação, não impessoal.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre verbos realmente impessoais em valor temporal e outras estruturas que só parecem semelhantes: infinitivo (“ter”), construção com “se” (“se vê”) e forma do verbo “fazer” com sentido de ação (“fazendo”).
Dica para questões semelhantes
  • Quando o enunciado mencionar impessoalidade, verifique se o verbo está sem sujeito e com valor de existência ou tempo decorrido.
  • Em expressões temporais, “haver” e “fazer” podem ser impessoais; o ponto decisivo é o sentido de tempo transcorrido.
  • Não iguale infinitivo impessoal a verbo impessoal: “ter” no infinitivo não equivale a “há” ou “faz” temporais.
  • Se houver construção com “se” ou gerúndio, confirme se a questão pede exatamente o mesmo fenômeno gramatical do modelo.

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