Questão 36a0c1b2-b7
Prova:UEPB 2010
Disciplina:Literatura
Assunto:Modernismo: Tendências contemporâneas, Escolas Literárias
Quando se compara literatura e cinema, o primeiro fato que ocorre ao estudioso é o do enorme fosso semiótico que separa, aparentemente de
modo inconciliável, essas duas formas de expressão, fundadas, cada uma, em espécies de signos e códigos tão diferentes. A literatura,
acredita-se, não vai ter nunca a mobilidade plástica do cinema, e este, por sua vez, nunca o nível de abstração da literatura. Por outro lado, por
grande e intransponível que seja esse fosso, há um número considerável de semelhanças que podem ser apontadas e que mantêm literatura
e cinema numa espécie de estado sincrônico de compatibilidade permanente.
BRITO. J.B. Literatura no cinema. São Paulo: Unimarco, 2006.
Os diálogos entre literatura e cinema, frutos da reflexão de diversos pensadores, como o crítico de cinema paraibano João Batista de Brito, e
da prática artística de inúmeros escritores e diretores, NÃO permitem concluir que
Quando se compara literatura e cinema, o primeiro fato que ocorre ao estudioso é o do enorme fosso semiótico que separa, aparentemente de
modo inconciliável, essas duas formas de expressão, fundadas, cada uma, em espécies de signos e códigos tão diferentes. A literatura,
acredita-se, não vai ter nunca a mobilidade plástica do cinema, e este, por sua vez, nunca o nível de abstração da literatura. Por outro lado, por
grande e intransponível que seja esse fosso, há um número considerável de semelhanças que podem ser apontadas e que mantêm literatura
e cinema numa espécie de estado sincrônico de compatibilidade permanente.
BRITO. J.B. Literatura no cinema. São Paulo: Unimarco, 2006.
Os diálogos entre literatura e cinema, frutos da reflexão de diversos pensadores, como o crítico de cinema paraibano João Batista de Brito, e
da prática artística de inúmeros escritores e diretores, NÃO permitem concluir que
A
a interação entre cinema e literatura é característica de uma fase da produção do conhecimento humano em que nenhum campo do saber
pode estar isolado sem remeter a um todo que compreende a cultura de uma época e o enriquecimento mútuo, que hoje chamamos de
interdisciplinaridade e/ou interartisticidade.
B
nenhuma forma de interação entre diferentes campos de arte e de linguagem pode gerar bons resultados estéticos em virtude das
especificidades de cada uma delas.
C
o século XX produziu uma interação ininterrupta entre cinema e literatura, comprovada pela maneira como o cinema incorporou a
narratividade própria ao texto literário e como a literatura se utilizou do princípio da montagem cinematográfica como, por exemplo, em
Memórias sentimentais de João Miramar de Oswald de Andrade, e em Vidas secas de Graciliano Ramos.
D
Literatura e cinema foram duas das artes mais influentes do Modernismo, que compreende as últimas décadas do século XIX e as
primeiras décadas da segunda metade do século XX, e juntas ajudaram a fundamentar os princípios estéticos do que hoje compreendemos
como arte.
E
a literatura brasileira tem sido uma rica fonte para diversos realizadores do cinema que têm, através do diálogo com ela, produzido alguns
dos mais importantes filmes do cinema nacional, tais como Os inconfidentes, Lavoura arcaica e Cidade de Deus.
Gabarito comentado
P
Paula DelgadoMonitor com apoio de IA
Gabarito: B
Fundamento decisivo: O critério decisivo é semântico: o texto-base afirma que, apesar do “enorme fosso semiótico”, “há um número considerável de semelhanças” que mantêm literatura e cinema em “compatibilidade permanente”; por isso, a alternativa B, ao negar de forma absoluta a possibilidade de interação estética produtiva entre artes distintas, é a única incompatível com o enunciado e com o gabarito oficial.
Tema central: diálogo entre literatura e cinema
Análise das alternativas
A
Errada
Não é a resposta porque é compatível com a ideia central do enunciado. A formulação sobre enriquecimento mútuo entre campos artísticos distintos converge com a noção de compatibilidade entre literatura e cinema. Embora o texto não use expressamente os termos “interdisciplinaridade” ou “interartisticidade”, a alternativa não contraria o fundamento central da questão.
B
Certa
A alternativa B é o gabarito porque contradiz diretamente a tese expressa no trecho de João Batista de Brito. O enunciado reconhece diferenças de código entre literatura e cinema, mas rejeita a inconciliabilidade absoluta ao afirmar semelhanças e “compatibilidade permanente”. Por isso, não se sustenta a afirmação de que nenhuma interação entre diferentes artes e linguagens possa gerar bons resultados estéticos. O erro decisivo da alternativa está na generalização negativa absoluta, incompatível com o texto-base.
C
Errada
Não é a resposta porque sustenta a existência de interação efetiva entre literatura e cinema no século XX, o que está de acordo com o texto-base. O critério eliminatório aqui é conceitual: a alternativa afirma diálogo histórico e formal entre as duas artes, e isso é compatível com a tese de semelhanças e compatibilidade permanente.
D
Errada
Não é a resposta porque, apesar da imprecisão histórica na delimitação do Modernismo, não é a alternativa que frontalmente contraria a tese central do enunciado. O critério decisivo da questão não é a periodização histórica do Modernismo, mas a possibilidade de diálogo estético entre literatura e cinema. Segundo a base e o gabarito oficial, o erro decisivo está apenas na negação absoluta dessa interação, presente em B.
E
Errada
Não é a resposta porque a alternativa confirma a ideia de diálogo entre literatura e cinema ao apresentar a literatura brasileira como fonte para o cinema nacional. Isso converge com o fundamento de compatibilidade entre as artes. A base ainda alerta que a alternativa pode suscitar discussão factual sobre os exemplos, mas isso não altera o critério principal de resolução.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de ler “fosso semiótico” como se significasse impossibilidade total de diálogo, ignorando que o próprio texto corrige essa impressão ao afirmar “semelhanças” e “compatibilidade permanente”; somado a isso, o comando pede a alternativa que NÃO se pode concluir.
Dica para questões semelhantes
- Em questões com comando negativo, identifique primeiro a tese afirmada no texto e procure a alternativa que a contradiz diretamente.
- Quando o texto admite diferença entre linguagens, verifique se ele também afirma aproximação, compatibilidade ou influência; diferença de código não equivale a impossibilidade de diálogo.
- Desconfie de alternativas com termos absolutos como “nenhuma”, “nunca” e “não pode” quando o texto-base trabalha com compatibilidade ou aproximações.
- Não deixe imprecisões secundárias de outras alternativas sobrepor o critério central de resolução fixado pelo enunciado.






