“– É para satisfazer nosso apetite que a natureza é generosa,
pondo seus frutos ao nosso alcance, desde que trabalhemos
por merecê-los.” (9o
parágrafo)
Considerado no contexto, o trecho sublinhado expressa
ideia de
– Meu coração está apertado de ver tantas marcas no teu
rosto, meu filho; essa é a colheita de quem abandona a casa
por uma vida pródiga.
– A prodigalidade também existia em nossa casa.
– Como, meu filho?
– A prodigalidade sempre existiu em nossa mesa.
– Nossa mesa é comedida, é austera, não existe desperdício nela, salvo nos dias de festa.
– Mas comemos sempre com apetite.
– O apetite é permitido, não agrava nossa dignidade,
desde que seja moderado.
– Mas comemos até que ele desapareça; é assim que
cada um em casa sempre se levantou da mesa.
– É para satisfazer nosso apetite que a natureza é generosa, pondo seus frutos ao nosso alcance, desde que trabalhemos por merecê-los. Não fosse o apetite, não teríamos
forças para buscar o alimento que torna possível a sobrevivência. O apetite é sagrado, meu filho.
– Eu não disse o contrário, acontece que muitos trabalham, gemem o tempo todo, esgotam suas forças, fazem tudo
que é possível, mas não conseguem apaziguar a fome.
– Você diz coisas estranhas, meu filho.
(Lavoura arcaica, 2001.)
– Meu coração está apertado de ver tantas marcas no teu rosto, meu filho; essa é a colheita de quem abandona a casa por uma vida pródiga.
– A prodigalidade também existia em nossa casa.
– Como, meu filho?
– A prodigalidade sempre existiu em nossa mesa.
– Nossa mesa é comedida, é austera, não existe desperdício nela, salvo nos dias de festa.
– Mas comemos sempre com apetite.
– O apetite é permitido, não agrava nossa dignidade, desde que seja moderado.
– Mas comemos até que ele desapareça; é assim que cada um em casa sempre se levantou da mesa.
– É para satisfazer nosso apetite que a natureza é generosa, pondo seus frutos ao nosso alcance, desde que trabalhemos por merecê-los. Não fosse o apetite, não teríamos forças para buscar o alimento que torna possível a sobrevivência. O apetite é sagrado, meu filho.
– Eu não disse o contrário, acontece que muitos trabalham, gemem o tempo todo, esgotam suas forças, fazem tudo que é possível, mas não conseguem apaziguar a fome.
– Você diz coisas estranhas, meu filho.
(Lavoura arcaica, 2001.)
Gabarito comentado
Tema central: Interpretação de texto e análise semântica de conjunções subordinativas condicionais.
No trecho analisado, temos: “desde que trabalhemos por merecê-los”. Aqui, o uso da locução conjuntiva "desde que" é o ponto-chave para resolver a questão.
Regra gramatical: Segundo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), a expressão "desde que" é uma conjunção subordinativa condicional, estabelecendo uma condição para a realização da ação principal. A frase transmite: “A natureza é generosa… se trabalharmos para merecer”. O sentido é de condição: a generosidade natural depende de um fator – o trabalho.
Veja um exemplo equivalente: “Você terá sucesso, desde que se esforce.” Novamente, temos a exigência de uma condição.
Por que as outras alternativas estão erradas?
- A) causa: Errado, pois “desde que” não indica motivo, mas um fator condicionante.
- B) consequência: Errado, pois não há relação de resultado, mas de pré-requisito.
- D) concessão: Errado, pois concessão ocorre com conectivos como “embora”, mostrando contraste; aqui não há oposição ao fato principal.
- E) conclusão: Errado, pois não há desfecho ou síntese da ideia anterior.
Estratégia para provas: Fique atento às locuções conjuntivas! “Desde que”, “caso”, “contanto que” são condicionais — pense sempre em “se”. Outras, como “porque” (causa), “assim que” (tempo), “embora” (concessão), possuem sentidos diferentes. Essa diferenciação cai frequentemente em concursos!
Resumo da alternativa correta: A resposta certa é C) condição, pois “desde que” estabelece uma condição necessária à ação principal, de acordo com a norma culta (cf. Bechara).
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