Questão 2f2be776-cf
Prova:IF-BA 2011
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos
A alternativa que apresenta outros versos de Drummond que remetem a uma ideia semelhante à sugerida na última estrofe do poema é
A alternativa que apresenta outros versos de Drummond que remetem a uma ideia semelhante à sugerida na última estrofe do poema é
TEXTO II
A noite dissolve os homens
A noite
desceu. Que noite!
Já não enxergo meus irmãos.
E nem tão pouco os rumores que outrora me perturbavam.
A noite desceu. Nas casas, nas ruas onde se combate,
nos campos desfalecidos, a noite espalhou o medo e a total
incompreensão.
A noite caiu. Tremenda, sem esperança...
Os suspiros acusam a presença negra que paralisa os
guerreiros.
E o amor não abre caminho na noite.
A noite é mortal, completa, sem reticências,
a noite dissolve os homens, diz que é inútil sofrer,
a noite dissolve as pátrias, apagou os almirantes cintilantes!
nas suas fardas.
A noite anoiteceu tudo... O mundo não tem remédio...
Os suicidas tinham razão.
Aurora, entretanto eu te diviso,
ainda tímida, inexperiente das luzes que vais ascender
e dos bens que repartirás com todos os homens.
Sob o úmido véu de raivas, queixas e humilhações,
adivinho-te que sobes,
vapor róseo, expulsando a treva noturna.
O triste mundo fascista se decompõe ao contato de teus
dedos,
teus dedos frios, que ainda se não modelaram mas que
avançam
na escuridão
como um sinal verde e peremptório.
Minha fadiga encontrará em ti o seu termo,
minha carne estremece na certeza de tua vinda.
O suor é um óleo suave, as mãos dos sobreviventes
se enlaçam,
os corpos hirtos adquirem uma fluidez, uma inocência, um
perdão
simples e macio...
Havemos de amanhecer.
O mundo se tinge com as tintas da antemanhã
e o sangue que escorre é doce, de tão necessário
para colorir tuas pálidas faces, aurora.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Obra completa. Vol. único. Rio de Janeiro: Aguillar, 1964, p.112)
TEXTO II
A noite dissolve os homens
A noite
desceu. Que noite!
Já não enxergo meus irmãos.
E nem tão pouco os rumores que outrora me perturbavam.
A noite desceu. Nas casas, nas ruas onde se combate,
nos campos desfalecidos, a noite espalhou o medo e a total
incompreensão.
A noite caiu. Tremenda, sem esperança...
Os suspiros acusam a presença negra que paralisa os
guerreiros.
E o amor não abre caminho na noite.
A noite é mortal, completa, sem reticências,
a noite dissolve os homens, diz que é inútil sofrer,
a noite dissolve as pátrias, apagou os almirantes cintilantes!
nas suas fardas.
A noite anoiteceu tudo... O mundo não tem remédio...
Os suicidas tinham razão.
Aurora, entretanto eu te diviso,
ainda tímida, inexperiente das luzes que vais ascender
e dos bens que repartirás com todos os homens.
Sob o úmido véu de raivas, queixas e humilhações,
adivinho-te que sobes,
vapor róseo, expulsando a treva noturna.
O triste mundo fascista se decompõe ao contato de teus
dedos,
teus dedos frios, que ainda se não modelaram mas que
avançam
na escuridão
como um sinal verde e peremptório.
Minha fadiga encontrará em ti o seu termo,
minha carne estremece na certeza de tua vinda.
O suor é um óleo suave, as mãos dos sobreviventes
se enlaçam,
os corpos hirtos adquirem uma fluidez, uma inocência, um
perdão
simples e macio...
Havemos de amanhecer.
O mundo se tinge com as tintas da antemanhã
e o sangue que escorre é doce, de tão necessário
para colorir tuas pálidas faces, aurora.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Obra completa. Vol. único. Rio de Janeiro: Aguillar, 1964, p.112)
A noite dissolve os homens
A noite
desceu. Que noite!
Já não enxergo meus irmãos.
E nem tão pouco os rumores que outrora me perturbavam.
A noite desceu. Nas casas, nas ruas onde se combate,
nos campos desfalecidos, a noite espalhou o medo e a total
incompreensão.
A noite caiu. Tremenda, sem esperança...
Os suspiros acusam a presença negra que paralisa os
guerreiros.
E o amor não abre caminho na noite.
A noite é mortal, completa, sem reticências,
a noite dissolve os homens, diz que é inútil sofrer,
a noite dissolve as pátrias, apagou os almirantes cintilantes!
nas suas fardas.
A noite anoiteceu tudo... O mundo não tem remédio...
Os suicidas tinham razão.
Aurora, entretanto eu te diviso,
ainda tímida, inexperiente das luzes que vais ascender
e dos bens que repartirás com todos os homens.
Sob o úmido véu de raivas, queixas e humilhações,
adivinho-te que sobes,
vapor róseo, expulsando a treva noturna.
O triste mundo fascista se decompõe ao contato de teus
dedos,
teus dedos frios, que ainda se não modelaram mas que
avançam
na escuridão
como um sinal verde e peremptório.
Minha fadiga encontrará em ti o seu termo,
minha carne estremece na certeza de tua vinda.
O suor é um óleo suave, as mãos dos sobreviventes
se enlaçam,
os corpos hirtos adquirem uma fluidez, uma inocência, um
perdão
simples e macio...
Havemos de amanhecer.
O mundo se tinge com as tintas da antemanhã
e o sangue que escorre é doce, de tão necessário
para colorir tuas pálidas faces, aurora.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Obra completa. Vol. único. Rio de Janeiro: Aguillar, 1964, p.112)
A
“Tempo em que não se diz mais: meu amor/Porque o amor resultou inútil.”
B
”Somente a contemplação/de um mundo enorme e parado./A soma da vida é nula.”
C
"E agora, José?/ A festa acabou./a luz apagou,/o povo sumiu,/a noite esfriou,/e agora, José?"
D
"Entre o amor e o fogo,/entre a vida e o fogo,/meu coração cresce dez metros e explode./- ‘Ó’ vida futura! Nós te criaremos."
E
"Provisoriamente não cantaremos o amor,/ que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos/ Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços."
Gabarito comentado
H
Heitor Braga Monitor com apoio de IA
Gabarito: D
Fundamento decisivo: O critério decisivo é a convergência semântica com a última estrofe, que projeta futuro, transformação e esperança coletiva: “Havemos de amanhecer. / O mundo se tinge com as tintas da antemanhã / e o sangue que escorre é doce, de tão necessário / para colorir tuas pálidas faces, aurora.” Como o comando pede versos que remetam a ideia semelhante, a resposta deve preservar esse vetor de superação e construção do porvir; por isso, a correta é a alternativa D.
Tema central: esperança de futuro coletivo
Análise das alternativas
A
Errada
Os versos indicam inutilidade do amor: “Porque o amor resultou inútil.” Esse sentido é de frustração e esvaziamento, enquanto a última estrofe do poema-base afirma amanhecer, aurora e futuro necessário. O erro da alternativa está na divergência semântica entre negatividade estéril e esperança transformadora.
B
Errada
“A soma da vida é nula” expressa nulidade e saldo existencial negativo. Isso contraria diretamente o sentido afirmativo de “Havemos de amanhecer”, em que há superação e renovação. A alternativa é eliminada por oposição entre niilismo/paralisia e expectativa de renascimento.
C
Errada
Apesar da presença de imagens como “a luz apagou” e “a noite esfriou”, o sentido global é de impasse, perda e desamparo. A última estrofe do poema-base já saiu desse campo semântico e se concentra no amanhecer. A incorreção decorre de semelhança superficial de imagens noturnas, mas divergência no desfecho de sentido.
D
Certa
A alternativa D é a única que retoma a mesma direção de sentido da estrofe final: não apenas menciona vida, mas afirma um futuro a ser construído pela ação humana — “Ó vida futura! Nós te criaremos.” Isso coincide com “Havemos de amanhecer” e com a imagem da aurora como renovação histórica produzida por luta e necessidade. O ponto comum não é vocabular, mas semântico: esperança ativa, transformadora e coletiva.
E
Errada
Os versos destacam “o medo, que esteriliza os abraços”, isto é, a força paralisante do medo. Isso se aproxima de partes sombrias anteriores do poema, não da última estrofe, que marca a superação pela aurora. A alternativa erra por fixar-se no campo semântico do medo, incompatível com a esperança regeneradora final.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de ler o poema pelo seu início sombrio e escolher versos com “noite”, “medo” ou esvaziamento. Mas o comando recorta a ideia da última estrofe, que já desloca o sentido para a aurora, o amanhecer e a construção coletiva do futuro.
Dica para questões semelhantes
- Quando o enunciado recortar um trecho específico, compare o sentido desse recorte, não o clima geral do texto inteiro.
- Em questões de semelhança entre versos, procure equivalência de sentido global, não repetição de palavras ou imagens.
- Diferencie negatividade inicial de virada final do texto: aqui, o ponto decisivo é a passagem da treva para a esperança histórica.
- Se o trecho-base trouxer marcas como “Havemos de amanhecer”, priorize alternativas com futuro afirmado e construção coletiva.






