Questão 29b5a42f-ec
Prova:CÁSPER LÍBERO 2011
Disciplina:Literatura
Assunto:Escolas Literárias, Romantismo
“Fora Leonardo algibebe em Lisboa, sua pátria; aborrecera-se porém do negócio,
e viera ao Brasil. (...) Mas viera com ele no mesmo navio, não sei fazer o quê, uma
certa Maria da hortaliça, quitandeira das praças de Lisboa, saloia rechonchuda e
bonitona”. (Memórias de um sargento de milícias. Manuel Antônio de Almeida). No
“tempo do rei”, a afluência de consumidores para a área urbana do Rio de Janeiro
foi um dos fatores que caracterizaram as transformações das relações econômicas
do Brasil com a Europa. Sobre essa fase de redefinição das relações internacionais do
País, é correto afirmar que:
“Fora Leonardo algibebe em Lisboa, sua pátria; aborrecera-se porém do negócio,
e viera ao Brasil. (...) Mas viera com ele no mesmo navio, não sei fazer o quê, uma
certa Maria da hortaliça, quitandeira das praças de Lisboa, saloia rechonchuda e
bonitona”. (Memórias de um sargento de milícias. Manuel Antônio de Almeida). No
“tempo do rei”, a afluência de consumidores para a área urbana do Rio de Janeiro
foi um dos fatores que caracterizaram as transformações das relações econômicas
do Brasil com a Europa. Sobre essa fase de redefinição das relações internacionais do
País, é correto afirmar que:
A
Ela abre os portos brasileiros para os produtos ingleses por meio do Tratado de Methuen, que
em contrapartida garante à Coroa portuguesa o direito de utilização da moderna frota de navios ingleses para o transporte de vinhos e azeites para a Europa, reduzindo o desequilíbrio
de sua balança comercial.
B
Ela inaugura o desenvolvimento das manufaturas brasileiras – por meio do decreto de
elevação do Brasil a integrante do Reino Unido de Portugal e Algarves –, que passaram a
concorrer com alguns produtos ingleses e contribuíram para estabelecer o modelo econômico
liberal no Brasil.
C
Ela testemunha o acordo conhecido como “convenção secreta”, por meio do qual Portugal
concedia à Inglaterra vantagens coloniais sobre o comércio com o Brasil que aliviariam a crise
militar e econômica gerada pela derrota nas guerras napoleônicas.
D
Ela estabelece vantagens comerciais para a Inglaterra por meio dos três “Tratados de 1810”,
que previam a fundação do Banco do Brasil, para o controle das relações comerciais e
creditícias entre os dois países, além da instalação de indústrias de ferro em Minas Gerais e em
São Paulo.
E
Ela contribui para amenizar a crise de superprodução inglesa intensificada pelo Bloqueio
Continental por meio dos “Tratados Strangford”, que determinam taxas inferiores de
importação para mercadorias inglesas e expressam a transição da exploração colonial
portuguesa para o domínio econômico inglês.
Gabarito comentado
J
João Victor RibeiroMonitor com apoio de IA
Gabarito: E
Fundamento decisivo: O critério decisivo é reconhecer o período joanino como o momento de abertura comercial do Brasil, com redefinição das relações internacionais do país e vantagens comerciais concedidas à Inglaterra, especialmente por meio de taxas inferiores de importação para mercadorias inglesas; por isso, a alternativa correta é a que associa esse processo à transição da exploração colonial portuguesa para o domínio econômico inglês.
Tema central: Período joanino e comércio externo
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada por anacronismo e por identificar o tratado errado. O Tratado de Methuen é de 1703, ligado às relações entre vinhos portugueses e tecidos ingleses, e não foi o instrumento da abertura dos portos brasileiros no período joanino. Além disso, a alternativa descreve incorretamente sua lógica econômica.
B
Errada
Está errada porque confunde uma medida político-administrativa com um efeito econômico que a base não sustenta. A elevação do Brasil a Reino Unido, em 1815, teve sentido político-administrativo e não inaugurou, por si, um desenvolvimento manufatureiro brasileiro concorrente com produtos ingleses. Isso contraria o quadro de predominância inglesa no comércio.
C
Errada
Está errada porque desvia do eixo decisivo da questão: a base cobra a abertura dos portos no período joanino e os Tratados de 1810 com a Inglaterra, não uma 'convenção secreta'. A formulação apresentada não explica a redefinição das relações econômicas do Brasil com a Europa por esse processo comercial.
D
Errada
Está errada porque mistura elemento correto de contexto com conteúdo normativo incorreto. Os Tratados de 1810 realmente favoreceram a Inglaterra, mas não previam a fundação do Banco do Brasil nem a instalação de indústrias de ferro em Minas Gerais e São Paulo. O erro está em atribuir aos tratados medidas que não eram seu conteúdo.
E
Certa
A alternativa E acerta o núcleo histórico cobrado: sob o impacto do Bloqueio Continental e das Guerras Napoleônicas, a Inglaterra buscou novos mercados, e o Brasil, no período joanino, foi integrado a uma abertura comercial que rompeu o exclusivo metropolitano sem produzir autonomia econômica plena. Os acordos com os ingleses concederam tarifas de importação mais vantajosas para suas mercadorias e consolidaram a transição da exploração colonial portuguesa para a hegemonia econômica inglesa. Esse encadeamento entre contexto, mecanismo comercial e consequência estrutural corresponde à base decisória.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre o processo efetivamente decisivo do período joanino — abertura dos portos e Tratados de 1810 com privilégios à Inglaterra — e outros fatos do período ou anteriores, como o Tratado de Methuen, a elevação a Reino Unido e instituições criadas no mesmo contexto, mas sem relação direta com o conteúdo dos tratados.
Dica para questões semelhantes
- Se o enunciado mencionar “tempo do rei” e mudança nas relações econômicas com a Europa, priorize período joanino, abertura dos portos e tratados com a Inglaterra.
- Diferencie atos político-administrativos de medidas comerciais concretas: nem toda mudança institucional explica, por si, transformação econômica.
- Em alternativas históricas, elimine opções que misturam fatos verdadeiros do período com efeitos ou conteúdos atribuídos ao ato errado.
- Não trate o fim do exclusivo colonial como independência econômica; a base mostra que houve fortalecimento da dependência comercial em relação à Inglaterra.






