Questão 227dfe5c-c2
Prova:UDESC 2018
Disciplina:Geografia
Assunto:Geografia Física, Clima

Eventos e processos astronômicos, geológicos e climáticos são responsáveis pela diferenciação na distribuição histórica e geográfica das espécies pelo planeta.

Sendo assim, assinale a alternativa que justifica a distribuição histórica e geográfica das espécies na Terra.

A
O isolamento geográfico da Austrália não foi suficiente para fazer surgir ali espécies de mamíferos que não são encontrados em outros continentes.
B
As glaciações ocorridas no final do período Cenozoico foram as responsáveis pela extinção dos dinossauros.

C
Na transição do período Mesozoico para o Cenozoico, o impacto de um meteoroide com a superfície terrestre provocou a extinção de animais como a preguiça-gigante, o tigre-dente-de-sabre e o mamute.
D
Animais como o elefante, o leão e a girafa existem na Africa, mas não no Brasil, pois quando esses animais surgiram a placa sul-americana já havia se separado da Gondwana.
E
O surgimento do oxigênio na atmosfera não afetou a distribuição das bactérias anaeróbias.

Gabarito comentado

T
Taina VegaMonitor do Qconcursos

Alternativa correta: D

Tema central: biogeografia histórica — como eventos geológicos (deriva continental e isolamento) e eventos catastróficos (extinções em massa) explicam a distribuição atual dos seres vivos.

Resumo teórico: A tectônica de placas fragmentou supercontinentes (ex.: Gondwana), isolando faunas que evoluíram independentemente — processo chamado de vicariância. Resultado: endemismos (ex.: marsupiais e monotremados na Austrália). Extinções em massa (ex.: evento K–Pg, ~66 Ma, associado ao impacto de Chicxulub) reorganizam comunidades. Já o surgimento de O2 (Great Oxidation Event) mudou quem podia viver na superfície. Fontes úteis: Wegener e a literatura moderna sobre tectônica; Lomolino et al., Biogeography; trabalhos sobre o impacto de Chicxulub (ex.: Alvarez et al.).

Justificativa da alternativa D: Elefantes (Proboscidea), girafas (Giraffidae) e leões (Felidae) são grupos que se diversificaram na África/Eurásia muito depois do desmembramento da Gondwana e da separação prolongada da placa sul-americana. A América do Sul ficou isolada por dezenas de milhões de anos, permitindo uma fauna própria (ex.: xenartros, marsupiais sul-americanos). Quando houve o intercâmbio faunístico com a América do Norte (Grande Intercâmbio Americano, ~3 Ma), alguns grupos entraram, mas não elefantes/girafas que não estavam presentes nas Américas na época. Por isso a afirmação D está coerente com a cronologia geológica e evolutiva.

Análise das incorretas:

A (falsa): afirma que o isolamento da Austrália não foi suficiente para gerar mamíferos únicos — incorreto: o isolamento favoreceu a radiação de marsupiais e monotremados endêmicos; é exatamente o oposto.

B (falsa): vincula as glaciações do final do Cenozoico à extinção dos dinossauros — incorreto temporalmente. A extinção dos dinossauros (não-aviários) ocorreu no limite Cretáceo–Paleógeno (K–Pg), fim do Mesozoico, ligada ao impacto de meteoro (Chicxulub) e erupções associadas, não às glaciações do Cenozoico.

C (falsa): mistura eventos: o impacto K–Pg extinguiu dinossauros não-avianos e outros grupos do fim do Mesozoico, mas preguiças-gigantes, tigres-dente-de-sabre e mamutes são megafauna do Cenozoico (Pleistoceno), extintos muito depois por causas climáticas e antrópicas.

E (falsa): diz que o surgimento do oxigênio não afetou as bactérias anaeróbias — errado. A oxigenação atmosferica reorganizou ecossistemas e restringiu/eliminiu muitas linhagens anaeróbias tolerantes apenas a ambientes sem oxigênio; tratou-se de mudança ambiental profunda.

Dica de prova: verifique sempre a coerência temporal (qual evento ocorreu em que era/período) e se a causa proposta age sobre o organismo/tempo citado. Essas incompatibilidades são pegadinhas comuns.

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