Assinale a alternativa correta sobre o conto A
sereníssima república, de Machado de Assis.
Gabarito comentado
Tema central: A questão aborda a identificação da estrutura e do tom crítico no conto A Sereníssima República, de Machado de Assis, utilizando conceitos como alegoria, sátira e conferência para refletir sobre práticas políticas e eleitorais do Brasil.
Comentário dirigido ao concurso: Entender esse conto demanda reconhecer a ironia e a crítica social características de Machado. A narrativa é construída em forma de conferência, narrada pelo cônego Vargas, que relata suas observações sobre o regime social das aranhas – recurso alegórico para refletir os vícios e as limitações da sociedade brasileira oitocentista.
Gabarito: A – O cônego Vargas apresenta, em uma conferência, sua pesquisa sobre o regime social das aranhas.
Justificativa: Esta alternativa é correta porque descreve com exatidão a estrutura e o conteúdo do conto. O cônego de fato expõe, em formato de conferência, um "estudo" sobre as aranhas que, ao serem personificadas, funcionam como representação satírica dos seres humanos, especialmente dos mecanismos eleitorais e políticos.
Por que as outras alternativas estão incorretas?
B) O tom do conto não é eufórico, mas irônico e crítico. Machado ironiza tanto eleitos quanto eleitores, evidenciando fraudes e desonestidades no sistema eleitoral.
C) O sorteio citado no conto está longe de ser imune a fraudes; a narrativa mostra justamente que as manipulações persistem, mesmo em sistemas supostamente mais justos.
D) Embora a forma seja de conferência, ela não é uma saudação à república brasileira. O cônego não exalta nem celebra a república, mas utiliza o cenário das aranhas para questionar e criticar os rumos políticos, sem adotar tom laudatório.
E) No universo da fábula, não há punição exemplar contra fraudadores. Ao contrário, Machado destaca o caráter recorrente das fraudes e a incapacidade das leis de promover mudanças efetivas.
Estratégia para questões assim: Fique atento ao tom irônico e ao uso de metáforas em textos machadianos. Evite cair em pegadinhas de generalizações ("imune a fraude", "duramente castigados"), pois geralmente o autor destaca ambiguidades e falhas sistêmicas.
Referências como o Guia do Estudante e manuais clássicos de Literatura indicam que a ironia e o ceticismo quanto à política são marcas do Machado realista.
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