Questão 1838bd7a-27
Prova:PUC - RS 2011
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos
INSTRUÇÃO: Para responder à questão 40, leia o excerto do poema denominado “Graciliano Ramos”, de João Cabral de Melo Neto.
Falo somente com o que falo:
com as mesmas vinte palavras
girando ao redor do sol
que as limpa do que não é faca:
de toda uma crosta viscosa,
resto de janta abaianada,
que fica na lâmina e cega
seu gosto da cicatriz clara.
Falo somente do que falo:
do seco e de suas paisagens,
Nordestes, debaixo de um sol
ali do mais quente vinagre:
que reduz tudo ao espinhaço,
cresta o simplesmente folhagem,
folha prolixa, folharada,
onde possa esconder- se na fraude.
Falo somente por quem falo:
por quem existe nesses climas
condicionados pelo sol,
pelo gavião e outras rapinas:
e onde estão os solos inertes
de tantas condições caatinga
em que só cabe cultivar
o que é sinônimo da míngua.
Falo somente para quem falo:
quem padece sono de morto
e precisa um despertador
acre, como o sol sobre o olho:
que é quando o sol é estridente,
a contrapelo, imperioso,
e bate nas pálpebras como
se bate numa porta a socos.
I. O poema de João Cabral dialoga com o imaginário acre e violento presente no livro Vidas Secas, de Graciliano Ramos.
II. O poema se dirige aos que sofrem com as radicais condições da caatinga nordestina, onde o sol é estridente, atingindo as pálpebras como se bate numa porta a socos.
III. Apesar de todas as adversidades sertanejas, a natureza local possibilita um momento para cultivar uma multiplicidade de alimentos.
A(s) afirmativa(s) correta(s) é/são:
INSTRUÇÃO: Para responder à questão 40, leia o excerto do poema denominado “Graciliano Ramos”, de João Cabral de Melo Neto.
Falo somente com o que falo:
com as mesmas vinte palavras
girando ao redor do sol
que as limpa do que não é faca:
de toda uma crosta viscosa,
resto de janta abaianada,
que fica na lâmina e cega
seu gosto da cicatriz clara.
Falo somente do que falo:
do seco e de suas paisagens,
Nordestes, debaixo de um sol
ali do mais quente vinagre:
que reduz tudo ao espinhaço,
cresta o simplesmente folhagem,
folha prolixa, folharada,
onde possa esconder- se na fraude.
Falo somente por quem falo:
por quem existe nesses climas
condicionados pelo sol,
pelo gavião e outras rapinas:
e onde estão os solos inertes
de tantas condições caatinga
em que só cabe cultivar
o que é sinônimo da míngua.
Falo somente para quem falo:
quem padece sono de morto
e precisa um despertador
acre, como o sol sobre o olho:
que é quando o sol é estridente,
a contrapelo, imperioso,
e bate nas pálpebras como
se bate numa porta a socos.
I. O poema de João Cabral dialoga com o imaginário acre e violento presente no livro Vidas Secas, de Graciliano Ramos.
II. O poema se dirige aos que sofrem com as radicais condições da caatinga nordestina, onde o sol é estridente, atingindo as pálpebras como se bate numa porta a socos.
III. Apesar de todas as adversidades sertanejas, a natureza local possibilita um momento para cultivar uma multiplicidade de alimentos.
A(s) afirmativa(s) correta(s) é/são:
Falo somente com o que falo:
com as mesmas vinte palavras
girando ao redor do sol
que as limpa do que não é faca:
de toda uma crosta viscosa,
resto de janta abaianada,
que fica na lâmina e cega
seu gosto da cicatriz clara.
Falo somente do que falo:
do seco e de suas paisagens,
Nordestes, debaixo de um sol
ali do mais quente vinagre:
que reduz tudo ao espinhaço,
cresta o simplesmente folhagem,
folha prolixa, folharada,
onde possa esconder- se na fraude.
Falo somente por quem falo:
por quem existe nesses climas
condicionados pelo sol,
pelo gavião e outras rapinas:
e onde estão os solos inertes
de tantas condições caatinga
em que só cabe cultivar
o que é sinônimo da míngua.
Falo somente para quem falo:
quem padece sono de morto
e precisa um despertador
acre, como o sol sobre o olho:
que é quando o sol é estridente,
a contrapelo, imperioso,
e bate nas pálpebras como
se bate numa porta a socos.
I. O poema de João Cabral dialoga com o imaginário acre e violento presente no livro Vidas Secas, de Graciliano Ramos.
II. O poema se dirige aos que sofrem com as radicais condições da caatinga nordestina, onde o sol é estridente, atingindo as pálpebras como se bate numa porta a socos.
III. Apesar de todas as adversidades sertanejas, a natureza local possibilita um momento para cultivar uma multiplicidade de alimentos.
A(s) afirmativa(s) correta(s) é/são:
A
II, apenas.
B
III, apenas.
C
I e II, apenas.
D
I e III, apenas.
E
I, II e III.
Gabarito comentado
P
Paulo Rangel Monitor com apoio de IA
Gabarito: C
Fundamento decisivo: O critério decisivo é a aderência semântica das afirmativas ao texto-base, especialmente aos versos “em que só cabe cultivar / o que é sinônimo da míngua” e “Falo somente para quem falo: / quem padece sono de morto / e precisa um despertador / acre, como o sol sobre o olho: / que é quando o sol é estridente [...] e bate nas pálpebras como / se bate numa porta a socos.” Esses trechos sustentam II, dão base temática para I e excluem III, conduzindo ao gabarito C.
Tema central: inferência textual e intertextual
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque exclui indevidamente a afirmativa I. O poema não apenas descreve destinatários sofridos; ele também constrói, pelo título e pelo léxico de secura, aspereza, violência e míngua, um diálogo temático com o universo de Graciliano Ramos/Vidas Secas.
B
Errada
Está errada porque toma como correta a afirmativa III, que contraria frontalmente o texto. O trecho “em que só cabe cultivar / o que é sinônimo da míngua” nega abundância e variedade alimentar; o sentido é de limitação e escassez.
C
Certa
A alternativa C está correta porque reúne exatamente as afirmativas compatíveis com o poema. A I se sustenta pelo título “Graciliano Ramos” e pelo campo lexical de dureza, secura, aspereza e violência, que constrói diálogo temático com o universo de Vidas Secas. A II tem apoio explícito nos versos em que o eu lírico afirma falar “por” e “para” quem vive nesses climas hostis, sob um sol “acre” e “estridente”, que “bate nas pálpebras como / se bate numa porta a socos”. Já a III é negada pelo verso “em que só cabe cultivar / o que é sinônimo da míngua”, que expressa escassez extrema, não multiplicidade de alimentos.
D
Errada
Está errada porque, embora a afirmativa I seja sustentável, a III não é. A ideia de que a natureza local possibilita cultivar uma multiplicidade de alimentos é incompatível com “solos inertes”, “condições caatinga” e, sobretudo, “o que é sinônimo da míngua”.
E
Errada
Está errada porque inclui a afirmativa III como verdadeira. Como o poema associa a paisagem à secura, à caatinga e à míngua, a inclusão de III rompe o sentido explícito do texto-base.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: ler “cultivar” isoladamente e supor produtividade, ignorando o núcleo semântico “míngua”, e desconfiar da afirmativa I por ela depender de diálogo temático-literário sustentado pelo título e pelo campo lexical, e não por citação explícita a Vidas Secas nos versos.
Dica para questões semelhantes
- Quando houver afirmação sobre abundância ou positividade da paisagem, confronte com as palavras de maior carga semântica do texto; aqui, “solos inertes”, “caatinga” e “míngua” resolvem a leitura.
- Em itens de interpretação com obra ou autor no título, considere o diálogo temático-literário se ele estiver sustentado por marcas lexicais do próprio texto.
- Dê peso especial aos versos em que o eu lírico define de que fala, por quem fala e para quem fala; essas passagens costumam decidir o referente e o sentido central.






