Questão 166dc5e4-27
Prova:PUC - RS 2011
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos
INSTRUÇÃO: Para responder à questão 38, ler o excerto do conto “Mineirinho”, de Clarice Lispector, e preencher os parênteses com V (verdadeiro) ou F (falso).
“É, suponho que é em mim, como um dos representantes de nós, que devo procurar por que está doendo a morte de um facínora. E por que é que mais me adianta contar os treze tiros que mataram Mineirinho do que os seus crimes. Perguntei a minha cozinheira o que pensava sobre o assunto. Vi no seu rosto a pequena convulsão de um conflito, o mal-estar de não entender o que se sente, o de precisar trair sensações contraditórias por não saber como harmonizá- las. Fatos irredutíveis, mas revolta irredutível também, a violenta compaixão da revolta. Sentir- se dividido na própria perplexidade diante de não poder esquecer que Mineirinho era perigoso e já matara demais; e no entanto nós o queríamos vivo. (...) No entanto a primeira lei, a que protege corpo e vida insubstituíveis, é a de que não matarás. Ela é a minha maior garantia: assim não me matam, porque eu não quero morrer, e assim não me deixam matar, porque ter matado será a escuridão para mim. Esta é a lei. Mas há alguma coisa que, se me fez ouvir o primeiro tiro com um alívio de segurança, no terceiro me deixa alerta, no quarto desassossegada, o quinto e o sexto me cobrem de vergonha, o sétimo e o oitavo eu ouço com o coração batendo de horror, no nono e no décimo minha boca está trêmula, no décimo primeiro digo em espanto o nome de Deus, no décimo segundo chamo meu irmão. O décimo terceiro tiro me assassina – porque eu sou o outro. Porque eu quero ser o outro.”
( ) O narrador não compreende plenamente por que está sensibilizado com a morte de um facínora que matou muitas pessoas.
( ) A cozinheira apresenta- se bastante confortável em discutir a morte do Mineirinho.
( ) Ao longo da contagem dos tiros que abateram o criminoso, o narrador vai se apiedando progressivamente, culminando no décimo terceiro tiro, momento em que se coloca no lugar do próprio facínora.
( ) A certa altura do conto, o narrador, movido pela lei da sobrevivência, chega a aceitar o extermínio de facínoras como o Mineirinho.
A sequência correta, de cima para baixo, é
INSTRUÇÃO: Para responder à questão 38, ler o excerto do conto “Mineirinho”, de Clarice Lispector, e preencher os parênteses com V (verdadeiro) ou F (falso).
“É, suponho que é em mim, como um dos representantes de nós, que devo procurar por que está doendo a morte de um facínora. E por que é que mais me adianta contar os treze tiros que mataram Mineirinho do que os seus crimes. Perguntei a minha cozinheira o que pensava sobre o assunto. Vi no seu rosto a pequena convulsão de um conflito, o mal-estar de não entender o que se sente, o de precisar trair sensações contraditórias por não saber como harmonizá- las. Fatos irredutíveis, mas revolta irredutível também, a violenta compaixão da revolta. Sentir- se dividido na própria perplexidade diante de não poder esquecer que Mineirinho era perigoso e já matara demais; e no entanto nós o queríamos vivo. (...) No entanto a primeira lei, a que protege corpo e vida insubstituíveis, é a de que não matarás. Ela é a minha maior garantia: assim não me matam, porque eu não quero morrer, e assim não me deixam matar, porque ter matado será a escuridão para mim. Esta é a lei. Mas há alguma coisa que, se me fez ouvir o primeiro tiro com um alívio de segurança, no terceiro me deixa alerta, no quarto desassossegada, o quinto e o sexto me cobrem de vergonha, o sétimo e o oitavo eu ouço com o coração batendo de horror, no nono e no décimo minha boca está trêmula, no décimo primeiro digo em espanto o nome de Deus, no décimo segundo chamo meu irmão. O décimo terceiro tiro me assassina – porque eu sou o outro. Porque eu quero ser o outro.”
( ) O narrador não compreende plenamente por que está sensibilizado com a morte de um facínora que matou muitas pessoas.
( ) A cozinheira apresenta- se bastante confortável em discutir a morte do Mineirinho.
( ) Ao longo da contagem dos tiros que abateram o criminoso, o narrador vai se apiedando progressivamente, culminando no décimo terceiro tiro, momento em que se coloca no lugar do próprio facínora.
( ) A certa altura do conto, o narrador, movido pela lei da sobrevivência, chega a aceitar o extermínio de facínoras como o Mineirinho.
A sequência correta, de cima para baixo, é
“É, suponho que é em mim, como um dos representantes de nós, que devo procurar por que está doendo a morte de um facínora. E por que é que mais me adianta contar os treze tiros que mataram Mineirinho do que os seus crimes. Perguntei a minha cozinheira o que pensava sobre o assunto. Vi no seu rosto a pequena convulsão de um conflito, o mal-estar de não entender o que se sente, o de precisar trair sensações contraditórias por não saber como harmonizá- las. Fatos irredutíveis, mas revolta irredutível também, a violenta compaixão da revolta. Sentir- se dividido na própria perplexidade diante de não poder esquecer que Mineirinho era perigoso e já matara demais; e no entanto nós o queríamos vivo. (...) No entanto a primeira lei, a que protege corpo e vida insubstituíveis, é a de que não matarás. Ela é a minha maior garantia: assim não me matam, porque eu não quero morrer, e assim não me deixam matar, porque ter matado será a escuridão para mim. Esta é a lei. Mas há alguma coisa que, se me fez ouvir o primeiro tiro com um alívio de segurança, no terceiro me deixa alerta, no quarto desassossegada, o quinto e o sexto me cobrem de vergonha, o sétimo e o oitavo eu ouço com o coração batendo de horror, no nono e no décimo minha boca está trêmula, no décimo primeiro digo em espanto o nome de Deus, no décimo segundo chamo meu irmão. O décimo terceiro tiro me assassina – porque eu sou o outro. Porque eu quero ser o outro.”
( ) O narrador não compreende plenamente por que está sensibilizado com a morte de um facínora que matou muitas pessoas.
( ) A cozinheira apresenta- se bastante confortável em discutir a morte do Mineirinho.
( ) Ao longo da contagem dos tiros que abateram o criminoso, o narrador vai se apiedando progressivamente, culminando no décimo terceiro tiro, momento em que se coloca no lugar do próprio facínora.
( ) A certa altura do conto, o narrador, movido pela lei da sobrevivência, chega a aceitar o extermínio de facínoras como o Mineirinho.
A sequência correta, de cima para baixo, é
A
V – V – F – F
B
V – F – F – V
C
V – F – V – V
D
F – F – V – V
E
F – V – F – F
Gabarito comentado
C
Christian CamachoMentor Qconcursos
Gabarito: C
Fundamento decisivo: O critério decisivo é a inferência textual autorizada pelas marcas explícitas de perplexidade do narrador, desconforto da cozinheira, gradação afetiva na contagem dos tiros e aceitação inicial da morte por “alívio de segurança”. Esses elementos, presentes no excerto, sustentam a sequência V – F – V – V e confirmam a alternativa C.
Tema central: Inferência textual
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque marca como verdadeira a segunda assertiva e como falsas a terceira e a quarta. A segunda é excluída diretamente por “a pequena convulsão de um conflito” e “o mal-estar de não entender o que se sente”, que indicam desconforto da cozinheira. A terceira é verdadeira porque a contagem dos tiros constrói gradação afetiva até “O décimo terceiro tiro me assassina – porque eu sou o outro.” A quarta também é verdadeira, pois “se me fez ouvir o primeiro tiro com um alívio de segurança” autoriza afirmar aceitação inicial da morte do criminoso.
B
Errada
Está errada porque torna falsa a terceira assertiva, mas o texto a sustenta de modo explícito. A sequência “no terceiro me deixa alerta, no quarto desassossegada, o quinto e o sexto me cobrem de vergonha, o sétimo e o oitavo eu ouço com o coração batendo de horror” mostra progressão emocional, e essa progressão culmina em identificação com Mineirinho na frase “porque eu sou o outro. Porque eu quero ser o outro.”
C
Certa
A alternativa C está correta porque corresponde exatamente ao que o excerto explicita. A primeira assertiva é verdadeira: o narrador formula sua reação como busca de explicação, marcada por “suponho” e por “devo procurar por que está doendo”, o que revela perplexidade, não compreensão plena. A segunda é falsa: a cozinheira é descrita por sinais de conflito e “mal-estar”, o oposto de conforto. A terceira é verdadeira: a enumeração dos tiros organiza uma gradação emocional crescente — alerta, desassossego, vergonha, horror, tremor, espanto — até a frase final “eu sou o outro”, que mostra identificação com o morto. A quarta também é verdadeira: ao admitir que o primeiro tiro foi ouvido com “um alívio de segurança”, o narrador reconhece uma aceitação inicial da eliminação do facínora por instinto de preservação, embora depois essa aceitação seja tensionada pela compaixão e pela recusa ética.
D
Errada
Está errada porque torna falsa a primeira assertiva. O texto não mostra compreensão plena do narrador sobre o próprio sentimento; mostra investigação e perplexidade. Isso aparece em “É, suponho” e em “devo procurar por que está doendo a morte de um facínora.” Portanto, a primeira assertiva é verdadeira, não falsa.
E
Errada
Está errada porque inverte praticamente todos os valores decididos pelo texto. A primeira assertiva é verdadeira, pois o narrador busca entender a própria dor; a segunda é falsa, porque a cozinheira demonstra conflito e mal-estar; a terceira é verdadeira, pela gradação emocional dos tiros até a identificação final; e a quarta é verdadeira, pela admissão de “alívio de segurança” diante do primeiro tiro.
Pegadinha da questão
A banca explora a tensão interna do narrador: ele afirma a lei “não matarás”, mas admite ter sentido “um alívio de segurança” com o primeiro tiro. O erro comum é achar que a compaixão final elimina esse alívio inicial, quando o texto sustenta as duas coisas em contradição.
Dica para questões semelhantes
- Quando a afirmação fala de estado emocional, confira se o texto traz marca explícita de dúvida, conflito, mal-estar ou certeza; aqui, “suponho” e “mal-estar” decidem o valor das assertivas.
- Em enumerações progressivas, observe se há gradação de sentido; na sequência dos tiros, os sentimentos se intensificam até a identificação final.
- Não anule um trecho por causa de outro: se o texto mostra contradição ética, como “não matarás” e “alívio de segurança”, a leitura correta precisa conservar essa tensão.






