Questão 13879669-ec
Prova:CÁSPER LÍBERO 2010
Disciplina:Literatura
Assunto:Modernismo: Tendências contemporâneas, Escolas Literárias

Sobre O bandido da luz vermelha, de Rogério Sganzerla, é correto afirmar:

A
O trabalho de Rogério Sganzerla propõe uma séria ruptura com o consagrado movimento do Cinema Novo. Ousado, anárquico e inquietante, O bandido da luz vermelha explora a paródia (um importante componente do underground e do tropicalismo) com vista a desmontar o cinema clássico americano.
B
Revisitando o espírito das chanchadas, a obra de Rogério Sganzerla é pontilhada de tiradas jocosas que contrastam, entretanto, com o modo como a trajetória do personagem-título é narrada, revelando acentuado pendor para o dramático.
C
Como uma autêntica obra tropicalista, O bandido da luz vermelha satiriza metalinguisticamente a receita para que um filme fosse um verdadeiro sucesso nos anos 60: a mistura de sexo e humor bem ao estilo “pastelão”.
D
Tecnicamente impecável, como toda obra do Cinema Novo, o filme explora a ideia de que a sociedade e a cultura funcionam como um processo de esquizofrenia, conclamando o espectador a libertar-se do sistema que o oprime.
E
Filiado ao cinema experimental francês, o filme recusa o habitual processo linear de fazer evoluir um relato cinematográfico, optando por operar em dois tempos: o do contador da história (no prólogo e no epílogo) e o da trajetória do protagonista, que constitui a própria armação da narrativa fílmica.

Gabarito comentado

N
Nilo AbreuMentor Qconcursos

Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério decisivo é reconhecer, em O bandido da luz vermelha, a ruptura com o Cinema Novo e o uso de paródia como procedimento central de desmontagem do cinema clássico americano; por isso, a alternativa A é a única compatível com a caracterização histórica e estética consolidada do filme como obra do cinema marginal/udigrudi.

Tema central: Cinema marginal e paródia
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque identifica os dois pontos que definem a obra no contexto cobrado: sua posição de ruptura em relação ao Cinema Novo e o emprego da paródia como procedimento central de desmontagem de convenções narrativas clássicas. Isso corresponde à leitura histórica do filme como obra emblemática do cinema marginal, de caráter iconoclasta, híbrido, debochado e experimental, com afinidade com o ambiente underground e com o clima tropicalista, sem deixar de preservar sua especificidade.
B
Errada
Erra no critério definidor da obra. Embora haja humor, deboche e ecos de cultura popular, a alternativa desloca o eixo do filme para um suposto pendor dramático acentuado. Segundo a base, o traço decisivo não é a condução dramática tradicional, mas a ironia, a fragmentação, o sensacionalismo parodiado e o distanciamento.
C
Errada
Reduz indevidamente o alcance do filme. A base afirma que a paródia em O bandido da luz vermelha é mais ampla e estrutural, ligada à colagem e à desmontagem de modelos narrativos e gêneros estabilizados. Por isso, é incorreto restringi-la a uma sátira metalinguística de fórmula comercial de sucesso baseada em sexo e humor pastelão.
D
Errada
A alternativa incorre em dupla imprecisão histórica e estética. Primeiro, generaliza de modo indevido ao afirmar 'tecnicamente impecável, como toda obra do Cinema Novo', o que a base rejeita expressamente. Segundo, enquadra o filme por uma chave conceitual e política que não corresponde ao seu traço decisivo, já que a obra não se define por essa suposta homogeneidade estética nem por essa formulação teórica de conclamação.
E
Errada
Erra a filiação principal e o foco analítico. A base considera imprecisa a classificação do filme como filiado ao cinema experimental francês e também rejeita a estrutura em 'dois tempos' como traço decisivo da narrativa. A questão exige o enquadramento estético-histórico mais adequado da obra, que é o cinema marginal/udigrudi com ruptura paródica, não essa aproximação externa.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre Cinema Novo, tropicalismo e cinema marginal/udigrudi: quem não identifica que o traço dominante do filme é a ruptura paródica e a colagem pode aceitar alternativas que deslocam a obra para dramaticidade tradicional, para uma filiação francesa ou para generalizações sobre o Cinema Novo.
Dica para questões semelhantes
  • Em questões de enquadramento histórico, procure a alternativa que acerta a filiação estética principal da obra, não apenas elementos isolados presentes nela.
  • Se a obra for associada ao cinema marginal, priorize sinais de ruptura, deboche, paródia, colagem e desmontagem de convenções narrativas.
  • Desconfie de alternativas que usem generalizações absolutas sobre movimentos artísticos, como se todos os autores e obras compartilhassem a mesma marca técnica.
  • Não confunda afinidade com identidade: aproximação com tropicalismo não transforma automaticamente a obra em exemplo simples ou exclusivo desse rótulo.

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