Questão 11efd23a-27
Prova:PUC - RS 2011
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos
INSTRUÇÃO: Para responder à questão 33, leia o excerto a seguir, no contexto do conto de Simões Lopes Neto, e as afirmativas, preenchendo os parênteses com V para verdadeiro e F para falso.
“Foi então que um gaúcho gadelhudo, mui alto, canhoto, desprendeu da cintura as boleadeiras e fê- las roncar por cima da cabeça… e quando ia soltá- las, zunindo, com força pra rebentar as costelas dum boi manso, e que o negro estava cocando o tiro, de facão pronto pra cortar as sogas…, nesse mesmo momento e instante a velha Fermina entrou na roda, e ligeira como um gato, varejou no Bonifácio uma chocolateira de água fervendo, que trazia na mão, do chimarrão que estava chupando… O negro urrou como um touro na capa…; a rumo no mais avançou o braço, e fincou e suspendeu, levando a velha, estorcendo- se, atravessada no facão até o esse…; ao mesmo tempo, mandado por pulso de homem um bolaço cantou- lhe no tampo da cabeça e logo outro, no costilhar, e o negro caiu, como boi desnucado, de boca aberta, a língua pontuada, mexendo em tremura uma perna, onde a roseta da chilena tinia, miúdo…
Patrício, escuite!”
( ) As comparações com bichos ( boi manso, gato, touro na capa, boi desnucado) conferem aos personagens uma espécie de animalização, um instinto não racional que potencializa o tom violento da cena.
( ) Na leitura do trecho, torna- se evidente a força visual na escrita de Simões Lopes Neto, autor que detalhava, com riqueza, as ações de seus personagens, gerando tensão no relato.
( ) A utilização de expressões tipicamente urbanas do Rio Grande do Sul dá ao texto um caráter regionalista.
( ) O vaqueano Blau Nunes é o narrador da obra, personagem que testemunhou ou ouviu os causos que relata. Essa marca de oralidade torna- se ainda mais explícita com a passagem “Patrício, escuite!”.
( ) O trecho pertence ao conto “Negro Bonifácio”.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
INSTRUÇÃO: Para responder à questão 33, leia o excerto a seguir, no contexto do conto de Simões Lopes Neto, e as afirmativas, preenchendo os parênteses com V para verdadeiro e F para falso.
“Foi então que um gaúcho gadelhudo, mui alto, canhoto, desprendeu da cintura as boleadeiras e fê- las roncar por cima da cabeça… e quando ia soltá- las, zunindo, com força pra rebentar as costelas dum boi manso, e que o negro estava cocando o tiro, de facão pronto pra cortar as sogas…, nesse mesmo momento e instante a velha Fermina entrou na roda, e ligeira como um gato, varejou no Bonifácio uma chocolateira de água fervendo, que trazia na mão, do chimarrão que estava chupando… O negro urrou como um touro na capa…; a rumo no mais avançou o braço, e fincou e suspendeu, levando a velha, estorcendo- se, atravessada no facão até o esse…; ao mesmo tempo, mandado por pulso de homem um bolaço cantou- lhe no tampo da cabeça e logo outro, no costilhar, e o negro caiu, como boi desnucado, de boca aberta, a língua pontuada, mexendo em tremura uma perna, onde a roseta da chilena tinia, miúdo…
Patrício, escuite!”
( ) As comparações com bichos ( boi manso, gato, touro na capa, boi desnucado) conferem aos personagens uma espécie de animalização, um instinto não racional que potencializa o tom violento da cena.
( ) Na leitura do trecho, torna- se evidente a força visual na escrita de Simões Lopes Neto, autor que detalhava, com riqueza, as ações de seus personagens, gerando tensão no relato.
( ) A utilização de expressões tipicamente urbanas do Rio Grande do Sul dá ao texto um caráter regionalista.
( ) O vaqueano Blau Nunes é o narrador da obra, personagem que testemunhou ou ouviu os causos que relata. Essa marca de oralidade torna- se ainda mais explícita com a passagem “Patrício, escuite!”.
( ) O trecho pertence ao conto “Negro Bonifácio”.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
“Foi então que um gaúcho gadelhudo, mui alto, canhoto, desprendeu da cintura as boleadeiras e fê- las roncar por cima da cabeça… e quando ia soltá- las, zunindo, com força pra rebentar as costelas dum boi manso, e que o negro estava cocando o tiro, de facão pronto pra cortar as sogas…, nesse mesmo momento e instante a velha Fermina entrou na roda, e ligeira como um gato, varejou no Bonifácio uma chocolateira de água fervendo, que trazia na mão, do chimarrão que estava chupando… O negro urrou como um touro na capa…; a rumo no mais avançou o braço, e fincou e suspendeu, levando a velha, estorcendo- se, atravessada no facão até o esse…; ao mesmo tempo, mandado por pulso de homem um bolaço cantou- lhe no tampo da cabeça e logo outro, no costilhar, e o negro caiu, como boi desnucado, de boca aberta, a língua pontuada, mexendo em tremura uma perna, onde a roseta da chilena tinia, miúdo…
Patrício, escuite!”
( ) As comparações com bichos ( boi manso, gato, touro na capa, boi desnucado) conferem aos personagens uma espécie de animalização, um instinto não racional que potencializa o tom violento da cena.
( ) Na leitura do trecho, torna- se evidente a força visual na escrita de Simões Lopes Neto, autor que detalhava, com riqueza, as ações de seus personagens, gerando tensão no relato.
( ) A utilização de expressões tipicamente urbanas do Rio Grande do Sul dá ao texto um caráter regionalista.
( ) O vaqueano Blau Nunes é o narrador da obra, personagem que testemunhou ou ouviu os causos que relata. Essa marca de oralidade torna- se ainda mais explícita com a passagem “Patrício, escuite!”.
( ) O trecho pertence ao conto “Negro Bonifácio”.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
A
F – F – V – F – F
B
V – V – F – V – F
C
V – F – V – V – V
D
V – V – F – V – V
E
F – V – V – F – F
Gabarito comentado
D
Debora Guimaraes Monitor com apoio de IA
Gabarito: D
Fundamento decisivo: A resolução depende da leitura integrada do excerto e do contexto da obra: as comparações zoomórficas em “ligeira como um gato”, “O negro urrou como um touro na capa” e “o negro caiu, como boi desnucado” produzem animalização e reforçam a violência da cena; “Patrício, escuite!” explicita a oralidade do narrador; e o regionalismo do trecho é campeiro, não urbano, o que sustenta a sequência V – V – F – V – V.
Tema central: Leitura interpretativa do excerto
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque marca como falsas a 1, a 2, a 4 e a 5, mas todas elas são sustentadas pela base. Há comparações zoomórficas que intensificam a violência; há detalhamento visual da ação; “Patrício, escuite!” é marca de oralidade do narrador; e o episódio pertence a “Negro Bonifácio”. O único ponto falso entre as afirmativas é a ideia de regionalismo urbano na terceira.
B
Errada
Está errada apenas no último valor. A sequência V – V – F – V está correta até a quarta afirmativa, mas a quinta não é falsa: no contexto da obra, a menção a Bonifácio e o episódio descrito identificam o conto “Negro Bonifácio”.
C
Errada
Está errada em dois pontos objetivos. A segunda afirmativa não é falsa, porque o excerto apresenta visualidade forte e ações encadeadas com riqueza de detalhes, como em “varejou no Bonifácio uma chocolateira de água fervendo”, “fincou e suspendeu, levando a velha” e “um bolaço cantou-lhe no tampo da cabeça e logo outro, no costilhar”. Já a terceira não é verdadeira, porque o regionalismo presente não é urbano, e sim ligado ao universo rural/campeiro.
D
Certa
A alternativa D está correta porque reúne os valores de verdade sustentados pela base textual e pelo contexto da obra. A primeira afirmativa é verdadeira: as comparações com animais produzem animalização e reforçam o caráter instintivo e brutal da cena. A segunda também é verdadeira: o trecho encadeia ações de modo minucioso, com forte visualidade e tensão. A terceira é falsa porque o regionalismo do excerto não decorre de expressões urbanas, mas do universo rural/campeiro gaúcho. A quarta é verdadeira: “Patrício, escuite!” explicita oralidade e interlocução associadas ao narrador Blau Nunes. A quinta também é verdadeira, pois o episódio descrito pertence ao conto “Negro Bonifácio”.
E
Errada
Está errada porque inverte vários valores sustentados pelo texto e pelo contexto. A primeira afirmativa é verdadeira, pois as comparações com bichos têm efeito de animalização. A terceira é falsa, porque o regionalismo não é urbano. A quarta é verdadeira, já que “Patrício, escuite!” reforça a oralidade do narrador. A quinta também é verdadeira, pois o trecho pertence a “Negro Bonifácio”.
Pegadinha da questão
A confusão central está na terceira afirmativa: o texto é regionalista, mas o qualificativo “urbanas” a torna falsa. Outra armadilha é tratar “Patrício, escuite!” como detalhe expressivo solto, quando ele funciona como índice de oralidade e interlocução do narrador.
Dica para questões semelhantes
- Verifique se a afirmativa erra no núcleo ou em um qualificativo: aqui, o problema não era o regionalismo, mas chamá-lo de urbano.
- Quando o excerto traz comparações repetidas, observe o efeito de sentido comum entre elas; neste caso, elas constroem animalização e violência.
- Marcas como interpelação direta e fala ao ouvinte devem ser lidas como traços de oralidade narrativa, não como ornamento.
- Em questões com referência ao contexto da obra, não limite a análise ao fragmento isolado se a própria base autoriza a identificação do conto e do narrador.






