Questão 06b54c9e-64
Prova:UNEAL 2013
Disciplina:Português
Assunto:Sintaxe, Conjunções: Relação de causa e consequência, Orações coordenadas sindéticas: Aditivas, Adversativas, Alternativas, Conclusivas..., Morfologia, Orações subordinadas adverbiais: Causal, Comparativa, Consecutiva, Concessiva, Condicional...

No trecho “Segundo, porque as fraturas daqui geram no máximo terremotos médios como o de Caraíbas. Mesmo que um abalo atinja uma cidade grande, provavelmente os efeitos não serão devastadores”, foram destacadas conjunções.
Considerando-se o valor semântico representado por elas, bem como a classificação das orações que encabeçam, em qual opção abaixo há um erro de análise?

O texto a seguir é referência para as questões.

                       O Brasil nunca sofrerá um grande terremoto?

            Não dá para descartar uma megatragédia desse tipo, mas
a possibilidade é muito pequena. Pelo menos enquanto a gente
estiver vivo. “Já devem ter ocorridos grandes terremotos no
Brasil há centenas de milhões de anos. Mas, nos dados
sismológicos coletados desde o século 18, não há registro de
tremor forte em nosso território”, afirma o geólogo João Carlos
Dourado, especialista em sismologia da UNESP de Rio Claro (SP).
A certeza de que o Brasil era uma terra abençoada por Deus e
imune de terremotos, porém, foi abalada no início de
dezembro, quando um tremor de 4,9 graus na escala Richter no
vilarejo de Caraíbas (MG) causou a primeira morte no país. De
fato, o Brasil tem pelo menos 48 falhas pequenas sob sua crosta
– uma delas teria causado o chacoalhão fatal.
            Mas a imagem de um país remendado não é para assustar.
Primeiro, porque o Brasil fica no meio de uma placa tectônica, a
Sul-Americana, longe das instáveis regiões de contato entre
placas. Segundo, porque as fraturas daqui geram no máximo
terremotos médios como o de Caraíbas. Mesmo que um abalo
atinja uma cidade grande, provavelmente os efeitos não serão
devastadores. “As casas do vilarejo desabaram por serem
construções muito simples, sem suporte estrutural. Em áreas
urbanas, as estruturas são reforçadas e mais resistentes a
tremores dessa intensidade”, diz João Carlos.

RATIER, Rodrigo. Superinteressante,
São Paulo, n. 248, p. 42, jan. 2008 (Fragmento
).

A
A conjunção “porque” introduz uma explicação sobre o motivo de os terremotos no Brasil virem a ser mais brandos, caso ocorram (coordenada sindética explicativa).
B
A conjunção “porque” expressa uma causa sobre o motivo de os terremotos no Brasil virem a ser mais brandos, caso ocorram (subordinada adverbial causal).
C
A conjunção “como” estabelece uma comparação entre o tipo de terremoto de Caraíbas, no Brasil, e os outros terremotos do mundo (subordinada adverbial comparativa).
D
A locução conjuntiva “mesmo que”, no contexto em que aparece, poderia ser substituída pela conjunção “conquanto”; ambas apresentam, pois, o mesmo valor semântico.
E
A locução conjuntiva “mesmo que” expressa uma concessão ou permissão, ou seja, os efeitos dos terremotos serão pequenos, mesmo ocorrendo em cidades grandes (subordinada adverbial concessiva).

Gabarito comentado

G
Gabriela VasquezMonitor com apoio de IA

Gabarito: B

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a distinção entre explicação e causa no uso de “porque”. No trecho “Segundo, porque as fraturas daqui geram no máximo terremotos médios como o de Caraíbas. Mesmo que um abalo atinja uma cidade grande, provavelmente os efeitos não serão devastadores”, o “porque” retoma e justifica a afirmação anterior em sequência argumentativa (“Primeiro... Segundo...”), funcionando como coordenada sindética explicativa. Por isso, a alternativa B erra ao classificá-lo como subordinada adverbial causal, e essa é a opção indicada pelo gabarito oficial.

Tema central: Conjunções e valor semântico
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa está adequada. “Porque” introduz explicação/justificativa sobre o motivo de os terremotos no Brasil virem a ser mais brandos, caso ocorram, o que corresponde à classificação como coordenada sindética explicativa.
B
Certa
A alternativa B é a incorreta porque classifica a oração iniciada por “porque” como subordinada adverbial causal. No contexto, porém, “porque” introduz uma justificativa da tese já apresentada em “Mas a imagem de um país remendado não é para assustar.”, dentro da organização “Primeiro... Segundo...”. Assim, o valor é explicativo, e a oração é coordenada sindética explicativa, não causal subordinada.
C
Errada
A alternativa está adequada no recorte da questão. Em “terremotos médios como o de Caraíbas”, “como” estabelece comparação, tomando o terremoto de Caraíbas como referência. A base admite que esse uso também pode ter matiz exemplificativo, sem comprometer a leitura comparativa pedida.
D
Errada
A alternativa está adequada. No contexto, “mesmo que” e “conquanto” compartilham valor concessivo, de modo que a substituição preserva o sentido essencial do trecho.
E
Errada
A alternativa está adequada. “Mesmo que” introduz oração subordinada adverbial concessiva: admite-se a hipótese de um abalo atingir uma cidade grande, sem alterar a conclusão de que os efeitos provavelmente não serão devastadores.
Pegadinha da questão
A banca explora a associação automática entre “porque” e causa. Aqui, porém, o contexto “Primeiro... Segundo...” mostra que o termo introduz justificativas da tese anterior, o que desloca a análise para coordenação explicativa. Também há risco de confundir “mesmo que” com condição, quando o valor no trecho é concessivo.
Dica para questões semelhantes
  • Não classifique “porque” isoladamente; verifique se ele explica uma afirmação anterior ou se exprime causa dentro do mesmo período.
  • Quando houver estrutura argumentativa como “Primeiro... Segundo...”, teste se os segmentos funcionam como justificativas da tese apresentada antes.
  • Em locuções como “mesmo que”, observe se a conclusão permanece válida apesar da hipótese admitida; se isso ocorrer, o valor é concessivo.
  • Em usos de “como”, confira se o termo serve de referência para comparação no próprio trecho antes de descartar essa leitura.

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