Questõesde PUC - SP sobre Realismo

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Foram encontradas 7 questões
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PUC - SP 2018 - Literatura - Realismo, Escolas Literárias

A respeito do romance A cidade e as serras, de Eça de Queirós, é CORRETO afirmar que

Leia o excerto a seguir, extraído do primeiro capítulo de A cidade e as serras, para responder a questão,


- Aqui tens tu, Zé Fernandes - começou Jacinto, encostado à janela do mirante -, a teoria que me governa, bem comprovada. Com estes olhos que recebemos da Madre natureza, lestos e sãos, nós podemos apenas distinguir além, através da Avenida, naquela loja, uma vidraça alumiada. Mais nada! Se eu porém aos meus olhos juntar os dois vidros simples dum binóculo de corridas, percebo, por trás da vidraça, presuntos, queijos, boiões de geleia e caixas de ameixa seca. Concluo portanto que é uma mercearia. Obtive uma noção: tenho sobre ti, que com os olhos desarmados vês só o luzir da vidraça, uma vantagem positiva. Se agora, em vez destes vidros simples, eu usasse os do meu telescópio, de composição mais científica, poderia avistar além, no planeta Marte, os mares, as neves, os canais, o recorte dos golfos, toda a geografia dum astro que circula a milhares de léguas dos Campos Elísios. É outra noção, e tremenda! Tens aqui pois o olho primitivo, o da Natureza, elevado pela Civilização à sua máxima potência de visão. E desde já, pelo lado do olho portanto, eu, civilizado, sou mais feliz que o incivilizado, porque descubro realidades do Universo que ele não suspeita e de que está privado. Aplica esta prova a todos os órgãos e compreenderás o meu princípio.


(Queirós, Eça de. A cidade e as serras. São Paulo: Ateliê, 2007, p. 63-64)

A
a menção a problemas como a poluição do ar e das águas ilustra o olhar crítico do autor a respeito da vida nos grandes centros urbanos.
B
o desrespeito às normas gramaticais aproxima a obra da prosa experimental, característica das vanguardas do início do século XX.
C
o exagero na apresentação de vícios e defeitos das personagens é um dos traços estilísticos que situam a obra na prosa naturalista do século XIX.
D
o relato objetivo e preciso do narrador é característico da prosa realista portuguesa, da qual o autor é um de seus principais representantes.
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PUC - SP 2018 - Literatura - Realismo, Escolas Literárias

Leia o fragmento a seguir, extraído do primeiro capítulo de Memórias póstumas de Brás Cubas, para responder a questão.

Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no introito, mas no cabo; diferença radical entre este livro e o Pentateuco.
    Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sexta-feira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos. Onze amigos! (...)
(ASSIS, Machado. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Ateliê, 2001, p. 69)


Memórias póstumas de Brás Cubas, obra inaugural do Realismo no Brasil, apresenta vários procedimentos literários que configuram o estilo de Machado de Assis. Dentre esses procedimentos, a leitura dos primeiros parágrafos do romance já permite identificar

A
alinearidade na composição do enredo, visto que a personagem inicia o relato pelo final da história, transgredindo a sequência cronológica de sua biografia.
B
imparcialidade no tratamento da matéria narrada, pois Brás Cubas é fiel à realidade de sua época e confere objetividade ao narrar os fatos.
C
rigorosa reflexão sobre o ato de escrever, pois Brás Cubas revela ao leitor o desejo de conferir precisão e cientificidade ao seu texto.
D
modéstia quanto às habilidades literárias do narrador, uma vez que Brás Cubas considera sua obra fruto de um “defunto autor”, e não de um autor verdadeiro.
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PUC - SP 2017 - Literatura - Realismo, Escolas Literárias

- Aqui tens tu, Zé Fernandes - começou Jacinto, encostado à janela do mirante -, a teoria que me governa, bem comprovada. Com estes olhos que recebemos da Madre natureza, lestos e sãos, nós podemos apenas distinguir além, através da Avenida, naquela loja, uma vidraça alumiada. Mais nada! Se eu porém aos meus olhos juntar os dois vidros simples dum binóculo de corridas, percebo, por trás da vidraça, presuntos, queijos, boiões de geleia e caixas de ameixa seca. Concluo portanto que é uma mercearia. Obtive uma noção: tenho sobre ti, que com os olhos desarmados vês só o luzir da vidraça, uma vantagem positiva. Se agora, em vez destes vidros simples, eu usasse os do meu telescópio, de composição mais científica, poderia avistar além, no planeta Marte, os mares, as neves, os canais, o recorte dos golfos, toda a geografia dum astro que circula a milhares de léguas dos Campos Elísios. É outra noção, e tremenda! Tens aqui pois o olho primitivo, o da Natureza, elevado pela Civilização à sua máxima potência de visão. E desde já, pelo lado do olho portanto, eu, civilizado, sou mais feliz que o incivilizado, porque descubro realidades do Universo que ele não suspeita e de que está privado. Aplica esta prova a todos os órgãos e compreenderás o meu princípio.

(Queirós, Eça de. A cidade e as serras. São Paulo: Ateliê, 2007, p. 63-64)


No fragmento em questão, ao apresentar para o amigo Zé Fernandes sua teoria a respeito da felicidade, Jacinto revela:

A
a vontade de aproximar-se da natureza, pois a vida na cidade afasta o ser humano da realidade concreta.
B
ma visão mística do mundo, explicitada pelo desejo de enxergar mais do que os olhos humanos permitem.
C
um olhar pessimista sobre a realidade urbana, caracterizado pela submissão do homem civilizado à ciência.
D
a superioridade da civilização sobre a natureza, pois só a ciência permite ao ser humano transpor seus limites.
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PUC - SP 2017 - Literatura - Realismo, Escolas Literárias

A respeito do romance A cidade e as serras, de Eça de Queirós, é CORRETO afirmar que

A
a menção a problemas como a poluição do ar e das águas ilustra o olhar crítico do autor a respeito da vida nos grandes centros urbanos.
B
o desrespeito às normas gramaticais aproxima a obra da prosa experimental, característica das vanguardas do início do século XX.
C
o exagero na apresentação de vícios e defeitos das personagens é um dos traços estilísticos que situam a obra na prosa naturalista do século XIX.
D
o relato objetivo e preciso do narrador é característico da prosa realista portuguesa, da qual o autor é um de seus principais representantes.
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PUC - SP 2017 - Literatura - Realismo, Escolas Literárias

Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no introito, mas no cabo; diferença radical entre este livro e o Pentateuco.

Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sexta-feira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos. Onze amigos! (...)

(ASSIS, Machado. Memórias póstumas de Brás Cubas.

São Paulo: Ateliê, 2001, p. 69)


Memórias póstumas de Brás Cubas, obra inaugural do Realismo no Brasil, apresenta vários procedimentos literários que configuram o estilo de Machado de Assis. Dentre esses procedimentos, a leitura dos primeiros parágrafos do romance já permite identificar

A
alinearidade na composição do enredo, visto que a personagem inicia o relato pelo final da história, transgredindo a sequência cronológica de sua biografia.
B
imparcialidade no tratamento da matéria narrada, pois Brás Cubas é fiel à realidade de sua época e confere objetividade ao narrar os fatos.
C
rigorosa reflexão sobre o ato de escrever, pois Brás Cubas revela ao leitor o desejo de conferir precisão e cientificidade ao seu texto.
D
modéstia quanto às habilidades literárias do narrador, uma vez que Brás Cubas considera sua obra fruto de um “defunto autor”, e não de um autor verdadeiro.
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PUC - SP 2015 - Literatura - Realismo, Escolas Literárias

Machado de Assis revela em Memórias Póstumas de Brás Cubas uma linguagem rica em recursos estilísticos capaz de emprestar ao romance uma fina dimensão estética. Sua obra é repassada pelas diferentes funções da linguagem. Assim, indique a alternativa que contém trecho em que predomina a função metalinguística.

A
“Tudo tinha a aparência de uma conspiração das coisas contra o homem: e, conquanto eu estivesse na minha sala, olhando para a minha chácara, sentado na minha cadeira, ouvindo os meus pássaros, ao pé dos meus livros, alumiado pelo meu sol, não chegava a curar-me das saudades daquela outra cadeira, que não era minha”.
B
“Fui ter com Virgília; depressa esqueci o Quincas Borba. Virgília era o travesseiro do meu espírito, um travesseiro mole, tépido, aromático, enfronhado em cambraia e bruxelas”.
C
“Não havia ali a atmosfera somente da águia e do beija-flor; havia também a da lesma e do sapo. Retira, pois, a expressão, alma sensível, castiga os nervos, limpa os óculos, – que isso às vezes é dos óculos, – e acabemos de uma vez com esta flor da moita”.
D
“Citando o dito da rainha de Navarra, ocorre-me que entre o nosso povo, quando uma pessoa vê outra pessoa arrufada, costuma perguntar-lhe: 'Gentes, quem matou seus cachorrinhos?' Como se dissesse: '– quem lhe levou os amores, as aventuras secretas, etc.' Mas este capítulo não é sério”.
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PUC - SP 2015 - Literatura - Realismo, Escolas Literárias

O romance A Cidade e as Serras, de Eça de Queirós, é o desenvolvimento de um conto chamado “Civilização”. Faz a oposição entre a cidade cosmopolita e a vida do campo, além de, também

A
ambientar a ação dos personagens apenas nas cidades de Tormes, aldeia portuguesa, e na civilizada Lisboa do final do século XIX.
B
narrar a história de Jacinto, um jovem muito rico, que alcança a felicidade porque tem por objetivo apenas ser o mais possível contemporâneo ao próprio tempo.
C
apresentar desde o início um narrador que tem um ponto de vista firme, qual seja, o de depreciar a civilização da cidade e de exaltar a vida natural.
D
caracterizar a vida do protagonista somente na cidade de Paris, rodeado de muita tecnologia e conhecimento e com uma vida social muito ativa e feliz.