Questão db76209d-dc
Prova:UEPA 2011, UEPA 2011, UFPA 2011
Disciplina:Português
Assunto:Funções morfossintáticas da palavra QUE
Quanto ao texto, só não se pode afirmar:
Quanto ao texto, só não se pode afirmar:
CARTA DE RECLAMAÇÃO
São Paulo, 22 de março de 2007.
Prezados Senhores,
Esta é a oitava carta jurídica de cobrança que recebo de Vossas Senhorias ... Sei que não estou em
dia com meus pagamentos. Acontece que eu estou devendo também em outras lojas e todas
esperam que eu lhes pague. Contudo, meus rendimentos mensais não permitem que eu pague
mais do que duas prestações no fim de cada mês. As outras ficam para o mês seguinte. Estou
ciente de que não sou injusto, daquele tipo que prefere pagar esta ou aquela empresa em
detrimento das demais. Ocorre o seguinte ... todo mês, quando recebo meu salário, escrevo o nome
dos meus credores em pequenos pedaços de papel, que enrolo e coloco dentro de uma caixinha.
Depois, olhando para o outro lado, retiro dois papéis, que são os dois “sortudos” que irão receber o
meu rico dinheirinho. Os outros, paciência. Ficam para o mês seguinte. Afirmo aos senhores, com
toda certeza, que sua empresa vem constando todos os meses na minha caixinha. Se não os
paguei ainda, é porque os senhores estão com pouca sorte. Finalmente, faço-lhes uma advertência:
se os senhores continuarem com essa mania de me enviar cartas de cobrança ameaçadoras e
insolentes, como a última que recebi, serei obrigado a excluir o nome de Vossa Senhoria dos meus
sorteios mensais.
Sem mais,
Obrigado.
(Texto adaptado; divulgado pelo Clube de Diretores Lojistas e publicado, em 2007, na Folha do Estado de São Paulo)
CARTA DE RECLAMAÇÃO
São Paulo, 22 de março de 2007.
Prezados Senhores,
Esta é a oitava carta jurídica de cobrança que recebo de Vossas Senhorias ... Sei que não estou em
dia com meus pagamentos. Acontece que eu estou devendo também em outras lojas e todas
esperam que eu lhes pague. Contudo, meus rendimentos mensais não permitem que eu pague
mais do que duas prestações no fim de cada mês. As outras ficam para o mês seguinte. Estou
ciente de que não sou injusto, daquele tipo que prefere pagar esta ou aquela empresa em
detrimento das demais. Ocorre o seguinte ... todo mês, quando recebo meu salário, escrevo o nome
dos meus credores em pequenos pedaços de papel, que enrolo e coloco dentro de uma caixinha.
Depois, olhando para o outro lado, retiro dois papéis, que são os dois “sortudos” que irão receber o
meu rico dinheirinho. Os outros, paciência. Ficam para o mês seguinte. Afirmo aos senhores, com
toda certeza, que sua empresa vem constando todos os meses na minha caixinha. Se não os
paguei ainda, é porque os senhores estão com pouca sorte. Finalmente, faço-lhes uma advertência:
se os senhores continuarem com essa mania de me enviar cartas de cobrança ameaçadoras e
insolentes, como a última que recebi, serei obrigado a excluir o nome de Vossa Senhoria dos meus
sorteios mensais.
Sem mais,
Obrigado.
(Texto adaptado; divulgado pelo Clube de Diretores Lojistas e publicado, em 2007, na Folha do Estado de São Paulo)
A
A mescla de pessoas do discurso (segunda pessoa do plural e terceira pessoa do singular)
não constitui erro, pois, nesse tipo de texto, ela se torna um padrão.
B
As reticências presentes em “Ocorre o seguinte ... todo mês,” podem ser substituídas, sem
alteração de sentido, por dois-pontos (:).
C
O trecho “Os outros, paciência. Ficam para o mês seguinte.” pode ser reescrito, mantendo-se
a sua ideia original, da seguinte maneira: “Os outros credores devem ter paciência, pois ficarão
para o mês seguinte.”
D
O texto é heterogêneo quanto ao seu modo de organização. Isto é, apresenta, além de outros,
trechos do modo de organização narrativo.
E
Os conectores grifados em “Esta é a oitava carta jurídica de cobrança que recebo de Vossas
Senhorias” e “Sei que não estou em dia com meus pagamentos.”, são, respectivamente,
pronomes relativos anafóricos de a oitava carta jurídica de cobrança e de sei.
Gabarito comentado
T
Thiago Oliveira Monitor com apoio de IA
Gabarito: E
Fundamento decisivo: A questão se resolve pela distinção morfossintática de “que”: no trecho “Esta é a oitava carta jurídica de cobrança que recebo de Vossas Senhorias ...”, ele retoma “a oitava carta jurídica de cobrança” e funciona como pronome relativo; já em “Sei que não estou em dia com meus pagamentos.”, não há retomada de antecedente, pois “que” apenas introduz a oração que completa o sentido de “sei”. Por isso, a alternativa E é a única insustentável.
Tema central: Funções do que
Análise das alternativas
A
Errada
A afirmação se sustenta dentro da lógica da questão. No texto aparecem formas como “Vossas Senhorias”, “lhes”, “os senhores” e “Vossa Senhoria”, isto é, há oscilação de tratamento dirigida ao destinatário formal. Pela base, essa mescla não inviabiliza a construção do texto e pode ocorrer em correspondência formal; por isso, A não é a alternativa que deve ser marcada.
B
Errada
A alternativa é aceitável porque, em “Ocorre o seguinte ...”, as reticências introduzem uma explicação que vem logo depois. Segundo a base, os dois-pontos poderiam exercer essa mesma função introdutória de esclarecimento sem alteração essencial de sentido. A diferença, nesse contexto, é de efeito expressivo, não de conteúdo semântico decisivo.
C
Errada
A reescrita mantém a ideia global do trecho. Em “Os outros, paciência. Ficam para o mês seguinte.”, há elipse e condensação expressiva; a formulação “Os outros credores devem ter paciência, pois ficarão para o mês seguinte.” apenas explicita o referente subentendido e desenvolve o enunciado sem trair o sentido central de que os demais credores terão de esperar.
D
Errada
A afirmação procede porque o texto, embora seja uma carta de reclamação, não apresenta um único modo de organização. Há sequência narrativa no trecho em que o remetente relata ações encadeadas: “recebo meu salário”, “escrevo”, “enrolo”, “coloco”, “retiro”. Isso confirma a heterogeneidade composicional indicada na alternativa.
E
Certa
A alternativa E é o gabarito porque erra justamente no ponto morfossintático cobrado. No trecho “Esta é a oitava carta jurídica de cobrança que recebo de Vossas Senhorias ...”, o “que” é pronome relativo anafórico, pois retoma o sintagma nominal antecedente “a oitava carta jurídica de cobrança”. Já em “Sei que não estou em dia com meus pagamentos.”, o “que” não é pronome relativo nem retoma “sei”: ele introduz uma oração subordinada substantiva objetiva direta, funcionando como conjunção integrante. A alternativa, portanto, atribui ao segundo “que” uma classificação e uma relação anafórica inexistentes.
Pegadinha da questão
A banca explora a polifuncionalidade de “que”: o primeiro caso é pronome relativo, mas o segundo é conjunção integrante. A confusão real está em tratar todo “que” introdutor de oração como se fosse relativo e em supor, erroneamente, que “sei” pudesse funcionar como antecedente do segundo “que”.
Dica para questões semelhantes
- Verifique se o “que” retoma um termo nominal anterior; se retoma, há base para pronome relativo.
- Se a oração introduzida por “que” apenas completa o sentido de um verbo, sem retomada de antecedente, a tendência é de conjunção integrante.
- Em questões com “não se pode afirmar”, valide as demais alternativas antes de decidir pela incorreta.
- Não iguale classe gramatical por aparência: a mesma palavra pode exercer funções diferentes em contextos distintos.






