Leia com atenção:
Nos anos 1860 se esquematiza uma reflexão em torno dos valores fundiários do território urbano. Na origem dessa reflexão, teorizada por Julius Faucher em 1867, encontra-se a crise habitacional, cuja causa é atribuída aos preços fundiários: o nível desses preços seria artificialmente elevado pela especulação, notadamente nas áreas de expansão imediata das cidades.
Elsa VONAU. Urbanismo: a invenção do zoneamento. In: O mapa, desafio contemporâneo:
La documentation Française, dossier no 8036. p. 58
Relacionando o que o texto afirma com a realidade urbana contemporânea do Brasil, é correto afirmar:
Nos anos 1860 se esquematiza uma reflexão em torno dos valores fundiários do território urbano. Na origem dessa reflexão, teorizada por Julius Faucher em 1867, encontra-se a crise habitacional, cuja causa é atribuída aos preços fundiários: o nível desses preços seria artificialmente elevado pela especulação, notadamente nas áreas de expansão imediata das cidades.
Elsa VONAU. Urbanismo: a invenção do zoneamento. In: O mapa, desafio contemporâneo:
La documentation Française, dossier no 8036. p. 58
Relacionando o que o texto afirma com a realidade urbana contemporânea do Brasil, é correto afirmar:
Gabarito comentado
Alternativa correta: B
Tema central: especulação fundiária e seus efeitos na distribuição espacial da população urbana. Questões essenciais: valorização do solo urbano, processo de expulsão/peripheralização da população de baixa renda e papel das políticas públicas (tributação, zoneamento, habitação social).
Resumo teórico rápido: A especulação eleva preços dos terrenos próximos aos centros e às áreas com infraestrutura, tornando inacessível a moradia formal para renda baixa. Como resposta, parcela da população desloca-se para periferias distantes ou ocupa áreas informais (favelas, loteamentos irregulares). Conceitos úteis: rent gap (diferença entre valor atual e potencial do solo), zoneamento e instrumentos do Estatuto da Cidade (Lei nº 10.257/2001) para gestão do solo urbano.
Justificativa da alternativa B: Historicamente e hoje nas metrópoles brasileiras, a valorização especulativa de terrenos centrais e de áreas bem servidas empurra famílias de baixa renda para periferias; isso gera deslocamentos diários longos, segregação socioespacial e crescimento de ocupações informais. Observações empíricas e a literatura urbana confirmam esse padrão (ver Estatuto da Cidade; estudos de David Harvey sobre urbanização do capital).
Análise das alternativas incorretas:
A — Errada. Afirmar que a especulação é restrita por alta carga tributária é falso: o IPTU no Brasil frequentemente é baixo ou mal progressivo, há isenções e a capacidade de taxa sobre terrenos ociosos é pouco utilizada; assim, a tributação raramente impede o land banking.
C — Errada. Embora existam programas habitacionais (Minha Casa Minha Vida / Casa Verde e Amarela), a política brasileira privilegia a produção por venda/subsídio à propriedade; o mercado de aluguel formal continua inacessível para grande parte das classes baixas, logo a locação não atenua a crise habitacional de forma generalizada.
D — Errada. Verticalização por si só não elimina a especulação. Pelo contrário, pode aumentar o valor do solo e intensificar a pressão especulativa; só instrumentos de regulação (índices construtivos, zoneamento, outorga onerosa) podem controlar esse efeito.
E — Errada. A especulação ocorre tanto em centros quanto em áreas de expansão. Em muitas cidades a fronteira de expansão é alvo intenso de valorização especulativa porque aí se concentra o potencial de ganho futuro.
Dica de prova: Procure palavras-chave que liguem causa (preços fundiários elevados) a efeito (deslocamento da população de baixa renda). Relacione enunciado a conceitos clássicos (especulação, rent gap, periferização).
Fonte sugerida: Estatuto da Cidade (Lei nº 10.257/2001); David Harvey, Social Justice and the City (1973).
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