Leia o texto a seguir.
No sentido antigo do termo, um recurso natural, como todas as formas de vida, é algo intrinsecamente dotado
do poder de auto-renovação. Essa compreensão profunda da vida é negada pelas novas “empresas de ciências
da vida” que impedem a auto-renovação da vida a fim de transformar os recursos naturais em matérias-primas
lucrativas.
CAPRA, F. As conexões ocultas: Ciência para uma vida sustentável. São Paulo: Cultrix, 2003. p. 209.
Quando se deslumbram encantamentos e desencantamentos na chamada sociedade do conhecimento científico
e tecnológico de fins do século XX e primórdios do século XXI, como aludido no texto, pode-se afirmar que
Leia o texto a seguir.
No sentido antigo do termo, um recurso natural, como todas as formas de vida, é algo intrinsecamente dotado do poder de auto-renovação. Essa compreensão profunda da vida é negada pelas novas “empresas de ciências da vida” que impedem a auto-renovação da vida a fim de transformar os recursos naturais em matérias-primas lucrativas.
CAPRA, F. As conexões ocultas: Ciência para uma vida sustentável. São Paulo: Cultrix, 2003. p. 209.
Quando se deslumbram encantamentos e desencantamentos na chamada sociedade do conhecimento científico e tecnológico de fins do século XX e primórdios do século XXI, como aludido no texto, pode-se afirmar que
Gabarito comentado
Alternativa correta: C
Tema central: crítica à mercantilização da vida pela biotecnologia e a necessidade de responsabilidade ética na pesquisa e aplicação científica. Para responder é preciso relacionar biotecnologia, propriedade intelectual, biopirataria e princípios da bioética.
Resumo teórico e fontes: A biotecnologia usa conhecimentos biológicos para fins produtivos; por isso surge a exigência de bioética — conjunto de princípios que orientam pesquisa, proteção de comunidades tradicionais e uso responsável dos recursos genéticos. Fontes relevantes: Convenção sobre Diversidade Biológica (1992) e Protocolo de Nagoya (2010) sobre acesso e repartição de benefícios; Lei nº 11.105/2005 (Brasil, Biossegurança); Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos (UNESCO, 2005); Lei da Propriedade Industrial — Lei nº 9.279/1996.
Por que a alternativa C é correta: O enunciado critica empresas que “impedem a auto-renovação da vida” para lucrar — isso remete à necessidade de normas e conduta ética na biotecnologia. Profissionais da área passam a responder por preceitos bioéticos (respeito à dignidade, consentimento, repartição de benefícios, precaução), logo a afirmação de que esses profissionais devem cumprir a bioética é adequada e coerente com o texto e com as normas citadas.
Análise das alternativas incorretas:
A — Falsa. Na prática, cultivares transgênicas são frequentemente protegidas por patentes e contratos que proíbem a reprodutibilidade livre de sementes pelos agricultores (ex.: ações judiciais de empresas de sementes). A ideia de que a transgenia deu autonomia aos produtores é contrária ao contexto de proteção intelectual.
B — Falsa e invertida. Biopirataria refere-se à apropriação indevida de recursos genéticos e saberes tradicionais pelas corporações, que lucram às custas das comunidades, não o contrário.
D — Falsa. O Projeto Genoma Humano foi um consórcio internacional (NIH, DOE e parceiros), concluído em 2003; não foi desenvolvido pela Bayer e a ONU não outorga patentes. Sequências genômicas públicas não são patenteadas da forma descrita.
E — Falsa. Embora existam mecanismos de repartição de benefícios (Nagoya), não é correto afirmar que o patrimônio genético indígena gerou rendimentos diretos depositados “no Banco Mundial”; frequentemente, as comunidades são as prejudicadas e lutam por compensação justa.
Dica de prova: associe termos do enunciado (mercantilização, impedimento da autorrenovação) a conceitos-chave (patentes, bioética, Nagoya). Procure inversões lógicas nas alternativas — muitas pegadinhas fazem o oposto do que a realidade demonstra.
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